OPINIÃO

O Brasil vai conseguir 'dar conta' dos Jogos Olímpicos?

21/08/2015 13:28 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Buda Mendes via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JUNE 23: Brazilian national teams mascot Ginga is introduced by the Brazilian Local Organizing Committee at Parque Aquatico Maria Lenk on June 23, 2015 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Há alguns anos perguntei à minha professora de piano o que ela havia achado do Brasil. A resposta dela me deixou perplexo "me faz lembrar da minha infância na Uniao Soviética". Hum, pensei. "Como?", perguntei.

Ela explicou que havia crescido em um vilarejo onde, depois da queda da União Soviética, voltou a ser o país Letônia. Não havia muito dinheiro, mas havia muita cultura - dança, música, teatro. Participar dessas manifestações culturais fazia parte da condição de ser daquela terra. Anos depois, ao viajar pelo nordeste do Brasil e ver muita coisa parecida, minha professora constatou que, quaisquer que fossem as circunstâncias econômicas de cada nordestino, criar e participar da cultura não era um luxo, mas uma necessidade.

Pensei nisso na semana passada, quando fui acolhido calorosamente pela Escola Estadual Plínio Damasco Penna, na zona Norte de São Paulo. Fui com um grupo de jovens britânicos que participaram da maior competição de educação profissional do mundo, o "World Skills", uma forma de Olimpíadas para ver quem é o melhor encanador, jardineiro ou cabeleireiro, por exemplo, do mundo; tema muito importante para nós por causa do intercâmbio de jovens talentos de escolas técnicas entre Brasil e o Reino Unido - uma forma de "Ensino Técnico Sem Fronteiras" (Skills Without Borders). Os alunos da escola nos receberam com dança, cantos, música, e além de apresentarem uma interpretação do meu país por meio da arte, também conseguiram atrair alguns britânicos para o palco, eu incluído, infelizmente.

Vi esta expressão cultural popular também no Festival de Parintins, em junho. Digo com franqueza que foi uma das experiências inesquecíveis da minha vida. Desde as serpentes de 20 metros de altura até a chegada do boi pelo céu, passando pelos cerca de 500 percusionistas, centenas de dançarinos e 15 mil espectadores de cada torcida participando com uma garra e energia fora de série, nunca tinha visto tanta criatividade popular. Tudo isto no meio da floresta tropical amazônica. Até hoje canto a canção do Garantido: "vai tremer...". Mal consegui explicar depois aos meus amigos britânicos o que tinha visto. Pelo menos gravei uma curta explicação para um jornal britânico.

Essa participação cultural popular tem que estar presente nas Olimpíadas, na cerimônia de abertura, por exemplo. Faz parte do Brasil e da imagem do Brasil que atrai estrangeiros para o país. Refletindo sobre Parintins, entendi que, apesar de toda a preocupação inevitável sobre a logística nos grandes eventos, um país que pode entregar uma festa tão magnífica com tantas pessoas num lugar tão remoto, não deverá ter problemas com os Jogos Olímpicos. Se uma pequena cidade tão distante pode promover uma festa tão complexa por 3 noites seguidas, uns "joguinhos" deverão ser fáceis para um país como o Brasil.


SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:



VEJA MAIS SOBRE NO BRASIL POST:

Abertura dos Jogos Pan-Americanos 2015