OPINIÃO

Avanço do vírus Zika nos faz encarar os limites da medicina

29/01/2016 12:49 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Até há alguns meses, eu nunca tinha ouvido falar do vírus Zika. Para dizer a verdade, nunca tinha ouvido falar vírus chikungunya e sequer de dengue antes chegar ao Brasil. A minha ignorância sobre o Zika diminuiu consideravelmente desde que começaram a aparecer, por todos os lados, notícias sobre uma epidemia de microcefalia nos recém-nascidos em Recife, e agora em todo o Brasil, possivelmente conectada ao vírus. Mais de 3 mil casos desde outubro.

Lendo mais sobre o Zika, a primeira coisa que me impressiona é como conquistas tidas por adquiridas podem ser perdidas. O Brasil conseguiu erradicar o mosquito que transporta o vírus, Aedes aegypti, em 1958. Não houve nenhum caso de dengue no Brasil até 1981. No nosso conceito simplista de progresso, um agente portador de doenças erradicado há quase 60 anos não deveria voltar; mas voltou.

Acontece que o nosso progresso não é linear. Coisas ruins acontecem, se transformam, regressam. A AIDS apareceu nos anos 1980 e deu origem a uma epidemia que afetou todo o mundo (e noto que a luta contra essa doença representou um dos grandes êxitos de saúde pública no Brasil).

No entanto, a maior mobilidade humana, que nós desfrutamos com tanto prazer, também traz consigo uma maior mobilidade de coisas menos agradáveis - crime, terrorismo ou, neste caso, doenças. É a globalização para o bem e para o mal.

O avanço do vírus Zika também nos faz encarar os limites de medicina. Como é possível que não seja possível evitar ou tratar a contaminação por um vírus tão perigoso para os fetos?

O esforço de combate a esta epidemia deve ser global. Ainda estamos longe de ter uma vacina contra o Zika, embora haja um grande esforço em desenvolver uma, como foi feito contra o Ebola. Contudo, vacinas, que são coisas vivas e muito complexas, levam anos para serem desenvolvidas.

A reação contra o vírus Zika mostra o compromisso de muitos países e organizações internacionais na luta contra essa doença; autoridades de todo o mundo entendem o problema e a necessidade de uma solução, incluindo no meu país - que não é tropical mas tem experiência de medicina tropical por causa das aventuras coloniais no século 19. E também mostra o engenho humano. Vocês sabiam que há uma empresa britânica que já produz, no Brasil, mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados?

Torço para que possamos ter o mesmo empenho global que houve no caso de Ebola. Todavia, não há milagres - apenas ciência e prevenção. Você está fazendo a sua parte?

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