OPINIÃO

1994: A morte de Senna e o nascimento do Real

08/01/2015 18:32 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
Instituto Ayrton Senna/Flickr/Creative Commons

"Precisamos de comida, saúde e educação. Queríamos um pouco de alegria também. Agora, a alegria se foi."

Essa foi a reação de uma brasileira à morte de Ayrton Senna no dia 1º de maio de 1994 no acidente trágico em Ímola. A citação vem do documentário "Senna" que tive a oportunidade de ver, finalmente, outro dia. É um documentário excelente, que conta uma história muita conhecida da vida, mais que a morte, de um ícone do Brasil. É uma visão de fora, mas sensível ao que Senna representou, e ainda representa, para o país.

A tese do documentário é de que Ayrton Senna deu orgulho ao Brasil durante uma época difícil, nos anos 1980. Há referências ao longo de documentário à relação entre Senna e o Brasil, de orgulho e emoção - quando ele finalmente ganha em Interlagos, apesar do fato de o carro dele ter ficado preso na sexta marcha nas últimas voltas. Num outro momento do filme um brasileiro se refere a Senna, depois de ter ganho o campeonato mundial, como "uma das poucas coisas boas que temos atualmente".

Para alguém que chegou ao Brasil em 2013 tudo isto parece pré-história. Li muito sobre o complexo "vira lata" antes de chegar aqui, mas tenho visto pouca evidência dele nos meus 18 meses no Brasil. A miséria e a desigualdade dessa época são, sem dúvida, sub textos do documentário - e situações que ainda precisam ser combatidas, tanto é que inspiraram a criação do Instituto Ayrton Senna, obra que recebeu inclusive a visita do Príncipe Harry, em junho passado.

O documentário é cativante mesmo para pessoas como eu, que entendem pouco de Fórmula 1. Não conhecia a ligação forte entre Senna e o meu país, que vai desde a época dele no kart até a sua melhor fase no time britânico da McLaren e, por poucos meses e com fim trágico, com a equipe Williams. Há um momento bonito no final do filme quando Senna nomeia o melhor piloto contra o qual ele competiu. Nem Prost, nem Schumacher, não. Senna não hesita em sua nomeação - Bill Fuller, um colega inglês dos tempos de kart. Senna fala dele, talvez mais da época em que pilotaram juntos, com saudades: uma época mais simples, sem política, sem dinheiro.

A morte de Ayrton Senna foi uma tragédia para ele, a sua família e para o Brasil. Senna, de fato, deu alegria. Mas, numa estranha coincidência, um mês depois, chegou no Brasil uma nova moeda, o Real. E, com a chegada de estabilidade que veio com esta moeda, começaram provavelmente os melhores 20 anos na história do Brasil. 20 anos com mais educação, saúde e comida, sem perder a alegria. Ainda falta muito. Mas hoje o Brasil é um pais cujo orgulho não depende só do sucesso esportivo.

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