OPINIÃO

Por que meu Voto é da Dilma?

24/09/2014 09:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
NELSON ALMEIDA via Getty Images
Brazilian President and presidential candidate for the Workers' Party (PT) Dilma Rousseff (R) waves to supporters during a campaign rally in Sao Paulo, Brazil on September 20, 2014. The Brazilian general elections will take place next October 5. AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Tenho 31 anos e a primeira vez que votei para presidente da República foi em 2002.

Venho de uma família extremamente politizada. Estive presente nas passeatas do processo de Impeachment de Collor em 1992, o que significa que fui "cara pintada" aos 8 ou 9 anos. O exercício da cidadania e da democracia sempre me motivou, bem como uma frase de minha mãe, que lá em 1989 começou a proferi-la sistematicamente: "minha filha, a gente não vota pela nossa classe. Votamos pela 'raia miúda', precisamos que o país seja mais justo e que todos tenham as mesmas oportunidades".

Essas palavras entraram em minha cabeça e em meu coração e, por isso, desde que me entendo por gente, luto pelas causas sociais. E não existe batalha mais justa e mais nobre que o voto.

Para além de qualquer paixão política, o que me leva a desejar a reeleição de Dilma são os seus feitos, pois as realizações de seu governo, no que diz respeito, sobretudo, ao âmbito social, são de grande valor, de modo que acredito ser imprescindível sua continuidade.

Esse governo, que agora, me parece tão criticado pelas elites e pela classe média (#classemediasofre), de maneira geral, tem o meu apoio e respeito por iniciativas como o Bolsa Família, Pro-Uni (e expansões de vagas em Universidades Federais), aumento do salário mínimo, Mais Médicos, Sistema Nacional de Cultura, aprovação do casamento igualitário, incubadoras do Minc (incentivo à cultura e à economia criativa), dentre outras. Essas iniciativas partem do pressuposto do fim de antigas exclusividades e construção de uma sociedade mais igualitária, em que as pessoas tenham o direito de escolher o rumo de suas vidas. E isso vai desde a escolha de comprar salsicha ou frango da beneficiária do bolsa família, passando por cursar letras ou medicina d@ beneficiári@ do Pro-Uni, até casar-se com um homem ou com uma mulher. Afinal, a livre escolha é a representação mais clara e explícita da democracia.

Poderia dar dados numéricos acerca do Bolsa Família (se estende a 13,8 milhões de famílias e o valor médio do benefício é de 152 reais, beneficiando 50 milhões de brasileiros e ainda sendo considerado barato, uma vez que custa menos de 0,5% do PIB), ou do aumento do salário mínimo ou ainda do programa Pro-Uni e da expansão de vagas em Universidades Federais (aumento de 250 mil vagas), mas prefiro tecer a minha reflexão sobre esse governo baseando-me no mote da diminuição das fronteiras.

Basicamente, voto na Dilma, porque fico muito feliz quando ouço minha diarista contar que foi de São Paulo a Recife de avião para visitar sua mãe e que ainda pôde levar na viagem seus dois filhos, que ainda nem conheciam a avó. Dilma tem em mim uma eleitora, porque comemoro quando tenho colegas de mestrado ou doutorado que eram porteiros ou que viviam em comunidades desprovidas de quase tudo aquilo que nos parece um direito. Quero a reeleição de nossa presidenta porque acredito que se há amor, há tudo e me parece um disparate absurdo que fiquemos discutindo quem pode casar com quem. Escolho Dilma porque está cada vez mais difícil de arrumar diarista, jardineiro e lavador de carro (dentre outros) e eu acho isso justo.

Eu voto em Dilma porque saber que as pessoas estão comendo três vezes ao dia, indo à escola, tendo um médico que as visita para fazer a profilaxia de doenças que são erradicadas no mundo, mas persistem no Brasil por falta de cuidados básicos, me deixa tranquila e em paz.

Eu voto em Dilma porque a acessibilidade aos aeroportos não me parece uma afronta, pelo contrário, saber que as pessoas hoje podem sonhar e realizar seus desejos, me faz bem. Porque ter um funcionário que se recusa a ganhar pouco e fazer um trabalho insuportavelmente chato e, por vezes, desrespeitoso, me deixa esperançosa. Porque perceber que as pessoas estão com seu senso crítico mais apurado e confirmar que elas estão conhecendo seus direitos e deveres como cidadãos faz com que eu me transborde e me inunde de contentamento.

Trocando em miúdos, eu reelejo a nossa presidenta porque eu não quero conservar privilégios ultrapassados, porque eu não quero admirar a Europa e fazer tudo ao contrário no meu país, porque o meu maior desejo é andar na rua despreocupada com a violência urbana gerada pela desigualdade social. Porque espero que meus filhos cresçam em uma lógica muito diferente desta: com tantas fronteiras e lugares proibidos a uma enorme parcela de gente.

É por essas e outras tantas motivações que, no dia 5 de outubro, o meu "piriririm" da urna eletrônica há de soar por Dilma Rousseff. E eu espero, de todo o coração, que nossa presidenta possa dar continuidade a seu projeto de governo justo e igualitário.

E se tudo der certo, dançarei Valesca Popozuda em Brasília ao final do segundo turno, só no beijinho no ombro pro recalque "dazamiga".

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