OPINIÃO

Lágrimas e poesia com o beijo de Johhny Hooker e Liniker no Rock in Rio

Eles estavam ali usando o palco para mostrar que existem, apesar de quaisquer preconceito e intolerância.

18/09/2017 11:58 -03 | Atualizado 18/09/2017 12:07 -03
Reprodução/Multishow
Música, sintonia, letra, performance, temática, dados no telão e, claro, o beijo levaram muita gente às lágrimas.

A participação do Johnny Hooker com a Liniker no palco Sunset do Rock in Rio neste domingo (18) não foi só um lacre musical e artístico. O pacote completo - música, sintonia, letra, performance, temática, dados no telão e, claro, o beijo - com certeza levou muita gente às lágrimas. Pelo menos foi isso que provocou em mim: choro, muito choro. Ah, e inspiração para algumas palavras também.

Johnny Hooker, Liniker e a comentadíssima Pabllo Vittar entraram para a história do Rock in Rio ao lado de Cassia Eller e seus seios de fora em 2001. Estavam todos ali, usando o palco para mostrar que existem, apesar de quaisquer preconceito e intolerância.

É sempre bom ver espaços abertos para que pessoas julgadas por amarem de um jeito "diferente da maioria" falem, gritem, desenhem e cantem a liberdade que desejam. Elas suam e até sofrem muito para poderem aparecer na TV, na rádio, na revista, na conversa franca com a família, nas discussões escolares. Aos poucos, deixam de ter que "sair do armário" para nunca entrarem nele.

A música que eles cantaram foi Flutua, recém-lançada no Youtube e já cheia de polêmicas (até saiu do ar por um tempo por causa da foto em que os dois se beijam). Ela tem uma mensagem urgente para o mundo, principalmente para o nosso país. Ela fala de um assunto milenar, mas que parece ainda não ter sido bem compreendido por tanta gente: o AMOR.

Há muito mais a se dizer sobre o tema. Mas hoje, depois da cena que foi transmitida ao vivo para o mundo todo, estampou capa de sites de notícia e foi exemplo de resistência num dos maiores festivais musicais do planeta, só consegui chorar e escrever estas palavras:

A todos os tipos de amor,

Seu amor não é crime, não é pecado, não é vergonha. Seu amor é talvez mais amor que os outros, porque exige ainda mais coragem, mais força, mais paciência. Porque o mundo te julga, te aponta, te exclui, te espanca, te cospe, te esconde, só pelo seu jeito de amar.

Seu amor é lindo, porque é autêntico, porque não tem amarras, porque enfrenta tudo, o medo, o ódio, a dor. Seu amor vira assunto para os outros, vira polêmica, vira tabu, mas é da conta só do seu coração.

Eles, que maldizem esse seu forte amor, não estavam com você quando foi alvo de risadas na escola, quando se olhou no espelho se perguntando porque era diferente, quando se fechou para não enfrentar os olhares alheios.

Não estavam ao seu lado quando descobriu que não era como a maioria e se questionou tantas vezes se estava errado, infringindo alguma lei divina ou humana, quando teve que encarar a preocupação ou o desapontamento de sua família.

Eles invocam regras, textos, teorias, trechos bíblicos, pesquisas para dizer que você não é normal, que seu amor não é permitido. Mas não estão dentro de você para saber o que sentiu desde criança, o que viveu e ainda terá que viver por ser quem é.

Eles querem te condenar ao fogo, à lágrima, à morte. Mas não desanime ou se impressione. Seja tão forte quanto o amor. É só ele que importa, é só ele que vai salvar o mundo um dia, é só ele que vai prevalecer. É só o amor que aceita todo amor do mundo, o seu, o meu e até o deles. Aceite seu amor e acredite que tudo vai ficar bem. Um dia.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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