OPINIÃO

#EuSouMaravilhosa e Emilly do BBB: Por que ter amor próprio seria arrogância?

Dá licença, mas precisamos chegar a um veredicto: amor próprio é bom e não tem contraindicação. 😎

22/02/2017 18:56 -03 | Atualizado 22/02/2017 20:50 -03

Ainda estamos em um tempo em que a autoconfiança de uma participante do Big Brother Brasil de 20 anos gera polêmica nas redes sociais. Por ser uma mulher segura e dizer que "sempre se sentiu sensacional", a leonina Emilly Araújo foi taxada de arrogante e trouxe à tona o tabu da autoestima feminina. Neste dia 22 de fevereiro, em homenagem a ela, defensores da sister fizeram a hashtag #EuSouMaravilhosa subir ao topo do Trending Topics brasileiro no Twitter. E por que isso precisa ser discutido?

Não quero entrar no mérito das qualidades e dos defeitos da moça nem se deve ou não sair da casa do BBB17. A questão é ver como ela causou incômodo em tanta gente por ser tão nova e tão "empoderada". As mulheres que se rebelaram no Twitter não quiseram só elogiar a futura nova celebridade, a intenção foi gritar ao mundo que elas (nós) todas têm o direito de se sentirem maravilhosas sem que isso seja um problema.

Nós, mulheres, passamos a vida toda recebendo críticas em torno da nossa autoestima. Se ela não é tão alta, somos vistas como carentes e inseguras, daí nos indicam uma terapia e os homens se afastam porque não querem alguém com problemas. Se nos sentimos bonitas, bem resolvidas, bem sucedidas, somos arrogantes, metidas, causamos inveja e afastamos os homens com a masculinidade em xeque.

Hoje eu sei que não havia problema algum em ser bonita nem em ser estudiosa.

Minha história ilustra bem isso. Quando eu era pré-adolescente, me achava horrorosa e, ao mesmo tempo, não queria ser bonitona como algumas meninas da escola porque achava-as metidas. Então ficava a confusão: não quero ser feia, mas, se for bonita, estarei errada. Preferi tentar ser só uma boa aluna, seria meu jeito de me destacar - e ser chamada de CDF.

Ou seja, o bullying (que não tinha esse nome na época) ia existir de qualquer jeito. Hoje eu sei que não havia problema algum em ser bonita nem em ser estudiosa. Acontece que a sociedade já me dava sinais dúbios dos julgamentos que sofreria se fosse uma coisa ou outra. Pior ainda ser os dois.

Nos anos seguintes, tive muita dificuldade de olhar no espelho e de admitir para mim mesma ter qualquer ponto positivo. Mas fui melhorando e hoje, aos 30, me sinto na melhor fase da vida e não tenho mais tanta vergonha de me achar bonita e reconhecer qualidades em mim. Só que, ainda assim, meu ego - aquela vozinha marota que fica atormentando nossa cabeça com julgamentos - sempre me diz que isso não é ser humilde, que é arrogância.

Dá licença, mas precisamos chegar a um veredicto: amor próprio é bom e não tem contraindicação.

Com tanta crítica sobre como devemos nos sentir, fica difícil ensinar uma garota de 11 anos que ela deve se amar acima de tudo, que isso é pré-requisito para a felicidade. Se ela obedece, corre o risco de ser infeliz só porque alguém não quer ser ofuscado por seu brilho. Dá licença, mas precisamos chegar a um veredicto: amor próprio é bom e não tem contraindicação. Ainda não tenho metade da autoconfiança que deveria ter, mas garanto que minha vida só mudou para melhor depois que comecei a ser um pouco mais segura.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte do nosso time de blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com.
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