OPINIÃO

O triste fim (e recomeço) de Wanderlei Silva

16/01/2016 16:55 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Wanderlei Silva before fighting Cung Le during a UFC 139 Mixed Martial Arts middleweight bout in San Jose, Calif., Saturday, Nov. 19, 2011. (AP Photo/Jeff Chiu)

Confesso que fui pego de surpresa ao ver que, aos 39 anos, Wanderlei Silva encontrou fôlego para deixar a grande polêmica de sua carreira para trás e possivelmente dar início a um capítulo na sua vida profissional. E todo esse processo se deu de forma torta e conturbada, como o 'Cachorro Louco' acostumou seus fãs nos últimos anos.

Sem mais nem menos, Wanderlei usou suas redes sociais na última quinta-feira (14) para pedir desculpas públicas ao UFC pelas acusações feitas no ano passado. Na ocasião, o curitibano disse que poderia provar que o evento contava com lutas armadas em alguns de seus cards, o que prontamente lhe rendeu um processo judicial e meses mais tarde o "arrependimento".

Coloco as aspas porque poucas horas depois o advogado do atleta provou que tudo foi decidido nos bastidores e não passou de um acordo de interesses mútuos. Em declaração ao site MMA Junkie, ele revelou que Wanderlei e UFC decidiram deixar todas as acusações, polêmicas e processos para trás além de garantirem que o brasileiro, finalmente, teria seu contrato rescindido com a reorganização.

E foi justamente este contrato que motivou a guinada negativa da carreira do ex-campeão do Pride. Afinal, depois de fugir de um exame antidoping surpresa e ser banido do esporte pela pataquada, Wanderlei meteu os pés pelas mãos seguidamente em busca de uma chance de poder atuar em outro evento. Primeiro, ele anunciou sua aposentadoria antes mesmo do veredito da Comissão Atlética de Nevada, depois recorreu da decisão (em clara demonstração de que a aposentadoria era de faixada), passou a acusar os ex-patrões em vídeos na internet e aderiu a um grupo de ex-UFCs para exigir mais direitos aos atletas.

E, ao que parece, tudo ficou para trás com a possibilidade de, uma vez desvincilhado do contrato que o prendia ao evento presidido por Dana White, lutar em outras organizações que não tenham vínculo com as Comissões Atléticas nos EUA como, por exemplo, o Rizin, evento japonês apelidado de 'Novo Pride'. E é aí que mora o final às avessas perfeito para a carreira daquele que já foi o melhor do mundo em sua categoria.

Ídolo no Japão, Wanderlei teria apelo suficiente para atrair milhares de fãs para seus combates e embolsar alguns bons milhões em algumas apresentações nos ringues do Oriente. Mas, que fique bem claro, assim como o 'Cachorro Louco' não é o mesmo de 13 anos atrás, o Rizin não é o Pride e lutar no evento não teria o mesmo significado de outrora.

Enquanto o torneio segue com o formato consagrado pelo Pride de misturar lutas interessantes com duelos bizarros entre estreantes e casamentos entre atletas com mais de 50 kg de diferenças, seus grandes nomes (que garantiriam a relevância do show) não são mais os mesmos. Isso porquê, claro, o UFC roubou a cena e o posto de polo mundial deste esporte, além de liderou o processo de profissionalização do mesmo.

Regras unificadas, transmissão global e novas categorias são algumas marcas do evento americano que mostram como o mercado japonês ficou para trás. Cenário que, se pensarmos bem, até que casa perfeitamente para o final de carreira mais conturbado dos antigos 'Reis do MMA'.

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