OPINIÃO

Ninguém pode apagar o legado de Wanderlei Silva. Apenas ele!

16/10/2015 18:29 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Getty Images

Wanderlei Silva é dono de um dos currículos mais invejáveis da história do MMA mundial. Com 35 vitórias, sendo 25 por nocaute, o curitibano acumulou ao mesmo tempo fãs e dinheiro no período em que protagonizou históricas batalhas tanto no Pride, onde foi campeão, como no UFC. Legado este que corre o risco de ser manchado única e exclusivamente pela falta de tato do lutador.

Aos 39 anos, o 'Cachorro Louco' não luta desde 2013, quando fugiu pelas portas dos fundos de sua academia em Las Vegas (EUA) após tentativa da Comissão Atlética de Nevada de realizar um exame antidoping surpresa. O ato, que lhe rendeu o banimento das competições nos EUA (decisão que pode ser revogada no final do mês), também deu início a uma série de pataquadas realizadas pelo ex-atleta, que teima em agir por puro impulso, colocando em risco sua própria reputação.

Sem saber como lidar com as polêmicas que passaram a cercá-lo, Wanderlei, possivelmente sem assessoria adequada errou feio. A começar por demorar em admitir que havia se negado a fazer o exame. Depois, em vídeo quase cômico, contou sua versão da história, assumiu ter usado um diurético (substância proibida) e que por isso fugiu dos testes, mas que por ter confessado sua situação estaria resolvida. Não estava, tanto que ele foi banido do esporte.

Curiosamente, dias antes do resultado oficial emitido pela entidade, talvez alertado por seu advogado pelo resultado que estaria por vir, o lutador se antecipou e, em novo vídeo, anunciou sua aposentadoria motivada pela "perda de amor pelo esporte". Mas não foi o que se viu desde então.

Possivelmente motivado por uma busca tentativa frustrada de se ver livre do contrato que tem com o UFC - sim, mesmo banido de lutas nos EUA, Wanderlei tem contrato com a organização e, por isso, não pode competir em outros países -, o 'Cachorro Louco' passou a atacar os antigos patrões, com quem sempre trocou elogios públicos. "Em defesa do esporte" e de seus praticantes, o curitibano encarou briga dura, mas perdeu a mão.

Em novo ato de total desleixo, Wanderlei entrou na onda dos fãs após a luta entre Conor McGregor e acusou o UFC de manipular resultados e garantiu ter provas disso. O resultado? Sofreu um processo da organização, que não o liberou do contrato, e não apresentou nenhum indício sequer que remetesse à pesada acusação que havia feito.

Em novo episódio na lista de suas gafes durante nova passagem pelo Brasil, o ex-atleta de 39 anos voltou a falar sobre política, exercício necessário na formação de um cidadão. Mas ainda mais necessário do que isso seria a busca pela informação, o que passou longe de sua nova postagem (sempre em vídeo).

Com a revolta e o discurso inflamado característicos, Wanderlei Silva, diante de uma obra aparentemente inacabada em Anápolis, no interior de Goiás, bradou, criticou e atacou o governo da presidente Dilma Rousseff - que faz por merecer críticas em diversos âmbitos em sua gestão - sem se dar conta de que a responsabilidade daquela construção era do governo estadual. O governador, Marconi Perillo, é, assim como o próprio ex-campeão do Pride, filiado ao PSDB, partido de oposição ao Governo Federal.

Menos latido, 'Cachoro Louco', e mais cuidado com o final de sua carreira, que um dia foi brilhante.

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