OPINIÃO

Brasileiro pode estragar planos milionários do UFC em 2016

22/01/2016 14:15 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

A bola foi levantada ainda em dezembro pelo próprio Conor McGregor para em seguida ser corroborada por Dana White, presidente do UFC. Após nocautear Zé Aldo em 13 segundos, o irlandês garantiu que quebraria protocolos ao subir de categoria para se manter ativo em duas divisões distintas simultaneamente. E a intenção não poderia ser mais clara: lutar quatro vezes no ano de 2016 e assim gerar mais dinheiro (tanto para ele como para a organização).

Plano que na teoria parece perfeito. Com duas lutas entre os leves (70 kg) e outras duas entre os penas (66 kg), Conor conseguiria minimizar o impacto do brusco corte de peso a que sujeita seu corpo a cada combate e ainda teria tempo hábil para encaixar em seu cronograma o show de número 200 do maior evento de MMA do mundo, agendado para o dia 9 de julho, em Las Vegas (EUA).

Data esta que foi reservada para a edição comemorativa da semana da independência americana, que tradicionalmente conta com os melhores cards de cada temporada. E, disposto a liderar a noitada de lutas mais aguardada dos últimos anos, McGregor - inflacionado pela conquista do título dos penas e pelas diferentes quedas de Anderson Silva, Ronda Rousey e Jon Jones - aposta no trunfo de ter dois cinturões para garantir seu lugar ao Sol. Mas lhe resta agora um desafio.

Dono de fala mansa e estilo pacato, características diametralmente opostas as do irlandês, Rafael dos Anjos, o RDA, pode colocar todo esse plano milionário por água abaixo. Para isso, basta vencer o confronto agendado para o dia 5 de março, também em Las Vegas, que marcará sua segunda defesa de título dos leves. E embora dentro do octógono seu estilo seja perfeito para vencer a batalha, fora dele sua personalidade impede que ele ocupe o espaço do rival como grande vendedor de pay-per-view. E é aí que mora o contraste.

Canhoto assim como o rival, mais forte e pesado do que McGregor, RDA tem volume de golpes e consistência na transição entre a luta em pé para o combate agarrado, onde é claramente superior. Características que, não à toa, já o colocam como favorito nas bolsas de apostas, mas que não lhe garantem o poder midiático e de mercado representado pelo irlandês.

Atleta este que, diga-se de passagem, acaba de colocar todas as suas fichas neste duelo. Afinal, em caso de derrota todo seu discurso, invencibilidade no octógono, legado histórico e favoritismo de liderar o show de número 200 caem por terra. E tudo isso pode depender de um lutador que fala pouco, mas que faz muito. Guardem o nome de Rafael dos Anjos!

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