OPINIÃO

Aposentadoria de Mayweather? Eu ainda duvido

17/09/2015 18:38 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Ezra Shaw via Getty Images
LAS VEGAS, NV - SEPTEMBER 12: Floyd Mayweather Jr. throws a left at Andre Berto during their WBC/WBA welterweight title fight at MGM Grand Garden Arena on September 12, 2015 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Ezra Shaw/Getty Images)

Floyd Mayweather venceu Andre Berto no último sábado (12), anotou a 49ª vitória e terminou seu contrato com o canal Showtime de forma invicta. Final perfeito para uma das carreiras mais vitoriosas da história do boxe, não fosse a baixa visibilidade que um luta desse calibre atingiu.

Começando pelos ingressos, que só foram vendidos em sua totalidade 24 horas antes do combate, passando pela baixa procura dos pay-per-views, rumores na mídia americana apontam para menos de 900 mil pacotes, pior marca do atleta desde 2006, e terminando na atmosfera de uma quase certeza de que essa não foi, de fato, a despedida de "The Money" dos ringues. Me atenho a esse último ponto, claro.

Ele falou, repetiu e bateu no peito: "Minha carreira acabou. Chegou a hora".

Mas acontece que, entre os diversos fatores que envolvem sua carreira, a busca por recordes se tornou uma constante. E, convenhamos, um novo triunfo o colocaria como líder absoluto na lista dos aposentados invictos, uma vez que com 49-0, seu cartel (ainda) é igual ao do peso-pesado Rocky Marciano.

Um outro recorde histórico, que por sinal já é dele, mas que ao menos por enquanto não poderia ser batido sem ele, é o de maior venda de pay-per-views da história, conquistado em maio passado ao lado do filipino Manny Pacquiao, quando, juntos, os protagonistas da "Luta do Século" venderam 4,4 milhões de pacotes de transmissão para a TV.

Seria sonhar alto demais, então, que Money e Pacman duelassem mais uma vez nos ringues e colocassem à prova não apenas esses recordes, mas também a marca de maiores bolsas já pagas no mundo do boxe (Floyd levou US$ 300 milhões e Manny US$ 100 milhões)?

Seria, mas a julgar pela postura de ambos, e a certeza de que eles, juntos, seriam os únicos capazes de fazer frente aos números apresentados, tendo a acreditar que a "Revanche do Século" ganha mais sentido a cada dia.

Por sinal, Pacquiao já fez sua parte e pediu publicamente pela revanche. E, de diferente em relação ao primeiro combate, tido por muitos como monótono, o filipino teria três interessantes argumentos para atrair a atenção de seus fãs:

1) A lesão no ombro direito, que ele apontou como fator pela queda de rendimento, foi corrigida com uma cirurgia dias após o confronto e não deve lhe incomodar em nova disputa;

2) O polêmico flagra no exame antidoping, que revelou que o americano fez uso de reposição intravenosa após a pesagem, cria clima para que se duvide de uma luta tão desigual no caso de um reencontro;

3) Caso lutem de novo, a disputa poderia, vejam só, ser a aposentadoria de ambos.

E, para coroar tal teoria que ganha força entre os fãs de boxe nos EUA, a nova arena do Hotel Cassino MGM, em Las Vegas, ficará pronta em abril de 2016.

Curiosamente, a rede que controla o hotel tinha contrato de exclusividade com Floyd e recebeu suas 12 últimas lutas, e, vejam só, busca por uma atração de arromba para a inauguração.

Aqui, ainda apostaria meus dois centavos que não custaria nada aos envolvidos em atrasar a estreia para o início de maio, quando um feriado no país facilita viagens para a capital dos jogos (Mayweather liderou noites de boxe no MGM pelos últimos cinco anos em maio).

Outro detalhe, o último, aliás, é que o americano já se aposentou antes, ainda em 2007. E, ao contrário do que haters possam pensar, isso não costuma pesar contra a imagem do atleta, que passa longe de ser um mentiroso, digamos assim.

Na verdade, o clima é o mesmo de quando os fãs pedem bis para a banda quando o show termina. E nada mais justo do que uma das bandas mais famosas da história retornar ao palco para um grand finale.

Afinal, o duelo contra Berto passou longe disso, e a carreira de Floyd Mayweather merece mais do que isso em sua despedida.

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