OPINIÃO

A sinuca de bico de Miesha Tate: vencer ou vencer

22/01/2016 18:18 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Brandon Magnus/Zuffa LLC via Getty Images
LAS VEGAS, NV - JANUARY 20: Miesha Tate poses for a portrait backstage during the UFC 197 on-sale press conference event inside MGM Grand Hotel & Casino on January 20, 2016 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Brandon Magnus/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Quando Dana White mudou de opinião e cancelou a luta entre Ronda Rousey e Miesha Tate, naquele que seria o terceiro embate entre elas, seus argumentos foram claros e, embora levantassem questionamentos, tinham sólido embasamento. A começar com a expectativa por uma baixa procura pela reedição da disputa que já havia resultado em dois atropelos por parte da judoca. O segundo aspecto abordado foi o de que, se derrotada uma terceira vez, a ex-campeã do Strikeforce, impossibilitada de mudar de divisão no evento, teria sua busca por novas metas dificultada enquanto a rival seguisse no topo o que, invariavelmente, tenderia a abreviar sua carreira.

Por isso, de certa forma, a vitória por nocaute de Holly Holm sobre Ronda abriu novos horizontes para a categoria e, com a revanche imediata marcada, Miesha teria, além de amargar o período de molho, tempo hábil para reestruturar sua carreira e planejar com calma a chance de acumular o quinto triunfo seguido no octógono. Cenário que eu julgaria necessário para ela, uma vez que os últimos meses representaram mudanças drásticas em sua alimentação e preparação físico. E isso implica mudança corporal, o que requer tempo de adaptação.

Mas a sequência de fatos nos bastidores culminou no casamento da luta entre Miesha e Holm, em uma clara sinuca de bico para a morena residente de Las Vegas (EUA). Ainda em tempo, que fique claro: entendo que ela, como competidora de alto nível, busque sempre pela chance mais rápida possível de lutar pelo título e que fugir de desafios não faz parte do vocabulário de um lutador que se preze. No entanto, calma e planejamento também fazem parte na vida de um campeão. Afinal, o objetivo deveria ser o de sempre se apresentar no melhor de sua forma e com as melhores armas para bater o adversário.

Embalada e com a confiança lá em cima após tirar para nada a toda poderosa ex-campeã, Holly é mais alta, dona de envergadura superior e carrega no passado vitorioso nos ringues de boxe (nove títulos mundiais na modalidade) qualidades que se encaixam perfeitamente para dar calafrios aos fãs de Miesha. Afinal, mesmo que superior em quedas e no chão, a morena não apresenta nestes pontos as mesmas qualidades e nível que Ronda.

Como resultado, Miesha agora tem menos de dois meses para encarar uma atleta teoricamente melhor e, caso perca, andará casas e mais casas para trás na fila rumo ao posto de melhor do mundo. Isso porque seu valor de mercado (leia-se como capacidade de chamar a atenção do público e vender pay-per-view) estaria comprometido ao extremo, uma vez que enquanto o cinturão dos pesos-galos (61 kg) estivesse com Ronda ou Holly, seu nome não seria cogitado novamente para o córner azul. Por isso, resumo: nesta sinuca de bico, para Miesha Tate a chance é vencer ou vencer.

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