MULHERES
10/02/2018 20:05 -02 | Atualizado 10/02/2018 20:27 -02

Ligue 180 e as campanhas para denunciar o assédio no Carnaval

Em 2017, central de atendimento à violência contra mulher recebeu 4.935 denúncias nos dias do feriado.

CARL DE SOUZA via Getty Images
Tatuagem temporária escrito "não é não" em bloquinho de Carnaval.

"O Carnaval só vai ser um evento de alegria plena quando as mulheres estiverem totalmente livres de violência para exercer seu direito de se divertir, de usar roupa curta e dançar até o chão." A frase é da campanha #CarnavalElesPorElas da ONU (Organização das Nações Unidas).

Diante dos dias de folia, entidades se organizam para evitar assédio e incentivar mulheres a denunciarem abusos.

A Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM) lançou uma campanha para reforçar o uso do Ligue 180, central de atendimento à violência contra mulher. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia. Os casos são encaminhados para os órgãos competentes. As peças lembram que roupa não é convite e que carnaval "não é desculpa para assédio e desrespeito".

Divulgação/SPM
Campanha da Secretaria de Política para Mulheres orienta registro de denúncias no Ligue 180.

Em 2017, apenas nos dias de carnaval, o Ligue 180 recebeu 4.935 denúncias. Entre o carnaval de 2016 e 2017, os casos de violência sexual contra mulheres registrados aumentaram 88%. O balanço do ano passado completo ainda não foi divulgado, mas em 2016 o serviço registrou 1,1 milhão de atendimentos.

Além da central de atendimento, as mulheres também podem registrar a agressão pessoalmente. Há 368 delegacias especializadas E 131 núcleos de atendimento a mulher em delegacias comuns no País. Os endereços estão disponíveis nesta página.

A campanha da ONU, por sua vez, deixa claro os limites também nos dias de folia.

Tem outro exemplo para quem ainda ficou com dúvidas.

Já a campanha "Não é não" tem distribuído tatuagens com a frase para mulheres em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. A estilista Aisha Jacob reuniu amigas para protestar após ser vítima de assédio em uma festa em janeiro de 2017. No carnaval do ano passado, o grupo distribuiu 4 mil tatuagens nos bloquinhos cariocas.

"Nosso corpo é nosso campo de batalha. Acho muito forte ter um discurso no corpo, seja feito com batom, seja com uma tatuagem",disse a atriz Ana Rios, também integrante do grupo, em entrevista ao Globo.

Este ano, o grupo de mulheres ampliou e, por meio de um crowdfunding, conseguiu arrecadar mais de 20 000 reais para distribuir 25 000 tatuagens temporárias. No bloco Baixo Augusta, o adesivo foi usado pela diretora e atriz Leandra Leal.

🤚🏻 #NãoÉNão #BaixoAugusta #BaixoAugusta2018 #ÉProibidoProibir

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As iniciativas ganham peso maior diante dos números de violência às mulheres no Brasil. A cada 11 minutos uma mulher é vítima de estupro, de acordo com o 9º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A taxa de homicídios de mulheres é de 4,8 para 100 mil mulheres, a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). De 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres negra cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875, de acordo com o Mapa da Violência.

Quanto ao assédio, pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid, em 2016, mostra que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades.

Já uma pesquisa da ONG Think Olga, por sua vez, mostrou que 99,6% das 7.762 mulheres entrevistadas afirmaram que já foram assediadas. Neste grupo, 83% afirmou que não acha legal ouvir uma cantada.

Não silencie!

"Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento". Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.