LGBT
09/02/2018 17:42 -02 | Atualizado 09/02/2018 18:15 -02

Ben&Jerry's fará levantamento sobre LGBTfobia durante o Carnaval de São Paulo

"Nada como aproveitar um espaço de tanta liberdade de ser, para falar de um assunto tão importante". 🌈

LEO CORREA via Getty Images
A iniciativa pretende fazer um mapeamento de casos de LGBTfobia durante a folia paulista.

O Brasil é conhecido como "o País do Carnaval", mas também é o País que mais mata transexuais em todo o mundo, segundo dados da ONG Transgender Europe. Diante deste dado alarmante e aproveitando para celebrar a pluralidade e o amor, a marca de sorvetes Ben & Jerrys vai colher dados e depoimentos durante o Carnaval paulista para ajudar a combater a LGBTfobia no Brasil.

"Sabemos que o Carnaval é um momento de festa, mas nada como aproveitar um espaço de tanta liberdade de ser, para falar de um assunto tão importante", afirma a marca em comunicado. Para isso, serão promovidos debates com representantes da comunidade LGBT e a plataforma "LGBTfobia não" em parceira com a ONG "Minha Sampa", já está no ar para receber denúncias.

Reprodução

A iniciativa pretende fazer um mapeamento de casos de LGBTfobia durante a folia paulista, gerar dados, montar um mapa de alção e, então, exigir providências do poder público "para conquistar mais direitos e reverter o cenário de violência". No site, é possível preencher um campo e fazer a denúncia de forma anônima. "Esta mobilização é um convite para que todas as pessoas relatem e registrem histórias, momentos e casos de LGBTFobia que viveram ou presenciaram", convida descrição da plataforma.

A ação deixa claro que qualquer tipo de violência contra LGBTs pode ser denunciada:

"A violência neste caso é tratada não somente como agressão física, mas moral, psicológica e de abuso de autoridades. Violência também é uma piadinha de mau gosto, uma discriminação na hora de arrumar um emprego. Violência é ainda quando desconsidera-se o nome social ou usa o pronome errado ao se referir a uma pessoa trans na hora de fazer um exame, numa abordagem policial ou em qualquer atividade nos nossos dias."

Além de disponibilizar o site para as denúncias, a marca contará com pesquisadores in loco durante a folia. Ao todo, serão 45 profissionais em 9 blocos durante o Carnaval de São Paulo. As estatísticas servirão como subsídio para as próximas ações da marca e suas ONGS parceiras.

Divulgação

Durante a passagem do bloco Love Fest, na próxima segunda-feira(12), a marca vai puxar ainda mais a discussão sobre pluralidade e respeito, promovendo debates sobre gênero, assédio, violência e ocupação do espaço público. Cada tema será representado por uma letra do movimento LGBT, entre os confirmados estão: Luana Hansen, André Giorgi, Carina Rocha, Erika Hilton e Yago Neres.

"Ano passado fomos para a rua para celebrar o amor e entender melhor o movimento. Como ação, realizamos um casamento homoafetivo que contou com a presença da Gretchen, também no bloco Love Fest", conta André Lopes, diretor da marca no Brasil. "Em parceria com a Pajubá, fizemos um amplo estudo sobre o movimento LGBT+ e agora começamos a colocar na rua ações que nos ajudarão na busca por uma mudança sistémica contra a LGBTFOBIA", conclui.

10 momentos históricos da luta LGBT