POLÍTICA
05/02/2018 17:04 -02 | Atualizado 05/02/2018 17:05 -02

Governo não vai desistir de nomear Cristiane Brasil, diz Carlos Marun

“O governo continua insistindo no reconhecimento da privativa prerrogativa do presidente Temer prevista na Constituição de nomear seus ministros.”

Luís Macedo/ Câmara dos Deputados
Cristiane Brasil foi nomeada para o Ministério do Trabalho em 4 de janeiro, mas desde então briga com a Justiça para tomar posse.

O governo não vai recuar da nomeação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para chefiar o Ministério do Trabalho. Quem garante é o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun. Ele acrescenta ainda que não irá pedir outro nome ao partido.

O governo continua insistindo no reconhecimento da privativa prerrogativa do presidente Temer prevista na Constituição de nomear seus ministros.

Cristiane Brasil é:

- Alvo de uma investigação em inquérito sobre associação para o tráfico de drogas;

- Protagonista de uma gravação na qual cobra votos de servidores em troca da permanência deles no cargo (Se eu perder a eleição de deputada federal.. (...) No dia seguinte, eu perco a secretaria. No outro dia, vocês perdem o emprego);

- Condenada em uma causa trabalhista a pagar R$ 60,4 mil a um motorista que prestava serviço para ela e sua família,

Além disso, ela aparece em um vídeo no qual questiona as pessoas que entram "contra a gente" em ações trabalhistas.

Para Marun, entretanto, não há nada que de fato arranhe a imagem da deputada. "O fato de alguém ter perdido uma ação trabalhista não significa que essa pessoa seja imoral", argumenta.

Posse suspensa

A posse dela está suspensa pela segunda vez. Na primeira vez, o juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal de Niterói, alegou desrespeito à moralidade ao nomear para o cargo de ministro do Trabalho, "pessoa que já teria sido condenada em reclamações trabalhistas, condenações estas com trânsito em julgado".

Após a Advocacia-Geral da União recorrer, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou a posse, mas o grupo Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes (Mati) recorreu. E a posse foi suspensa pela presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia.

Nesta segunda-feira (5), a deputada pediu agilidade ao STF.

"Não devo mais nada à Justiça Trabalhista. Estou sendo julgada política e não juridicamente. Tenho a ficha limpa. Mas, infelizmente, o meu julgamento superou essa esfera. Preciso que o STF decida essa questão, para que eu possa seguir minha vida política", diz a deputada.

Nas mãos de Deus

À Folha de S.Paulo, o fiador de Cristiane Brasil, pai dela e presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que a indicação dela está "nas mãos de Deus". No sábado (3), ele disse que a filha não sairia como "bandida".

A assessoria da deputada nega a acusação de envolvimento com tráfico, diz que o inquérito foi aberto baseado em uma denúncia anônima durante a campanha eleitoral de 2010, ano em que Cristine sequer foi candidata.

A deputada afirma ainda que o vídeo no qual faz questionamento sobre a Justiça do Trabalho está fora de contexto. Ao G1, a assessoria disse desconhecer em quais circunstâncias foi gravado o áudio no qual a deputada aparece coagindo os servidores. Diz ainda que ela "jamais infringiu qualquer norma ética ou jurídica relacionada às eleições".

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