POLÍTICA
03/02/2018 09:16 -02 | Atualizado 03/02/2018 09:16 -02

Com Lula ficha suja e Bolsonaro estável, pesquisa aponta volatilidade de 2018

De acordo com Datafolha, Michel Temer é, no momento, o pior cabo eleitoral. Segundo especialista, entretanto, o cenário pode mudar.

Reuters Photographer / Reuters
"Muita gente se sente obrigado a desaprovar o governo. É mais fácil alguém dizer que não o apoio por causa do mainstream, sem parar para pensar."

Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficha suja e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) estável na última pesquisa de intenção de votos, a disputa pela Presidência da República está volátil. O cenário aponta para surpresas como até uma possível vitória do presidente Michel Temer (PMDB), que nem candidato é.

A análise sobre a incerteza é do cientista político Rui Tavares Maluf, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Ele alerta que quadro de candidatos ainda é muito estável. Para ele, os únicos dados objetivos e discutíveis da última pesquisa Datafolha - a primeira de intenção de votos após a condenação de Lula em segunda instância - é que o petista, embora siga em primeiro lugar, não deverá ser candidato, e Bolsonaro segue em segundo lugar.

Outros quatro candidatos, Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Luciano Huck, estão praticamente empatados em terceiro lugar. Alckmin e Huck, entretanto, ainda são incógnitas. Apesar do tucano parecer um nome consolidado, há dentro do PSDB outro candidato que deseja disputar as prévias, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto.

Não se sabe também qual é o plano B do PT. Por ora, o partido trabalha mais na união interna em torno do nome do ex-presidente que na busca de alguém que poderia sucedê-lo. As candidaturas de esquerda também estão difusas, o PCdoB aposta na deputada estadual Manuela d'Ávila e o PSol está em busca de um nome, há interesses em lançar Guilherme Boulos, líder do MTST, por exemplo.

Rejeição

A sondagem mostrou ainda que o presidente Michel Temer mantém o posto de pior cabo eleitoral - 87% não votariam em um candidato a presidente apoiado pelo peemedebista, e 4% votariam com certeza neste concorrente, além de 8% que poderiam votar. Temer continua sendo o mais rejeitado: 60% não votariam nele de jeito nenhum para a Presidência da República.

"Me parece muito complicado, mesmo que a figura de Temer continue nesse posto, também temos que considerar que ele poderia vir a ser candidato. Mesmo com uma taxa de rejeição dessas e que a gente não pode perder de vista que, se por um lado é mais difícil um sentimento negativo se tornar positivo do que um positivo cair para negativo, há vários fatores por trás da rejeição ao Temer."

O cientista político cita por exemplo a moda de dizer que é contra o presidente. "Muita gente se sente obrigada a desaprovar o governo. É mais fácil alguém dizer que não o apoio por causa do mainstream, sem parar para pensar. Se em três meses as condições da economia melhoram, por exemplo, haverá um razoável interesse em manter o governo", diz.

Ele destaca ainda que há outra particularidade na figura de Michel Temer, o fato de ele acreditar que está fazendo a coisa certa. "Ele mesmo diz que prefere ser um candidato sem reconhecimento agora do que ser bem aprovado sendo populista."

Lula e Collor

Embora primeiro na pesquisa, com percentuais que vão de 34% a 37% das intenções de voto, Lula também é um dos candidatos mais rejeitados, com 40%. Para o cientista político, o índice também mostra que, mesmo em primeiro lugar, após as candidaturas ficarem estáveis, pode ser que nem Lula se sustente.

Entre Lula e Temer, também ostenta um alto índice de rejeição o ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL), com 44%. Na sequência desse ranking aparecem Bolsonaro (29%), Alckmin (26%), Huck (25%), Marina (23%), Ciro (21%), Maia (21%), Doria (19%), Meirelles (19%), Wagner (15%), Rabello de Castro (14%), Barbosa (14%), Alvaro Dias (13%), Manuela (13%), Boulos (13%) e Amoêdo (13%).

A pesquisa Datafolha mostra que há ainda 2% que votariam em qualquer um deles, e 4% que rejeitam todos.

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