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01/02/2018 17:43 -02 | Atualizado 01/02/2018 17:43 -02

Reclamações dobraram após cobrança de bagagem aérea

Principais queixas envolveram falta de informação, propaganda enganosa e valor cobrado, diz pesquisa do Reclame Aqui. Saiba como fazer sua reclamação.

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Após norma da Anac de cobrança de bagagem aérea, reclamações de passageiros dobram, diz pesquisa do site Reclame Aqui.

As reclamações de passageiros dobraram do primeiro para o segundo semestre de 2017, mostra pesquisa do site Reclame Aqui. Foram 1.219 queixas de janeiro a junho do ano passado, data do início da cobrança da bagagem aérea e 2.727 de julho a dezembro, um aumento de 106%.

Em vigor desde junho de 2107, a resolução da Anac (Agência de Aviação Civil) permite que as empresas decidam quanto irão cobrar para despachar as malas.

Até então, os passageiros podiam despachar uma mala de até 23 quilos e levar uma bagagem de mão de até cinco quilos, em voos domésticos. Para viagens internacionais, o limite era de 32 quilos para despachar e até dez quilos para ítens de mão. O serviço já estava incluído no valor da passagem.

O levantamento revela a ascensão das queixas após a mudança. Os dados incluem companhias aéreas com mais de 200 reclamações publicadas para a aba de 12 meses no Reclame Aqui, registros diretos à Anac e dados de dez agências de turismo com maior volume de reclamações na aba de 12 meses do site.

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Queixas por despacho de bagaem aérea sobem após norma da Anac, mostra Reclame Aqui.

As principais queixas estão relacionadas à falta de informação, propaganda enganosa e valor cobrado. É o caso de pessoas que tiveram as malas despachadas, mesmo seguindo os padrões para para bagagem de mão, por falta de espaço na aeronave.

Há relatos de pessoas que compraram a passagem com o adicional da bagagem e foram cobradas novamente no aeroporto, por exemplo.

De acordo com a pesquisa, os registros se concentraram nas empresas que operam em voos domésticos e o número de reclamações sobre falta de informação em agências de turismo foi alto. "Percebemos que a causa raiz para as reclamações são a falta de informação por desconhecimento da cobrança de taxa ou taxas abusivas", diz o levantamento.

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Passageiros reclamam de falta de informação e cobrança indevida de despacho de bagagens aéreas.

Como reclamar da cobrança de bagagem?

A primeira opção é tentar resolver o problema com a própria companhia. Em geral, a opção apresentada nos sites é o Fale Conosco ou um telefone sem cobrança na ligação.

O canal oficial para registrar queixas sobre cobrança de bagagem é o Consumidor.gov. O site é monitorado pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça, responsável pelos Procons.

O primeiro passo é checar se a empresa está cadastrada no site. As companhias aéreas na lista são Avianca, Azul, Gol, Latam, Lufthansa e Swiss.

Em seguida, o consumidor registra a reclamação e a empresa tem até dez dias para responder. O consumidor pode então comentar a resposta e classificar a demanda como resolvida ou não.

Se preferir fazer a queixa pessoalmente, procure o Procon de seu estado e/ou município. Leve documentos que provem a compra do produto ou serviço, como recibos de vendas e contratos. Também é válido reunir mensagens de e-mail ou conversa via Whatsapp com a empresa.

É possível ainda registrar a queixa no Reclame Aqui. Basta procurar o nome da companhia e contar a história. Outro site que agrega reclamações é o Proteste!, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.

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Desde junho, resolução da Anac acaba com franquia de bagagem de 23 quilos em voos domésticos.

Cobrança de bagagem aérea

A cobrança pelo despacho de bagagem entrou em vigor após uma guerra de decisões provisórias na Justiça. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Ministério Público Federal argumentavam que as alterações prejudicariam os consumidores e não resultariam em valores mais baixos.

Na época, a Anac sustentou que a mudança poderia reduzir o preço das passagens. Entre junho e setembro, contudo, a alta chegou a 35,9%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas revelados pelo Estadão.

Já a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que, de acordo com dados preliminares, de junho e o início de setembro, as tarifas recuaram de 7% a 30% nas rotas domésticas das companhias Azul, Gol e Latam.

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