POLÍTICA
29/01/2018 18:27 -02 | Atualizado 29/01/2018 18:27 -02

Marcelo Calero quer se candidatar a deputado federal pelo Rio

“O que aconteceu comigo é fruto da minha absoluta necessidade de ser coerente com os valores que aprendi”, afirmou o ex-ministro Marcelo Calero.

AFP/Getty Images
Ex-ministro do governo de Michel Temer, Marcelo Calero quer se lançar candidato em 2018.

Ex-ministro do governo de Michel Temer que denunciou escândalo do apartamento de luxo do então ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Marcelo Calero quer se lançar candidato em 2018.

"Estou avaliando realmente uma candidatura. Recebo muitas mensagens nas redes sociais e nas ruas. Há um sentimento generalizado na população de que a gente precisa definitivamente renovar a classe política", afirmou ao HuffPost Brasil.

Desde 22 de janeiro, ele participa de um curso de formação de cem novas lideranças políticas promovido pelo RenovaBr, um fundo de empresários para formar possíveis candidatos. As aulas até 2 de fevereiro incluem temas como funcionamento do Legislativo, direito eleitoral, marketing político e discussões sobre o papel do Estado.

Calero contou que recebeu convites de partidos, mas só deve tomar a decisão em abril, prazo final para a filiação. Ele já foi filiado ao PSDB e ocupou dois cargos públicos em governos do PMDB. Além de ministro da Cultura de Temer, foi secretário de Cultura da gestão do prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro.

Questionado se legendas como PSDB e PMDB estão descartadas, o ex-ministro respondeu: "Não posso estar num partido que não seja coerente com o que eu vivi, com os valores que eu tenho". "O que aconteceu comigo é muito fruto da minha absoluta necessidade de ser coerente com os valores que eu aprendi em casa e com a minha trajetória", completou.

Apesar da experiência no Executivo, Calero deve tentar uma vaga no Legislativo. "Deputado federal é uma opção que estou estudando com bastante atenção", afirmou. Em 2010, ele disputou o cargo pelo PSDB, mas não se elegeu. Conquistou 2.252 votos.

Outra ponderação do futuro candidato é com a família. "É uma negociação que eu tenho que fazer também dentro de casa. Eu vivi uma situação bastante complexa e traumática e isso, claro, acaba tendo reflexo na própria família", afirmou.

Advogado formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e diplomata, Calero começou a vida em cargos públicos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Passou também pela Petrobras em 2006. Chegou então à diplomacia em 2007 e trabalhou na embaixada brasileira no México.

Apartamento de luxo de Geddel

Em novembro de 2016, ao deixar o Ministério da Cultural, Calero acusou Geddel Vieira Lima, um dos ministros mais próximos de Temer, de pressioná-lo a produzir um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais.

Em 2014, o Iphan da Bahia deu parecer favorável à construção do prédio que teria 30 andares na região história de Salvador. Em 2016, o Iphan nacional embargou a obra.

De acordo com Calero, ao assumir o Ministério da Cultura, em maio, Geddel o pediu para que a decisão fosse revista porque a defesa da empresa não teria havia sido ouvida. Geddel teria procurado Calero pelo menos cinco vezes para que o Iphan aprovasse o projeto. O apartamento é avaliado em R$ 2,5 milhões.

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Ex-ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Marcelo Calero (Cultura).

Após nova manifestação da defesa, o Iphan manteve o entendimento de barrar a obra. Em novembro, o órgão determinou que a construção se limitasse a 13 andares.

Ao deixar o governo, afirmou que não era político profissional. "Não tenho rabo preso. Não estou aqui para fazer maracutaia", afirmou à Folha de S. Paulo.

O que é o RenovaBR

Inicialmente conhecido como "fundo eleitoral do PIB", devido ao apoio empresarial, o RenovaBR tem entre os idealizadores do grupos estão o empresário Eduardo Mufarej, o publicitário Nizan Guanaes, o economista Arminio Fraga e o apresentador Luciano Huck.

O grupo se define como uma "aceleradora de talentos a serviço da renovação política". De janeiro a junho, o fundo irá investir na formação de possíveis candidatos, com aulas e bolsas entre R$ 5 mil e R$ 12 mil, de acordo com o custo de vida em cada cidade.

O RenovaBr não irá atuar na campanha eleitoral. As atividades serão encerradas em 30 de junho e devem ser retomadas em janeiro de 2019. O grupo se diz apartidário e dá liberdade para os bolsistas escolherem qualquer legenda após o processo de formação.

A exigência é que o aspirante a político não tenha ocupado cargo público eletivo e que se comprometa a cumprir integralmente o mandato, se eleito. O foco do curso é no Legislativo.

Os primeiros cem bolsistas foram recebidos em 21 de janeiro com um encontro com a senadora Ana Amélia (PP-RS) e com o jurista Márlon Reis, idealizador da Lei da Ficha Limpa e pré-candidato da Rede ao governo de Tocantins.

Entre os palestrantes da etapa inicial de formação está Patrícia Ellen, sócia da McKinsey e uma das idealizadoras do movimento Agora!, de renovação política.

No âmbito econômico, o curso conta com o presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Governo Lula, Marcos Lisboa, e com Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda do Estado do Goiás, dentre outros.

Já Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, responsável por pesquisas, irá tratar do perfil do eleitor brasileiro e o que ele espera de seus representantes. Meirelles foi presidente do Instituto DataPopular até junho de 2016.

Apartamento de Geddel