COMPORTAMENTO
26/01/2018 12:20 -02 | Atualizado 30/01/2018 11:25 -02

O guia para te ajudar a fazer o backup de fotos (e nunca mais passar aperto)

Quem nunca sentiu a decepção de um backup malfeito não sabe a dor da perda...

MarioGuti via Getty Images
Aprenda como salvar as suas fotos do celular.

"Eu já usei todos os tipos de drives, e ainda assim perdi imagens de momentos históricos de minha carreira."

Se você é um fotógrafo profissional ou dono de cliques amadores em smartphones, não importa. O fato é que todo mundo está suscetível a perder fotos de momentos queridos em um piscar de olhos, caso você não tenha um plano de backup seguro.

Mas antes de escolher qual, ou melhor, quais são as estratégias mais eficientes para salvar as suas imagens, é preciso entender alguns pontos do mundo das imagens digitais.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Paulo Cesar Pereira, professor de fotografia no Senac São Paulo, explica alguns passos importantes para manter as suas imagens seguras.

Getty Images/iStockphoto
Aprenda como fazer um backup seguro de suas fotos.

Para começo de conversa

É muito importante ter mais de um backup e, principalmente, não guardá-los no mesmo local.

"O backup pode ser executado em diversos tipos de dispositivos: Unidades Raid, HD externo, Mídias óticas (de qualidade e durabilidade questionável) ou em serviços pagos de nuvem na internet. É preciso analisar o custo benefício", explica Pereira.

"Outra dica é concentrar todo o trabalho em uma pasta na raiz do disco de trabalho. Organize o conteúdo por datas, pois fica mais fácil de localizar o trabalho e não fica tão suscetível a vírus que detonam inicialmente os perfis de usuário. A configuração de backup fica extremamente facilitada também."

A resolução das imagens

A resolução de imagens atualmente é uma palavra muito associada a arquivos digitais. Toda foto digital tem uma determinada resolução, que nada mais é do que a quantidade de pixels concentrados naquela imagem. Pixel é o nome que se dá ao menor elemento ao qual é possível atribuir uma cor em uma unidade de exibição.

Por exemplo, se em uma imagem clicada em seu smartphone indica quatro mil pixels e altura e três mil pixels de largura, a resolução total da imagem é de 12 mil pixels, ou seja, 12 megapixels.

Agora, imagine que você quer publicar essa foto no seu Facebook. Uma imagem compartilhada na rede social, automaticamente, tem o seu tamanho comprimido. Ao realizar essa compressão, a imagem perde muitas de suas características e qualidades. Porém, essa alteração é quase imperceptível quando analisamos da nossa tela do celular. Por isso que, muitas vezes, você acredita que salvar uma foto nas redes sociais é uma ótima forma de backup. Mas não é bem assim.

"No momento em que preparamos uma imagem para a Internet, ela deverá caber dentro da tela de navegação. O que significa dizer que deveremos retirar muitos pixels da imagem para que ela caiba dentro do espaço padrão de 72dpi. Isto diminui muito o tamanho do arquivo. Poderíamos aumentar a densidade em pontos do arquivo e manter toda esta quantidade de pixels original, porém, o arquivo será muito grande e inviável para carregá-lo em uma tela de navegação na internet, onde a velocidade é primordial", argumenta o professor.

Os efeitos da retirada de pixels da imagem são velhos conhecidos: O primeiro é o de perda da nitidez da imagem. O segundo é o da perda de texturas. O terceiro efeito, e bastante chocante, é o de que na internet o total de cores exibidas é limitado (somente 256 cores).

"No momento em que 'salvamos' a imagem para um determinado dispositivo deveremos compreender que as alterações necessárias podem ter várias consequências ruins", acrescenta Pereira.

Tenha em mente. Ao salvar uma imagem para a internet, é preciso saber:

- Em qual tamanho em pixels ela deverá ser exibida.

- Uma vez adequado o tamanho em pixels, provavelmente ocorreu uma redução dele. É preciso readequar a nitidez e as altas e baixas luzes, que são facilmente verificáveis no Photoshop.

- Converter o espaço de cor para sRGB (padrão Internet).

- Confirmar se o tamanho final do arquivo ainda não está acima do limite do adotado no local onde será postada a imagem (verifique nas características da rede social).

- Lembre-se: O melhor formato ainda é o jpeg. Porém verifique se há necessidade de baixar a qualidade da compressão da imagem. Pode-se ter um preview interessante quando optamos por "salvar para web" no Photoshop. Esta opção já exibe a imagem em 256 cores.

Entenda o raciocínio de salvar imagens

- Se a imagem deverá receber novas edições, o formato mais adequando é no mínimo o Tiff.

- O tamanho em pixels e sua densidade deve ser adequada ao dispositivo final (impressão ou tela).

- O espaço de cor deve também ser adequado ao dispositivo final.

- O formato de saída: jpeg em qualidade ou Tiff.

Getty Images/iStockphoto
Aprenda como salvar as suas fotos.

Sempre há um risco

Preservar a sua foto com as características originais, ou o mais perto disso, não é o único desafio que você vai enfrentar. Você também precisa entender que não há um método infalível de salvar as suas fotos.

"Não há um perfeito. O backup na nuvem pode parecer moderno, mas a sua conexão com a internet também precisa ser 'moderna' e acessível de qualquer lugar. Teras e teras de arquivos não combinam com conexões lentas", argumenta Pereira.

A estratégia, então, é sempre variar e combinar os dispositivos que você vai salvar as suas fotos. Sempre tenha um serviço de nuvem, como o da Apple, Amazon ou Google, combinados com um drive externo ao seu computador, por exemplo.

A escolha de um backup online

Uma das maneiras mais eficientes de salvar as imagens do seu smartphone é escolher um serviço de "nuvem" disponibilizado pelas empresas de tecnologia, como iCloud da Apple, o Google Photos, o Amazon Prime Photos ou o Dropbox. O grande diferencial desses serviços é que eles contam com a opção de backup automático. Isso é uma ótima segurança para não perder os arquivos caso o seu celular quebre ou seja roubado, por exemplo.

Todos eles também apresentam uma versão grátis de uso, mas que geralmente só serve para salvar poucos arquivos. Ainda, cada um possui os seus prós e contras. Por exemplo, o serviço da Apple apenas fornece 5GB de espaço para armazenamento na versão gratuita. Depois, a assinatura varia entre R$2,90 e R$29,90 mensais para mais armazenamento.

Já o Google Photos permite um espaço de armazenamento ilimitado, porém as imagens são comprimidas e salvas em menor qualidade caso extrapolem o limite do serviço de 16 megapixels.

Tudo vai depender da sua intenção (e orçamento).

Vale a pena manter drives externos?

"Certamente é mais prático guardar imagens em HDs externos. É importante manter eles desligados e usar apenas para novo backup ou para o restore. Se alguma coisa de errado acontecer, a melhor coisa que se faz é não fazer nada. Não tente recuperar os dados com programas desconhecidos e não tente gravar nada a mais no HD (sobreposição). O ideal é levar até uma empresa especializada em reparos", adverte o professor.

A maioria dos drives externos conectam-se ao computador via cabo USB. Eles variam de tamanho, entre dois e oito teras. E os preços circulam entre R$300 e R$800.

Dicas para um backup de sucesso

- Coloque tags e descrições em suas fotos. Assim você pode encontrá-las mais facilmente na "nuvem".

- Selecione as suas imagens favoritas e separe-as em uma pasta específica. Você pode salvá-la diretamente no seu computador, por exemplo.

- Comece a se organizar hoje. Sim, atualmente tirar enormes quantidades de fotos é normal. É comum ter mais de seis mil fotos em um smartphone, por exemplo. Mas não fique com medo e encare o desafio de organizá-las e salvá-las, por maior que seja a quantidade. Vale a pena.

- Teste o seu backup periodicamente.

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