POLÍTICA
24/01/2018 11:21 -02 | Atualizado 24/01/2018 12:32 -02

Vigília de apoiadores de Lula reúne pessoas de todo o Brasil

"Deste lado, somos miseráveis sem farda. Do outro, miseráveis fardados. A nossa guerra não é entre nós."

JEFFERSON BERNARDES via Getty Images
Pessoas de todo o Brasil se mantêm coladas ao gradil que delimita a área bloqueada, entoando cantos e gritos de guerra, na defesa do ex-presidente.

Milhares de pessoas se concentram desde cedo em frente ao bloqueio no entorno do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), perto do acampamento no Anfiteatro Pôr do Sol, em Porto Alegre. Pessoas de todo o Brasil se mantêm coladas ao gradil que delimita a área bloqueada, entoando cantos e gritos de guerra, na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-presidente é julgado em segunda instância desde às 8h30 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Lula foi condenado em primeira instância a 9,5 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, mas recorreu da decisão.

Militante pela reforma urbana, João Ricardo Oliveira veio do Rio de Janeiro para prestar sua solidariedade ao ex-presidente. Estava indignado. "O lado da Justiça é o do opressor. Estão vendendo o nosso Brasil", afirma.

Olhando para os policiais militares que faziam um cordão de isolamento, Oliveira define: "Deste lado, somos miseráveis sem farda. Do outro, miseráveis fardados. Eles não são nossos inimigos, estão apenas cumprindo ordens superiores. A nossa guerra não é entre nós", adverte. O clima de paz entre manifestantes e policiais é estimulado por quem fala no microfone.

Isabella Sander/HuffPost Brasil
A segurança em torno do TRF-4 foi reforçada para o julgamento do ex-presidente Lula.

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, Nelson de Souza, afirma que saiu do Paraná e iria até o fim do mundo para defender a democracia. "Ele deveria ter o mesmo direito de Aécio Neves e Michel Temer de serem ouvidos e se defender", observa. Para o metalúrgico, Lula deveria ser inocentado, mas a tendência é que "o Judiciário o condene sem provas".

Rosangela Máximo veio de Florianópolis acompanhar o julgamento. Se emociona ao falar do que considera uma injustiça contra o ex-presidente. "Imagino o Lula passando por isso, sendo condenado por provas. As pessoas não têm noção do que é passar por isso. Eu tenho, pois meu filhou passou pelo mesmo", explica. A manifestante afirma não acreditar mais na "passividade do povo brasileiro", e que ela está cansada disso.