POLÍTICA
24/01/2018 17:07 -02 | Atualizado 24/01/2018 17:07 -02

Maioria do TRF-4 mantém Lula condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

'As violações à impessoalidade e moralidade foram gravíssimas'

Ricardo Moraes / Reuters
Manifestantes defendem condenação de Lula em segunda instância.

O desembargador Leandro Paulsen, revisor do recurso, concordou na íntegra com o voto do relator, João Pedro Gebran Neto, imputando a Lula pena de 12 anos e um ano de prisão e 280 dias de multa. Destacou que a posse do cargo de presidente não coloca o eleito acima do bem e do mal. Por ora, são 2 votos a 0, mas ainda falta o voto do desembargador Victor Luiz dos Santos.

Paulsen pontuou que acusar um presidente ou ex-presidente exige "enorme responsabilidade e extrema convicção por parte do Ministério Público (MP)". O magistrado concordou com o relator na rejeição das preliminares apresentadas pela defesa. Manteve, por outro lado, a absolvição no caso do acervo presidencial e negou recurso do MP.

O revisor garante que, naquela corte, não se aceitam "condenações com base apenas em depoimentos de delatores", deixando claro que há provas do ilícitos. Defende que mesmo após a saída de Lula da presidência o petista sabia que a propina continuava sendo paga.

"As violações à impessoalidade, moralidade e eficiência foram gravíssimas", salienta. Afirma ainda que a questão do tríplex está longe de ser a única imputação, ou a mais importante, uma vez que o mais grave é a primeira parte da denúncia, na qual se coloca o presidente como garantidor do funcionamento da organização criminosa.

Paulsen nega, assim como já havia feito Gebran Neto, o pedido do MP de imputação de três crimes de corrupção a Lula, mantendo apenas um por corrupção passiva e outro por lavagem de dinheiro. O desembargador diz que só não condena o ex-presidente por outros crimes porque não tem provas suficientes.