LGBT
22/01/2018 18:44 -02 | Atualizado 22/01/2018 18:52 -02

A declaração de Gretchen sobre a compreensão da transexualidade de Thammy Miranda

"Não importa se é ele ou se é ela. É meu filho".

Reprodução/Instagram
Thammy Miranda ao lado de Gretchen em foto publicada em seu Instagram.
"É uma coisa que choca. E no começo é difícil aceitar.

Assim como Gretchen, 58 anos, muitos pais tem dificuldade de entender quando seus filhos falam abertamente sobre sua transexualidade e iniciam o processo de transição de gênero. Muitos, inclusive, agem com violência e intolerância. A cantora ícone dos anos 80 falou sobre sua experiência no palco do Altas Horas e afirmou que, para ela "não importa que sexo ele tenha".

Ela explica que, o fato de Thammy ser filha dela, colocava uma expectativa, que trazia um peso. ""Na hora que você se lembra que aquele bebê que você gerou é seu filho, não importa que sexo ele tenha. Todos esperavam que ela fosse minha sucessora, mas isso não importa. Não importa se é ele ou se é ela. É o meu filho".

Ela ainda lembrou das ofensas que Thammy Miranda sofreu durante a transição de gênero nas redes sociais -- e as que sofre até hoje. "Fazem brincadeiras ridículas com ele na internet. Não é um órgão sexual que faz um homem, ele tem que ser honesto, digno e respeitar as pessoas", disse.

Gretchen ainda revelou que esses comentários ofensivos trouxeram várias sequelas emocionais ao filho. "Quando era mulher, meu filho teve muita coragem para se assumir publicamente. Isso trouxe várias sequelas emocionais para ele: síndrome do pânico, depressão e que ele carrega até hoje".

A cantora afirmou ainda que descobriu que Thammy era homossexual quando ele tinha 15 anos."Peguei o telefone cheio de mensagens. Eu já desconfiava, mas nem ele sabia de verdade o que estava acontecendo com ela". Sobre a dificuldade de compreensão, ela disse: "Foi difícil no começo porque foi gerada uma menina, foi criada como menina... E daqui a pouco ela, que tinha um cabelo no quadril, raspou a cabeça e falou: 'Não é isso que eu sou. Eu nasci errado'".

No fim do ano passado, em entrevista a um outro programa de televisão, Thammy pediu desculpas a sua mãe por ser transexual e explicou o motivo.

"Primeiro, eu queria em nome de todos os transexuais e homossexuais... É... Pedir desculpa para você por eu ter vindo assim no mundo, porque não é uma opção nossa, é uma condição", afirmou, à época.

Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos em crimes motivados por homofobia. O número representa uma vítima a cada 19 horas. O dado está em levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que registrou o maior número de casos de morte relacionados à homofobia desde que o monitoramento anual começou a ser elaborado pela entidade, há 38 anos.

Das 445 mortes registradas em 2017, 194 eram gays, 191 eram pessoas trans, 43 eram lésbicas e cinco eram bissexuais. Em relação à maneira como eles foram mortos, 136 episódios envolveram o uso de armas de fogo, 111 foram com armas brancas, 58 foram suicídios, 32 ocorreram após espancamento e 22 foram mortos por asfixia. Há ainda registro de violências como o apedrejamento, degolamento e desfiguração do rosto.

Thammy continua: "Às vezes os pais fazem um castelo, montam uma história, montam um sonho e às vezes a gente não pode corresponder a esse sonho. Mas eu espero poder corresponder esse sonho na nossa vida", disse. E completa: "Porque eu sei o que você planejou para mim, com o meu caráter, minha índole, minha personalidade. Eu espero corresponder isso de tudo que você sonhou".