MULHERES
16/01/2018 11:50 -02 | Atualizado 16/01/2018 19:34 -02

Simone Biles revela ter sofrido abuso sexual por médico da seleção dos EUA

"Eu também sou uma das várias sobreviventes que foram abusadas sexualmente por Larry Nassar".

Phil Noble / Reuters
Simone Biles durante competição World Gymnastics Championships na Hydro arena em Glasgow, Escócia, em 2015.
Eu não tenho mais medo de contar a minha história.

Simone Biles, 20 anos, multimedalhista olímpica, não tem mais medo de contar sua história e compartilhá-la com o mundo. A atleta, que ganhou quatro medalhas de ouro e cinco no total na Olimpíada do Rio, em 2016, revelou que ela é uma das "muitas sobreviventes" que foram abusadas por Larry Nassar, ex-médico da equipe de ginástica artística dos Estados Unidos, que está preso.

"Eu também sou uma das várias sobreviventes que foram abusadas sexualmente por Larry Nassar", ela escreve. E continua: "Acredite em mim quando digo que foi muito mais difícil expressar essas palavras em voz alta do que foi agora para colocá-las no papel. Há vários motivos para eu relutar em contar minha história, mas agora eu sei que não é minha culpa", afirma Biles.

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Assim como muitas mulheres, Biles se sentiu à vontade para falar, finalmente, quando percebeu que a culpa de ter sido abusada não era sua. "Por muitas vez me questionei. Eu estava sendo muito ingênua? A culpa foi minha? Agora eu sei responder a estas perguntas. Não, não foi minha culpa. Não, eu não devo carregar uma culpa que pertence a Larry Nassar, USAG e outros", escreve.

Ela se juntou a uma lista de ginastas de alto nível que denunciaram Nassar, incluindo a seis vezes medalhista olímpica Aly Raisman, a campeã mundial de 2012 Gabby Douglas e a duas vezes medalhista olímpica McKayla Maroney. Depois de ouvir essas histórias é que Biles entendeu que a experiência de abuso não a define:

Depois de ouvir as valentes histórias de minhas amigas e outras sobreviventes, eu sei que essa experiência horrível não me define. Eu sou muito mais do que isso. Eu sou única, inteligente, talentosa, motivada e apaixonada.

E continua:

"Eu prometo que minha história será muito maior do que isso e prometo a todos vocês que eu nunca vou desistir. Eu irei competir com todo meu coração e alma toda vez que eu entrar na academia. Eu amo o que eu faço e eu não vou desistir. Não permitirei que um homem, e os outros que o capacitaram, roubem meu amor e minha alegria."

Em seu texto, a ginasta ainda classifica o comportamento de Nassar como "completamente inaceitável, nocivo e abusivo, especialmente de alguém a quem me disseram para confiar" e pede privacidade.

"Precisamos saber por que isso aconteceu há tanto tempo com muitas de nós. Precisamos garantir que algo assim nunca mais aconteça. Enquanto eu continuo a trabalhar com a dor, peço a todos que respeitem minha privacidade. Este é um processo, e um que eu preciso de mais tempo para trabalhar".

AFP Contributor via Getty Images
O ex-médico da equipe de ginástica dos Estados Unidos, Larry Nassar, com seus advogados de defesa Shannon Smith (esquerda) e Matt Newberg (direita), em 23 de junho de 2017.

Nassar, que passou mais de duas décadas como médico da equipe de ginástica dos EUA, enquanto trabalhava na Universidade Estadual de Michigan, admitiu ter abusado sexualmente das ginastas, possuir pornografia infantil, além de ter molestado as meninas que buscavam tratamento médico.

Ele foi condenado em dezembro de 2017 a 60 anos de prisão federal por possuir pornografia infantil e enfrenta acusações de mais 40 a 125 anos de prisão depois de se declarar culpado de abusar de sete meninas. Ele foi denunciado por mais de 140 mulheres.