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14/01/2018 10:46 -02 | Atualizado 14/01/2018 10:46 -02

William Waack: 'Existe racismo no Brasil, mas não sou racista'

Em artigo na Folha, ex-âncora da TV Globo defende que piada infeliz não pode representar um pensamento.

Reprodução/TV Globo
William Waack defende legado e nega ser racista em artigo na Folha.

Pouco mais de dois meses após o vazamento do vídeo de William Waack que levou à saída dele da TV Globo, o jornalista escreveu o artigo "Não sou racista, minha obra prova" na edição da Folha de S.Paulo deste domingo (14).

Na ocasião, registrada durante a campanha eleitoral dos Estados Unidos, em novembro de 2016, o âncora, sem saber que estava sendo gravado, disse: "tá buzinando por quê, seu merda do cacete? Não vou nem falar, porque eu sei quem é... é preto. É coisa de preto".

Após Diego Pereira e Robson Ramos divulgarem o vídeo, as redes sociais fervilharam com críticas à conduta de Waack pelas declarações de cunho racista, que remetem a "um lugar de negro".

No artigo da Folha, o jornalista reconhece que foi uma brincadeira "idiota", que existe racismo no Brasil e que piadas podem ser a expressão impulsiva de um histórico de preconceitos.

Entretanto, Waack frisa que "constitui um erro grave tomar um gracejo circunstanciado, ainda que infeliz, como expressão de um pensamento".

O jornalista dedica metade de seu artigo a analisar o fenômeno que o atingiu: o "radicalismo obtuso e primitivo" da internet, expresso na articulação em massa de grupos e ativistas nas redes sociais. Para ele, o linchamento que o envolveu, e envolve outros, aumenta a intolerância e restringe liberdades.

Ele lamenta que as empresas de comunicação estejam ficando reféns dessas redes, pois tal posição acaba, segundo ele, reforçando a imagem de que o problema é a mídia tradicional. Esse trecho não deixa de ser uma crítica à TV Globo, que por conta do buzz do episódio decidiu afastá-lo do comando do Jornal da Globo e depois rompeu contrato com ele.

"Não haverá gritaria organizada e oportunismo covardes capazes de mudar essa história: não sou racista. Tenho como prova a minha obra, os meus frutos", argumenta Waack. "Eles são a minha verdade e a verdade do que produzi até aqui."

Leia o artigo completo na Folha de S.Paulo