COMIDA
12/01/2018 17:33 -02 | Atualizado 12/01/2018 17:37 -02

4 comidas que um especialista em intoxicação alimentar se nega a comer

Nem os vegetais passaram na avaliação do especialista.

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Embora um suculento hambúrguer malpassado deixe nosso prato mais saboroso, o especialista diz que uma carne assim também corre o risco de estar contaminada por bactérias.

Como você pode imaginar, um profissional que diariamente lida com intoxicações alimentares que deixam as pessoas doentes (ou pior) acaba pensando sobre o tipo de produto que ingere.

Todo ano, os Estados Unidos registram cerca de 48 milhões de casos de doenças transmitidas por comida, segundo a Food and Drug Administration (FDA), a agência do governo americano que regula alimentos e remédios. Estima-se que 128.000 pessoas sejam hospitalizadas e cerca de 3.000 morram anualmente por esses males.

Bill Marler, advogado de Seattle especialista em responsabilidade por produtos e danos pessoais, que há 20 anos trabalha pela segurança dos alimentos, diz que algumas iguarias aparentemente inócuas nunca entram no seu carrinho do supermercado. Marler representou vítimas de importantes casos de intoxicação alimentar contra empresas como Chili's, Dole, Taco Bell e Wendy's, o que o levou a elaborar algumas regras muito específicas sobre a comida que ingere.

Num recente artigo publicado no blog de sua empresa, o Food Poison Journal, Marler listou alimentos que não come de jeito nenhum. Confira a lista abaixo – e os argumentos dele, baseados em evidências científicas. Depois, veja se você realmente deseja ir àquela happy hour que serve ostra a 1 dólar [comum nos EUA].

1. Vegetais pré-cortados e pré-lavados

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Food poisoning expert Bill Marler does not take a bite of any produce that's been pre-cut or pre-washed.

Pedaços de maçã embalados e as alfaces pré-lavadas podem ser muito convenientes, mas Marler fica longe deles. Quanto mais processada e manipulada for a comida, maior a chance de contaminação. Portanto, o advogado compra frutas e vegetais que não sejam lavados nem cortados. Tampouco adquire esses produtos em grandes quantidades: para diminuir o risco de bactérias, ele leva para casa artigos que duram apenas três ou quatro dias.

2. Brotos crus

Brotos de feijão, alfafa, trevo e rabanete são cada vez mais comuns nos mercados, mas Marler só os ingere se estiverem cozidos. Ele menciona surtos de infecção por E. coli e salmonela associados com esses vegetais, lembrando que o risco não vale a pena. Segundo o especialista, os brotos são especialmente perigosos porque suas sementes são propensas a contaminação por bactéria.

3. Carne vermelha malpassada

Marler chama especial atenção para o processo de cozimento. Embora um suculento hambúrguer malpassado deixe nosso prato mais saboroso, o especialista diz que uma carne assim também corre o risco de estar contaminada por bactérias, ainda mais se for moída.

"Se [a carne moída] não estiver completamente cozida a uma temperatura mínima de 71 graus, pode causar quadros de intoxicação por E. coli, salmonela e outras bactérias", afirma.

4. Mariscos crus

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Ostras podem ser afrodisíacas, mas para Mahler elas não têm nada de sexy.

"Ostras se alimentam filtrando a água do mar", explica. Se a água estiver contaminada, o molusco também estará. Em 2008, o Centro de Ciência de Interesse Público (CSPI, na sigla em inglês) apontou os peixes e mariscos como a principal causa de doenças transmitidas pelos alimentos.

Casos de intoxicação alimentar por frutos do mar estão aumentando nos EUA: um relatório de 2015 mostrou que infecções por vibriões, bactérias que geralmente se propagam a partir do consumo de ostras, cresceram 52% na última década. Vibriões provocam alguns dos quadros mais sérios de intoxicações gastrintestinais. Embora rara, uma cepa específica da bactéria – a Vibrio vulnificus – provoca a morte de uma em cada quatro pessoas infectadas.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.