MUNDO
09/01/2018 14:20 -02 | Atualizado 09/01/2018 15:37 -02

Oprah como a rival de Trump 2020: Esperança ou revanche?

Trump em 1999: "Sabe de uma coisa? Eu te digo, ela é realmente uma grande mulher. Ela é sensacional, alguém muito especial".

Lucy Nicholson / Reuters
Apesar da popularidade de uma possível candidatura, Oprah tem sido comparada a Trump por também representar a figura do "apolítico".

O debate sobre as eleições de 2020 se antecipou nos Estados Unidos depois da cerimônia do Globo de Ouro, no último domingo (7). Depois do discurso de Oprah Winfrey que marcou a cerimônia, no qual a empresária e apresentadora cunhou que estamos diante de um novo horizonte, nasceu a hashtag Oprah2020.

Então, os americanos querem Oprah presidente?

"Isso depende das pessoas... Ela com certeza faria isso."

Quem garante é Stedman Graham, companheiro de Oprah. A afirmação foi feita no dia da premiação, segundo o LA Times.

Foi essa declaração que endossou a possível candidatura da apresentadora que por 25 anos frequentou a casa dos americanos com seu próprio programa de TV.

Para alguns, como a atriz Meryl Steep, esse já é um caminho sem volta. "Ela lançou um foguete essa noite. Quero que ela concorra à Presidência. Não acho que ela tenha essa intenção, mas agora ela não tem mais escolha", disse ao Washington Post.

No Twitter, a integrante do comitê nacional do partido Democrata Khary Penebaker corroborou o tom político de Oprah: "Em um discurso de nove minutos, Oprah foi mais presidente que o atual ocupante da Casa Branca foi em um ano inteiro".

Oprah tem um histórico de flerte com a política e o partido Democrata. Em 2008, fez campanha para o então candidato Barack Obama e em 2016 também se posicionou favoravelmente ao nome de Hillary Clinton.

Amigo da apresentadora, Gayle King, âncora do programa CBS This Morning, não crava a possível candidatura, mas deixa em aberto a possibilidade de ela entrar na disputa.

"Não acho que ela esteja considerando agora. (...) Mas acho que ela está intrigada com a ideia. Também sei depois de anos assistindo o programa dela que você sempre tem o direito de mudar de ideia."

Perfeita oponente

A imprensa americana não se cansa do assunto. Na transmissão do programa The Daily Show, Trevor Noah a apresentou como a perfeita oposição ao presidente Donald Trump.

"Ela é tudo que ele não é. Ela é negra, mulher e gosta de ler."

O próprio Trump já teceu elogios a uma possível disputa com a apresentadora. Em 1999, entrevistado por Larry King, na CNN, Trump disse que amava Oprah e que ela seria sua primeira opção para compor uma chapa.

"Sabe de uma coisa? Eu te digo, ela é realmente uma grande mulher. Ela é sensacional, alguém muito especial", disse Trump. "Se ela fizer isso [concorrer], ela se sairá muito bem. Ela é popular, ela é brilhante. Uma mulher maravilhosa. Se algum dia ela fizer isso. Eu não sei se ela faria. Ela tem que saber..."

Ele ainda chegou a se comparar com ela. "Ela é um pouco como eu. Tenho um monte de projetos caminhando, ela também..."

Ao ouvir o discurso de Oprah, a filha mais velha de Trump, Ivanka, também enalteceu a apresentadora.

(Acabo de ver o discurso empoderador e inspirador da Oprah no Golden Globes. Vamos todos nos juntar, homens e mulheres, e dizer esse tempo acabou.)

Revanche?

Nem todos endossam a ideia, entretanto. Bill Galston, da Brookings Institution, e conselheiro do ex-presidente Bill Clinton, ressalta que a ideia de que qualquer celebridade pode ser presidente é o legado dos tempos ilegítimos. "O desprezo pela arte da política dominou um lado do corredor político; se ele se apoderar do outro, Deus nos salve", disse ao The Guardian.

Repórter do HuffPost US, Ashley Feinberg acrescenta que a relação entre Trump e Oprah com seus fãs não é muito diferente. Oprah, entretanto, é uma alternativa mais humana, mas o que a torna atrativa é justamente o mesmo que Trump: ser apolítico.

"O sonho é que a Oprah é um espécime que criará consenso onde quer que ela ande. Mas a realidade é que ela é tão universalmente amada agora em grande parte porque ela é apolítica (apesar de seus flertes com a política). Sua carreira foi construída não em administração ou governança, mas na apresentação de uma figura carismática a quem as pessoas podem recorrer a uma vaga ideia de salvação. Esses são os piores elementos do fenômeno de Obama, com os melhores elementos - os talentos políticos reais - retirados."

Novo horizonte

O discurso de Oprah ficou marcado pela força em evocar um novo tempo para os americanos:

"Quero que todas as garotas assistindo, aqui e agora, saibam que um novo dia está no horizonte. E que quando esse dia finalmente nascer, será por causa de muitas mulheres magníficas – muitas delas aqui neste salão. E alguns homens fenomenais, lutando duro para garantir que elas tornem-se as líderes que vão nos levar a um tempo em que ninguém mais precise dizer 'eu também'. Obrigada."

Oprah é atriz, apresentadora, produtora e CEO da própria emissora de TV. Fez história na noite de domingo ao ser a primeira mulher negra a ganhar o prêmio Cecil B. DeMille no Globo de Ouro - troféu que celebra a obra de artistas que tiveram impacto no mundo do entretenimento.

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