ENTRETENIMENTO

8 lições que fazem 'O Ano em Que Disse Sim', de Shonda Rhimes, o melhor livro de autoajuda que você respeita

Shonda rainha. O resto, nadinha. 😎

31/12/2017 15:34 -02 | Atualizado 05/01/2018 10:51 -02

AFP/Getty Images
Shonda Rhimes, roteirista e produtora de séries como Grey's Anatomy, Scandal, How To Get Away With Murder e Private Practice.

"Você nunca diz sim para nada". Esta frase parece uma daquelas clássicas de livros de autoajuda que ficam encalhados em livrarias — ou, na mesma proporção, vendem milhões de exemplares com uma receita simplificada de como ser feliz e deixar o que está, literalmente, empacando a sua vida, para trás.

Mas não.

A frase foi dita pela irmã da aclamada roteirista de séries como Grey's Anatomy, Private Practice e Scandal, Shonda Rhimes, em um jantar de Ação de Graças. Foram estas seis palavras que fizeram ela, aos 41 anos, topar um desafio: dizer sim para tudo aquilo que a assustava — desde cuidar melhor da saúde até aceitar fazer um discurso em público.

Divulgação

O Ano em Que Disse Sim - Como Dançar, Ficar ao Sol e Ser a Sua Própria Pessoa,publicado no Brasil pela editora Best Seller, mostra uma Shonda que os aficcionados por Grey's Anatomy provavelmente não conheciam: melancólica, infeliz, ansiosa e controladora.

No livro, ela relata com muito bom humor os detalhes sobre sua vida pessoal, profissional e como mergulhar de cabeça no "Ano do Sim" transformou ambas e oferece ao leitor a motivação necessária para fazer o mesmo em sua vida.

Parece um autoajuda comum e batido, não é? Mas quatro jornalistas do HuffPost Brasil se identificaram tanto com questões que a Shonda trouxe, que aqui compartilham 8 lições que fazem desse livro o melhor autoajuda que você respeita.

1. Não se distancie das suas origens

Shanda Rhimes é uma mulher negra privilegiada e tem ciência disso.

Filha de pais acadêmicos, ela nasceu em um lar de classe média anos depois do surgimento do movimento dos direitos civis nos EUA. Durante a eclosão do movimento feminista, Shonda ainda era uma criança.

"Tudo isso significa que tenho a permissão de ser dona da minha liberdade, dos meus direitos, da minha voz e do meu útero", conta a roteirista cujo diploma foi conquistado em uma faculdade de elite.

Esses aspectos, acrescidos a uma particular obstinação, tornaram Shonda uma das mulheres mais respeitadas do showbiz americano. Tal condição poderia torná-la uma pessoa totalmente descolada da realidade. Ainda mais em Hollywood.

No entanto, ela diz que encontra em seu "bando de irmãos" o antídoto para não perder a própria essência em meio à fama global. Ainda hoje, quando algum fã pede autógrafo para Shonda, seus irmãos questionam incrédulos: "Ela? O autógrafo da Shonda? Tem certeza? Shonda?".

Isso é muito grosseiro. No entanto... penso em quantos egos inflados seriam salvos se todos tivessem cinco irmãos e irmãs mais velhos. Eles me amam. Muito. Mas não aturam qualquer porcaria de tratamento VIP dado à menina de óculos fundo de garrafa que anos atrás vomitou uma sopa de letrinhas na varanda e depois escorregou e caiu de cara no vômito.

Eis uma grande lição: tente não se distanciar da sua família. Ou da família que você escolheu para si. São essas pessoas que te amam incondicionalmente, para além do sucesso que você faz nas redes sociais ou do carga invejável que talvez ocupe na empresa onde trabalha.

Manter o pé no chão é sempre uma boa forma de lidar com o sucesso.

E também com o(s) fracasso(s).

2. Nunca deixe de acreditar no seu potencial

Em O Ano em Que Disse Sim, Shonda conta que a criação de Grey's Anatomy partiu da ideia de tornar o "mundo da televisão" parecido com o mundo real.

Na série, há pessoas de todas as cores, gêneros, passados e orientações sexuais. "Escrevi todos eles como se fossem... pessoas". Na época, os executivos das emissoras americanas diziam que esse tipo de trabalho não podia ser feito na TV.

O sucesso da atração, que está em seu 14º ano, provou que eles estavam errados.

Pessoas negras levam vidas tridimensionais, têm histórias de amor e não são coadjuvantes engraçadas, clichês ou criminosas. Mulheres heroínas, vilãs, valentonas, são os cachorros grandes. Isso - ouvi diversas vezes - era pioneiro e corajoso.

Acredite nas suas ideias - ainda que as circunstâncias indiquem o contrário.​​​​​​

3. É preciso fazer, levantar e ir à luta

O que te impede de brilhar? Pela vivência de Shonda, vemos que é mais que comum ficar na zona de conforto sonhando. 'Eu queria ser isso, eu queria fazer aquilo...' Mas nada de fazer, afinal, ficar deitado no sofá funciona, é um prazer imediato.

Acho que muita gente sonha. E, enquanto estão ocupadas sonhando, as pessoas felizes de verdade, as pessoas bem-sucedidas de verdade, as pessoas realmente interessantes, poderosas, engajadas estão ocupadas, fazendo.

E ela insiste: "sonhos não se realizam apenas porque você os sonha. É o trabalho árduo que faz as coisas acontecerem".

4. Você não vai conseguir fazer tudo. E tudo bem

Tudo parece tão bom no Pinterest, no Instagram, no Facebook... Mas se até a Shonda Rhimes admite que é impossível dar conta de tudo, por que ainda insistimos que vamos conseguir? Ou pior, porque sofrer quando não damos conta?

"Shonda, como você faz tudo isso?

A resposta é: não faço.

(...)

Se eu estou fazendo sucesso em uma [área da vida], inevitavelmente fracasso em outra."

Ou seja:

Qualquer um que diga que está fazendo tudo perfeitamente é um mentiroso.

"Ninguém pode fazer tudo." E fica a dica: se precisa de ajuda, peça - especialmente se você é mãe.

5. Diga 'sim' ao seu corpo

"A feminista dentro de mim não queria ter a discussão consigo mesma", escreve Shonda. "Eu me ressentia da necessidade de conversar sobre peso. Sentia como se estivesse me julgando em relação à aparência. Parecia fútil. Parecia misógino. Parecia... traição, o fato de eu me importar."

Muitas vezes, durante a leitura, as palavras de Shonda soam como uma espécie de conforto. "Nossa, eu sinto a mesma coisa" são pensamentos que você pode ter ao ler o livro (e, sim, isso acontecerá muitas vezes, especialmente se você é uma mulher). Mas o fato é que, assim como muitas mulheres, ela não se sentia feliz e confortável no próprio corpo. E não era só sobre emagrecer ou engordar.

Era se permitir gostar do próprio corpo, gordo ou magro. E, principalmente, sair da zona de conforto. "Eu estava ocupada demais me protegendo do que estava acontecendo na vida", ela escreve. Para ela, dizer "não" para o que a vida poderia proporcionar de diferente e "sim" para o se sentir mal (só que deitada em um sofá rodeada de junkie food e assistindo a séries de TV -- parece um sonho, não?) era a regra.

Ela escreve que "dizer 'não' foi minha própria forma silenciosa de suicídio (...), um meio silencioso de desistir". O antídoto para a Shonda "sombria e complicada" ela encontra ao dizer "sim" à tudo aquilo em que ela estava dizendo "não". Olhar com amor para si mesma é uma delas.

A crueldade com que eu me tratava não é mais tolerada. A porta da despensa está aberta. Estou entre os vivos. Subindo outra montanha. Procurando outra vista. Pendurando pintura após pintura nas paredes ali dentro.

6. Honre as mulheres à sua volta

Porque, provavelmente, assim como Shonda Rhimes, elas poderão te dar respostas para as questões que você está vivendo no momento (ou está deixando de viver. Pois é). Por exemplo, a grande inspiração de Shonda é ninguém menos que a escritora Toni Morrison.

Mas...

"Isso [se tornar Shonda Rhimes] nunca teria acontecido se eu não tivesse parado de sonhar em me tornar Toni Morrison e tivesse me ocupado em me tornar eu mesma", ela escreve.

Não que Toni Morrison seja menor. Muito pelo contrário. Mas é sobre conseguir fazer coisas que você achou que nunca conseguiria fazer. Como, por exemplo, ser tão genial quanto Toni Morrison (que, inclusive, já trilhou um caminho para que outras mulheres pudessem fazer isso).

E parece que Shonda foi lá e fez, não é mesmo? Hoje ela é uma das roteiristas mais famosas de Hollywood e ainda assinou recentemente um contrato com a Netflix. Além disso, ela odeia a ideia de casamento (e está bem com isso), tem três filhas adotivas, escreveu um livro e... bom, é a Shonda Rhimes.

Atravessar a barreira para o outro lado foi simplesmente uma questão de correr por uma trilha criada pelas pegadas de todas as outras mulheres. Eu simplesmente estava na hora exata, no ponto exato.

E ela dá a própria lição para outras mulheres:

"Não peça desculpas. Não explique. Jamais se sinta inferior. Quando você sente a necessidade de pedir desculpas ou explicar quem é, significa que a voz em sua cabeça está contando a história errada. Comece do zero. E reescreva."

7. Não. Não existe adiantar trabalho!

Em certo ponto do livro, Shonda questiona "que tipo de pessoa se sente mais confortável trabalhando do que relaxando?" e admite que costumava fazer o que chama de "adiantar o trabalho".

Sou culpada por trabalhar direto em muitos fins de semana para 'me adiantar'. Não existe isso. O trabalho sempre estará lá no dia seguinte.

As duas coisas estão intimamente ligadas e, em alguma medida, muitas vezes o trabalho se torna um tipo de vício e, as horas vagas, um momento de culpa ou quando simplesmente vêm à cabeça a pergunta do que fazer.

Nos tornamos tão acostumados a não termos tempo para ficar com quem gostamos, ler um livro, fazer uma viagem ou ficamos à toa que quando essa oportunidade surge não sabemos desfrutá-la.

Este texto diz que "a autodisciplina em si pode ser produto da ansiedade de alguém que não sabe lidar com o desconforto de deixar as coisas incompletas. Dessa forma, é muito mais uma condenação do propriamente que uma escolha."

É como se passássemos a vida dando check em uma lista de afazeres. O ponto é que a lista não termina nunca e para continuar vivendo é preciso apenas ignorá-la de vez em quando. E abrir espaço para o que não está nela.

8. Todos precisamos de mais amor

Um trecho do livro que merece ser destacado é quando Shonda fala sobre dizer sim todas as vezes em que suas filhas queriam brincar. Isso acontece quando ela percebe que isso não tomava mais de 15 minutos do dia, porque eventualmente as meninas se cansavam e iam fazer outra coisa, longe da mãe.

Já o efeito para ela era de se sentir energizada:

Com aquela alegria morna dentro de mim. Sentindo-me fundamentalmente transformada. Como se soubesse um segredo que muito poucos podem descobrir. Mas, na verdade, era apenas amor. Isso não é segredo. É apenas algo que esquecemos. Todos precisamos de um pouco mais de amor. Muito mais amor.

São essas horinhas de afeto e de troca com as pessoas que nos amam que nos dão ânimo para todas as tarefas que demandam nossa energia, seja no trabalho, na fila do banco ou em um engarrafamento.

Tudo se torna um ciclo. Ela escreve:

Quanto mais eu brinco, mais feliz eu fico no trabalho. Quanto mais feliz estou no trabalho, mais relaxada eu me torno. Quanto mais relaxada eu me torno, mais feliz fico em casa. E fico melhor nas brincadeiras com as crianças". E para deixar claro. "Realmente, é apenas amor. Todos precisamos de um pouco mais de amor. De muito mais amor.

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