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18/12/2017 11:11 -02 | Atualizado 18/12/2017 17:42 -02

Vizinhos se reúnem para celebrar a noite de Natal, em São Luís

Conteúdo patrocinado por Natura.

Arquivo de família / Anderson Corrêa

Que o Natal é época de celebrar com a família, todo mundo já sabe. Mas em São Luís, no Maranhão, o conceito de família se estende também aos vizinhos. Afinal, muitas vezes são eles que dão o apoio quando mais se precisa, substituindo os familiares que moram longe. E para celebrar essa amizade cotidiana, nada melhor do que reuni-los numa ceia especial de Natal.

No bairro da Liberdade, na região central da capital maranhense, a festa já ocorre há alguns anos. "Isso já é uma tradição no bairro. Em muitas ruas, as pessoas se reúnem e fazem uma grande comemoração. Quando não, uma família prepara a ceia e convida os vizinhos mais próximos para participar desse momento", explica a empresária Cleiciane Ferreira, de 29 anos.

Segundo ela, essa interação entre os vizinhos não ocorre apenas no Natal, mas também durante a Copa de Futebol e no São João, quando todos se juntam para confeccionar as bandeirinhas coloridas que vão enfeitar a rua. Contudo, é nas festividades de fim de ano em que há uma maior aproximação entre eles. "Acho que o espírito natalino contagia todo mundo e espanta qualquer desavença que possa ter ocorrido entre a gente", comenta a empresária.

Durante os preparativos, a distribuição do cardápio é feito sempre da mesma maneira. As mulheres ficam encarregadas de preparar os pratos, enquanto os homens se responsabilizam das bebidas. E haja comida para servir todos, especialmente as delícias da gastronomia maranhense. "Além do tradicional peru, não podem faltar o arroz de cuxá, o vatapá e, claro, um camarãozinho frito para o tira-gosto", enumera a professora Kelma Simas, 36 anos.

E quando as doze badaladas e os fogos de artifícios anunciam a chegada do dia 25, os abraços começam a ser colecionados. Depois de cumprimentar e desejar votos de felicidades entre os familiares e amigos mais próximos, todos começam a caminhar pela rua saudando os vizinhos mais distantes, que por um motivo o outro, não ceiam juntos.

"Esse momento é maravilhoso, especialmente para mim, que não sou de São Luís e deixei a maior parte dos meus parentes em outro estado. É confortante saber que somos bem recebidos pelos vizinhos, pelos colegas de trabalho. A gente se sente mais acolhido e deixa um pouco adormecida a saudade dos irmãos, dos primos que estão distantes", diz Tereza Rodrigues, natural de Teresina, no Piauí.

Amigo Invisível e amigo da onça divertem a noite natalina

Antes da meia-noite, a diversão fica por conta do "Amigo invisível", como é chamado o amigo secreto em São Luís, e o "Amigo da onça", as tradicionais trocas de presentes que envolvem crianças e adultos. Na primeira brincadeira, é estipulado um valor mínimo para os presentes para que ninguém saia prejudicado. Às vezes, se faz uma lista com sugestões de presentes para que ninguém erre na escolha.

"Como a gente já se conhece um pouco, conseguimos escolher um presente que combine com o amigo que nós sorteamos. Às vezes também temos de pedir informações para os familiares para acertar no presente", afirma a dona de casa Samya dos Anjos, de 29 anos. Segundo ela, nem sempre dá para acertar o gosto do amigo, porém o mais importante é a confraternização entre todos.

Já a segunda troca de presentes, o Amigo da onça, não passa de uma anedota. Cada um dos participantes pode trazer de casa um presente nada convencional. Uma escova de dente, um rolo de papel higiênico, prendedores de roupa, uma imã de geladeira da distribuidora de gás, são alguns exemplos comuns do que aparece. Nesse caso, não é necessário tirar com antecedência o nome de um amigo; pode-se fazer o sorteio na hora da festa.

"É tudo feito de forma bem improvisada. Mas no fim é diversão garantida, principalmente entre as crianças. Apesar de não ser somente elas que esperam ansiosas por esse momento, são as crianças que mais se divertem ao desenrolar os presentes e descobrir o que ganhou", conta Kelma Simas, sempre responsável por organizar as brincadeiras.

Mesmo tudo organizado, tem gente que prefere o Amigo invisível, como o Arthur de 11 anos. "Eu não gosto do amigo da onça, não. Só dão presente ruim. Os do amigo invisível são bem melhores. Já ganhei bonecos, carro de controle remoto e um skate", recorda o garoto.