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12/12/2017 11:56 -02 | Atualizado 12/12/2017 12:07 -02

Igreja Universal é investigada por Ministério Público de Portugal após denúncia de tráfico internacional de crianças

Série de reportagens de emissora portuguesa denunciou esquema comandado pela IURD. A igreja nega e diz que irá processar responsáveis.

Reprodução/Facebook
Igreja Universal nega denúncias de tráfico de crianças e diz que irá processar responsáveis por reportagens.

O Ministério Público de Portugal vai investigar uma rede de tráfico internacional de crianças liderada pela Igreja Universal do Reino de Deus e a família do bispo Edir Macedo.

As investigações acontecem após uma série de reportagens do canal TVI, líder de audiência no país, denunciar que mães tiveram os seus filhos sequestrados por membros da igreja em abrigos ilegais mantidos pela instituição nos anos 90.

Quem comanda as investigações, abertas na última semana, é o Diap (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa. De acordo com a Folha de S. Paulo, a Igreja Universal nega as acusações e classificou as reportagens como "campanhas difamatórias".

A instituição religiosa abriu a primeira igreja em 1989 no país. De lá para cá, se espalhou rapidamente impulsionada pela quantidade de brasileiros residentes em Portugal. Hoje, eles já possuem pelo menos 120 igrejas.

A série da TVI intitulada O Segredo dos Deuses: Os três irmãos roubados à mãe para um lar da IURD foi ao ar na última segunda-feira (11). A reportagem conta a história de Maria*, mãe de três filhos que foram sequestrados.

Maria* trabalhava e precisava deixar os filhos pequenos em casa sozinhos. Ela pediu ajuda ao Estado, que retirou a guarda de seus filhos e os enviou para um lar de assistência social. De acordo com a legislação, ela poderia visitar as crianças todos os finais de semana e trazê-los de volta ao lar assim que se estabilizasse. Porém, Maria* só viu os três filhos uma única vez naquele ano. Depois, perdeu o conhecimento para onde as crianças foram levadas.

De acordo com o jornal, a Igreja Universal mantinha centros de assistência à crianças pobres de forma irregular na década de 1990. O "Lar Universal" era uma mistura de orfanato e casa de assistência social. Aberta em 1994, a casa só foi oficializada em 2001 e acabou fechando em 2011, devido a crise financeira.

A reportagem da TVI apurou que nestes lares ocorria a adoção ilegal de crianças, sem qualquer acompanhamento formal da justiça. As crianças eram "adotadas" por pessoas de outros países ou por próprios membros da igreja, como bispos e pastores.

A série da TVI se baseia em mais de 10 mil documentos, em uma apuração que já dura 7 meses, afirma a emissora. Novos episódios sobre o caso devem vir ao ar ainda nesta terça-feira (12).

Em nota, a Igreja Universal afirmou que irá processar a emissora portuguesa e acusa o ex-pastor Alfredo Paulo Filho, uma das fontes entrevistadas pela reportagem, como o "líder das denúncias".

"O referido cidadão deixou de colaborar com a Universal no final do ano de 2013, por acordo voluntário das partes. A sua saída foi motivada pelas suas condutas impróprias, que tornaram insustentável a sua permanência na Igreja Universal do Reino de Deus, não havendo quaisquer condições para que ele prosseguisse com a sua missão espiritual. Ressalvamos que os bispos e pastores têm de manter um comportamento moral irrepreensível, o que não foi o caso de Alfredo Paulo Filho, que assumiu, ele próprio, ter falhado em seus compromissos, nomeadamente com a sua família, com os fiéis e com a Igreja. As crianças foram encaminhadas pela Segurança Social e pela Santa Casa de Misericórdia de Lisboa para um Lar –que evidentemente à época não era ilegal–, e vários pais adotivos se candidataram a adotá-las. Contam-se pelos dedos de uma mão as crianças que foram adotadas por essa via –com decisão judicial, sublinhe-se– por casais ligados à Universal".

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