POLÍTICA
09/12/2017 08:00 -02

Convenção do PSDB oficializa Geraldo Alckmin na presidência do partido

"O PSDB não vai fazer oposição ao governo, vai ficar independente e apoiar as reformas"

Paulo Whitaker / Reuters
Oficialização de Geraldo Alckmin sinaliza distanciamento da imagem do governo de Michel Temer.

"Página virada."

O pedido de demissão do deputado Antônio Imbassahy do cargo de ministro da Secretaria de Governo na véspera da convenção do PSDB que oficializará o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, presidente da legenda, inicia a ofensiva dos tucanos para criar um legado a ser exibido na campanha de 2018.

Disposto a entrar na corrida presidencial, Alckmin usará a convenção do partido, que ocorre neste sábado (9), para reposicionar a legenda, desgastada por causa das rusgas com o governo e da relação com os investigados na Operação Lava Jato, como o ex-presidente do partido Aécio Neves.

De acordo com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que ficou interinamente na presidência do partido quando Aécio se afastou, o PSDB oficializará a saída do partido da base do governo, mas não vai migrar para a oposição.

"O PSDB não vai fazer oposição ao governo, vai ficar independente e apoiar as reformas", afirma.

Segundo o senador, o partido deve manter a afinidade com projetos que fazem parte do seu DNA.

Somos, sim, a favor de aprovar as reformas independente de cargos e verba.

As críticas de integrantes do próprio partido e de dissidentes, como a economista Elena Landau, sobre falta de ética e postura fisiológica apertou o discurso dos tucanos contra o escambo de cargos por votos.

Líder do partido na Câmara, o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) reforma que a convenção não servirá para discutir apoio ou cargos. "Sempre estivemos afastados dessa questão", disse.

Ainda assim, o futuro do ministro das Relações Exteriores, o tucano Aloysio Nunes, é incerto. Ele quer ficar no ministério, mas caberá ao presidente do partido decidirá se com a saída da legenda da base, o ministro também deverá deixar o cargo.

Presidência do PSDB

A oficialização de Alckmin no comando do partido tem como objetivo principal se distanciar da imagem de um governo desaprovado pela maioria esmagadora da população.

Para Jereissati, é preciso mudar a política de maneira geral. "A população está reprovando tudo que está aí e nós temos que mudar", argumenta.

Uma mudança drástica, entretanto, não é a pauta principal. O distanciamento é tem caráter eleitoral. De acordo com a Folha de S.Paulo, Alckmin usará a convenção para fazer um contraponto ao ex-presidente Lula.

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