MUNDO

Unesco declara a pizza napolitana como patrimônio da humanidade

É a primeira vez na história que a arte de fazer um alimento vira um patrimônio mundial.

07/12/2017 16:19 -02 | Atualizado 07/12/2017 16:24 -02
LightRocket via Getty Images
É a primeira vez na história que a arte de fazer um alimento vira um patrimônio mundial.

A "Arte dos Pizzaiolos Napolitanos" foi escolhida nesta quinta-feira (7) como novo Patrimônio Imaterial da Humanidade pelo Comitê da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A decisão foi anunciada por ministros italianos e confirmada pela entidade mundial. Com isso, é a primeira vez na história que a arte de fazer um alimento vira um patrimônio mundial.

"Vitória! A identidade gastronômica italiana é cada vez mais protegida no mundo", disse o ministro para as Políticas Agrícolas, Maurizio Martina, através das redes sociais. Ele ainda lembrou que a campanha italiana durou oito anos e que foi aprovada unanimamente pelos membros da ONU.

Segundo a nota divulgada pela Unesco, a arte dos napolitanos "é uma prática culinária que consiste em quatro diferentes fases, desde a preparação da massa até o cozimento em forno".

"A prática é originária de Nápoles, onde cerca de 3000 pizzaiolos agora vivem e trabalham, e desempenha um papel-chave na promoção de encontros sociais e intercâmbio entre gerações. O conhecimento e as habilidades relacionadas a esses elementos são transmitidas na 'botteg' do pizzaiolo, onde jovens aprendizes podem observar sua maestria no trabalho", escreveu o comitê.

"O Made in Italy obtém um outro grande sucesso. É a primeira vez que a Unesco reconhece como patrimônio da humanidade um serviço ligado a uma das mais importantes produções alimentares, confirmando esta como uma das maiores expressões culturais de nosso país", disse Martina em um pronunciamento.

Segundo o representante do governo, essa é uma "ótima notícia" para iniciar 2018 como o "ano da comida" na Itália.

Toda a ação para a campanha de reconhecimento começou em 2009, quando o Ministério para as Políticas Agrícolas começou a redigir o dossiê da candidatura com o apoio da Associação dos Pizzaiolos e da Região da Campânia. Eles superaram os obstáculos que muitos viam no pedido, a de que a arte de produzir as pizzas era apenas um fenômeno comercial e não uma das maiores expressões de identidade da cultura do sul do país.

Tanto o dossiê como a delegação da campanha foram coordenadas pelo professor Pier Luigi Petrillo. Ao fim do anúncio, a embaixadora italiana na Unesco, Vincenza Lomonaco, agradeceu a todos os Estados-membros que votaram a favor da Itália, destacando a centralidade do país em promover as tradições agroalimentares no contexto da Unesco.

Logo após o anúncio, um longo aplauso foi ouvido na sala das delegações e muitos representantes internacionais abraçaram o "time" italiano durante a longa noite de espera.

Já a Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti) lembrou também da campanha mundial de recolhimento de assinaturas em apoio à candidatura da "Arte dos Pizzaiolos".

Segundo a entidade, foram recolhidas mais de dois milhões de assinaturas em 100 países diferentes.

A Itália é o país do mundo com mais sítios reconhecidos como Patrimônios da Humanidade, com mais de 50 "premiações".

- Outras premiações: Além da "Arte dos Pizzaiolos Italianos", outras 11 práticas foram incluídas na lista de Patrimônios Imateriais da Humanidade da Unesco.

"Jogos tradicionais Assyk", do Cazaquistão;

"Artesanato de figuras de argila de Estremoz, de Portugal;

"Fabricação Artesanal de órgãos e música", da Alemanha;

"Rebetiko, música urbana", da Grécia;

Festival "Kumbh Mela", da Índia;

"Pinisi - a arte de construção dos barcos em Sulawesi", na Indonésia;

Jogo de equitação acompanhado por música e narração de histórias "Chogan", do Irã;

Arte de Confeccionar e tocar o instrumento de cordas "Kamantech/Kamancha", do Irã e Azerbaijão;

Gaita-de-foles "Uilleann piping", da Irlanda;

"Kok Boru", jogo de equitação tradicional do Quirguistão;

"Nsima", tradição culinária do Malauí.

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