MULHERES

Mulheres que denunciaram assédio em Hollywood são eleitas personalidades de 2017 pela 'Time'

Elas deram início ao movimento #EuTambém e escancararam o machismo na sociedade americana. Agora são eleitas "Pesonalidade do Ano".

06/12/2017 12:42 -02 | Atualizado 06/12/2017 12:45 -02
Divulgação/Time
Elas deram início ao movimento #EuTambém.

A revista Time elegeu como personalidade do ano de 2017 as "silence brakers" (quebradoras de silêncio, em tradução literal). A revista americana trouxe uma capa potente e homenageou o grupo de mulheres que denunciou o machismo não só em Hollywood, mas também em toda a sociedade americana.

De acordo com a publicação, o movimento #MeToo (#EuTambém) "desencadeou a reflexão nacional sobre a prevalência do assédio sexual" no país.

A imagem da capa acompanha as denúncias ecoadas pela atriz Ashley Judd, a cantora Taylor Swift e a ex-engenheira da Uber, Susan Fowler, que se manifestaram contra várias formas de assédio que elas sofreram.

A capa também destaca a situação da violência de gênero contra as mulheres comuns, que não têm uma audiência tão grande quanto as artistas, ao trazer a história de Isabel Pascual, mexicana que trabalha selecionando morangos e Adama Iwu, de Sacramento.

"As atitudes corajosas das mulheres em nossa capa, junto com as de centenas de outras mulheres, e de muitos homens também, desencadearam uma das mudanças de maior velocidade em nossa cultura desde a década de 1960", afirmou o editor da revista Edward Felsenthal, em um comunicado.

O movimento ganhou força após o The New York Times publicar uma reportagem em que várias mulheres acusaram publicamente Harvey Weinstein de assédio e assédio sexual.

O que se seguiu foi uma maré de mulheres e homens falando abertamente que se sentiam incapazes de publicar suas próprias acusações contra homens poderosos em uma variedade de indústrias por meio da hashtag do movimento. Isso levou à queda de altos executivos, jornalistas, atores, produtores e políticos americanos.

A lista da Time de homenageados inclui grandes nomes como Rose McGowan e Terry Crews, ao lado de outras mulheres desconhecidas.

"Comecei a falar sobre Harvey [Weinstein] no momento em que aconteceu", disse Judd em uma entrevista à revista. "Literalmente, eu saí do quarto do hotel no Peninsula Hotel em 1997 e desci novamente no lobby, onde meu pai estava me esperando porque ele estava em Los Angeles me visitando no set. E ele podia dizer pelo meu rosto - para usar suas palavras - que algo devastador aconteceu comigo. Eu disse a ele. Eu disse a todos ".

Tarana Burke, a idealizadora da campanha #MeToo, compartilhou a emoção da homenagem em um tweet.

A lista da revista, anunciada na segunda-feira (4), ainda incluiu o presidente Donald Trump, o líder norte-coreano Kim Jong Un, o conselheiro especial e o ex-diretor do FBI, Robert Mueller, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e o ex-jogador de futebol americano Colin Kaepernick.

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