POLÍTICA

Marina Silva confirma que será candidata à Presidência e critica 'salvadores da Pátria'

“Em momentos de crise, é muito fácil projetar a figura de um pai protetor. Isso não fortalece nossa democracia. Nos infantiliza politicamente”, diz ex-senadora.

02/12/2017 16:10 -02 | Atualizado 02/12/2017 16:47 -02
Stringer . / Reuters
Ex-senadora Marina Silva anuncia que irá ser candidata à Presidência da República pela Rede.

A ex-senadora Marina Silva oficializou neste sábado (2) que será candidata à Presidência da República pela Rede, partido que fundou em 2015. Nas últimas duas eleições, a ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula ficou em terceiro lugar.

A presidenciável "uma das piores crises que a gente pode imaginar" no Brasil nas áreas política, ética e econômica para justificar sua escolha. "Toda essa situação que o Brasil está vivendo exige de nós compromisso e senso de responsabilidade", afirmou. "Compromisso e senso de responsabilidade, sem querer ser a dona da verdade, me convoca" completou.

"Pela primeira vez, meus quatro filhos, que sempre tiveram certo cuidado em 2010 e 2014, agora disseram 'mamãe, na crise que está não tem alternativa. Você tem que estar presente no processo, mesmo nós sabendo das dificuldades", disse Marina.

Em referência ao governo de Michel Temer, a pré-candidata afirmou que um governo com 3% de aprovação não tem como conduzir reformas importantes e que tais reformas "não são estas, nem da forma como estão sendo feitas". Ela também fez duras críticas à estrutura partidária brasileira.

Sem citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), dois possíveis concorrentes, Marina criticou políticos paternalistas e disse que "só tiranos oferecem destino." De acordo com ela, "não é o momento de salvadores da Pátria".

Em momentos de crise, é muito fácil projetar a figura de um pai protetor. Isso não fortalece nossa democracia. Não fortalece nossas instituições. Isso nos infantiliza politicamente. Nos infantiliza institucionalmente.

A ex-senadora criticou também a polarização no País, ressaltou a crise de legitimidade na política e disse a "operação lava votos" será feita pelo eleitor. "Minha motivação não é o poder pelo poder. É um serviço", afirmou.

Marina lembrou que a Rede terá apenas 12 segundos de tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e 0,05% do fundo eleitoral, mas afirmou que o partido se fortalece nas dificuldades. "Uma campanha ralada dói bem menos do que um país partido", completou.

"Sou uma mulher de fé. Respeito os que não tem fé. Respeito a diversidade religiosa, a cultura. Essa é a minha tradição em mais de 33 anos de vida pública, mas aprendi com a minha fé, que quando sou fraco, sou forte."

Marina destacou ainda sua trajetória pessoa. Contou que o pai, de 92 anos está internado e que ele criou os oito filhos após a esposa morrer por um aneurisma, aos 36 anos.

A gente pode suscitar força na fraqueza. Queria ver as pessoas se sentirem fracas enfrentando cinco malárias, três hepatites, uma leishmaniose e uma contaminação por metais pesados. Perdendo a mãe aos 14 anos. Ajudando a criar sete irmãos. Indo para cidade para fazer o supletivo de segundo grau levando as roupinhas num saco de açúcar que a minha avó tinha alvejado e está aqui agora falando com o Brasil. Se isso é fraqueza, vamos discutir o que é fraqueza.

Pressão da Rede

O anúncio foi feito na na reunião chamada Elo Nacional da Rede, em Brasília, com representantes do partido nos Estado, que pressionaram para que o anúncio fosse feito logo. Marina havia dito que só se posicionaria sobre uma candidatura "depois do carnaval". Neste sábado, representantes da sigla nas ​​​​​​27 unidades da Federação decidiram, por unanimidade, apoiar a pré-candidata.

Na reunião, foi lida uma carta repleta de críticas ao governo de Michel Temer, incluindo as reformas econômicas. "Não aceitamos mais como regra da ação política o conluio que coloca o patrimônio de toda a sociedade a serviço de interesses individuais ou de grupos", diz o documento. O texto critica os "assaltos aos cofres públicos" daqueles que, "com impressionante cinismo, falam hoje em 'reformas imprescindíveis' para 'salvar o País'".

Antes da definição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) depois claro o apelo em sua página do Facebook. "Estamos insistindo que Marina assuma a candidatura à Presidência da República para apresentar uma alternativa àqueles que ainda acreditam na esperança", afirmou.

A partir de agora, a Rede irá montar um grupo de trabalho para discutir a formação de alianças, que pode envolver siglas como PSB, PPS e PV. O foco são partidos com "protagonismo ético, compromissos sociais e ambientais", segundo o partido. A legenda tem conversado com movimentos da sociedade civil, como o Brasil 21 e o Brasil Agora.

Em 2014, Marina alcançou 22 milhões de votos após assumir a cabeça da chapa em que era vice de Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo. Em 2010, conquistou 19 milhões de votos.

De acordo com pesquisa Datafolha publicada em 30 de setembro, a ex-senadora aparece empatada em segundo lugar com Jair Bolsonaro Ele oscila entre 16% e 17% e ela varia entre 13% e 14% nos cenários com o ex-presidente Lula na disputa, que conta com 35% das intenções de voto.

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