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29/11/2017 17:50 -02 | Atualizado 29/11/2017 17:50 -02

Por que o casamento de Meghan Markle com o príncipe Harry é histórico

A estrela da série “Suits” será a primeira norte-americana a se casar oficialmente com um membro da família real britânica.

O noivado da atriz Meghan Markle com seu namorado-troféu príncipe Harry, na segunda-feira (27), assinala uma mudança enorme nas uniões reais britânicas.

O noivado da atriz de televisão de 36 anos é muito menos incomum do que teria sido em gerações anteriores, na medida em que as tradições ficaram mais progressistas. Mesmo assim, a entrada próxima de Markle na família real não deixa de ser um fato inusitado, por diversas razões.

Chris Jackson via Getty Images
A atriz Meghan Markle e o príncipe Harry na segunda-feira, depois de anunciarem seu noivado.

Ela tem descendência africana.

Quando Markle começou a sair com Harry, em 2016, os tablóides britânicos publicaram reportagens com comentários racistas sobre a atriz, filha de pai branco e mãe negra.

Um colunista do "The Daily Mail" escreveu que, se o novo casal tiver filhos, "os Windsor vão engrossar seu sangue azul aguado e sua pele pálida e cabelos ruivos dos Spencer com um pouco de DNA exótico". O jornal descreveu a mãe de Markle como "uma senhora afro-americana de dreads que veio do lado pobre da cidade".

Outra reportagem do "Daily Mail", este sobre Los Angeles, a cidade onde Markle vive, trazia como manchete: "A namorada de Harry veio (quase) direto de Compton", uma alusão ao subúrbio de Los Angeles onde se formou o grupo de rap N.W.A. O autor da reportagem especulou se Harry visitaria "a casa da mãe [de Meghan Markle], marcada pelas gangues".

Em declaração pública rara em novembro do ano passado, o príncipe Harry condenou o "racismo subjacente" ao artigo e o "assédio e críticas destrutivas" lançados contra Markle e sua família.

Em 2015, Markle escreveu na revista "Elle" sobre o racismo que ela e seus pais já enfrentaram, comentando que seu pai a aconselhou a "colocar sua própria caixinha" quando se pede que a pessoa identifique sua raça.

Houve um censo obrigatório que tive que preencher na minha aula de inglês. Cada um tinha que ticar uma das caixinhas para indicar sua etnia: branca, negra, hispânica ou asiática. Eu, com meus cabelos cacheados, minha cara sardenta, minha pele pálida, minha raça miscigenada, estava olhando para aquelas caixinhas, não querendo errar, mas sem saber o que fazer. Só podíamos escolher uma caixinha, mas isso significaria escolher ou meu pai ou minha mãe, optando por um lado meu e não pelo outro. Minha professora me falou para ticar a caixinha de "caucasiana". "Porque é essa sua aparência, Meghan", ela disse. Eu pus a caneta na mesa. Não como ato de desafio, mas como sintoma de minha confusão. Eu não tive coragem de fazer isso. Fiquei imaginando a tristeza profunda que minha mãe sentiria que descobrisse. Então não tiquei caixinha nenhuma. Deixei minha identidade em branco – um ponto de interrogação, um incompleto absoluto --, que era como eu me sentia.

Quando voltei para casa naquele dia, contei a meu pai sobre o que aconteceu. Ele disse as palavras que nunca mais saíram de minha cabeça: "Se isso acontecer de novo, desenhe sua própria caixinha".

Ela será a primeira americana a casar-se oficialmente com um membro da família real britânica.

A atriz de Los Angeles não é a primeira americana a se casar com um membro da família real britânica, mas é a primeira cujo relacionamento foi aceito oficialmente pela família real.

Em 1936, em um episódio que ficou famoso, o rei Edward VIII abdicou do trono para se casar com socialite americana Wallis Simpson, que já tinha tido dois casamentos anteriores. O relacionamento deles causou um escândalo real.

Como Wallis Simpson, Meghan Markle é divorciada, mas sua aceitação mostra que as convenções sociais foram ficando mais tolerantes com o passar do tempo. O pai do príncipe Harry, príncipe Charles, se divorciou de sua mãe, a princesa Diana, e em 2005 se casou com a divorciada Camilla Parker Bowles, que hoje é a duquesa da Cornualha – se bem que o casamento tenha sido uma cerimônia civil.

Ela foi criada como católica.

Até 2015, as regras britânicas proibiam membros da linha de sucessão real de se casarem com católicos, já que a rainha Elizabeth II chefia a Igreja Anglicana.

Mas uma revisão da lei agora permite que Meghan Markle, que estudou num colégio católico, se case com o príncipe Harry.

As mudanças na lei de sucessão real feitas pelo Parlamento britânico também incluem a eliminação do viés favorável aos herdeiros homens. Isso permite, por exemplo, que Charlotte, a filha do príncipe William e da duquesa de Cambridge, entre para a linha de sucessão imediatamente depois de seu irmão mais velho, George, mesmo que ela venha a ter outros irmãos homens no futuro.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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