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5 argumentos a favor (e 5 contra) da legalização da maconha no México

Opiniões estão polarizadas e os depoimentos abaixo ilustram a polêmica.

27/11/2017 11:46 -02 | Atualizado 27/11/2017 12:30 -02
FatCamera via Getty Images

Em novembro de 2015, a Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) do México quebrou um dos tabus mais sólidos do país, ao aprovar o uso recreativo da maconha. Embora seja uma decisão que beneficie apenas quatro pessoas que solicitaram a autorização, abre caminho para a descriminalização da droga no México.

A intenção dos ministros era a de preservar a liberdade dos cidadãos que desejam consumir maconha, mas o debate se estende ao âmbito da saúde pública, da economia e, claro, do fenômeno do narcotráfico, que tem colocado o país em xeque há anos.

De acordo com as últimas pesquisas de opinião, os mexicanos não são a favor da legalização da cannabis; na verdade, apenas 2% da população a consome e 4% provaria a droga se o consumo fosse legalizado.

Segundo grupos que promovem a iniciativa, entre os principais benefícios de uma eventual abertura ao cultivo e comercialização da droga estariam: retirar o negócio das mãos do crime organizado, reduzir o tráfico de drogas (gerador de violência nas ruas) e encontrar benefícios econômicos ao exportar a maconha para os Estados Unidos, o principal consumidor da droga e onde, de fato, o consumo foi descriminalizado rapidamente em diversos estados.

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Manifestantes a favor e contra a descriminalização do consumo de maconha, em 4 de novembro de 2015, em frente à Suprema Corte de Justiça do México.

Os opositores dizem que a maconha é a porta de entrada para o consumo de outras drogas mais nocivas e que não diminuirá o poder dos cartéis, que têm maior lucro com o tráfico de cocaína.

Naturalmente, as opiniões estão polarizadas e os depoimentos abaixo ilustram a polêmica:

A FAVOR:

"Qualquer passo que permita às pessoas a liberdade de decidir o que querem consumir contribui para a paz... Respeito os processos no México, mas celebro todas as ações que tendem a declarar a paz às drogas e entendo que, se quatro pessoas têm esse direito, então todos os mexicanos o têm. Os direitos são para todos ou não são para ninguém", filho de Pablo Escobar.

"Acredito que ainda esteja um pouco longe de ser totalmente legalizada, mas, com certeza, estabelece um precedente... A responsabilidade é dos pais de inculcar e explicar aos nossos filhos o que pode produzir, tanto as virtudes quanto as consequências que seu consumo pode ter", Moisés Muñoz, jogador de futebol do América e da seleção mexicana.

"Digamos que a equação é simples: milhares e milhares de mexicanos morrem todos os anos em uma guerra entre irmãos que busca -- sem sucesso -- deter a produção de maconha, que já é legal nos Estados Unidos, o principal comprador", Alejandro Páez Varela , jornalista, escritor.

"O tráfico de drogas é um grande gerador de violência no México e, no momento em que o mercado perde valor, assim também as lutas, que são diretamente proporcionais ao valor do mercado que está sendo disputado, e acreditamos que então seja possível diminuir a violência", Armando Santacruz, um dos cidadãos que obteve autorização para o consumo lúdico de maconha no México.

"A proibição como existia é excessiva e não protege o direito à saúde... O consumo recreativo da droga deve ser autorizado para respeitar o regime de liberdades pessoais", Olga Sánchez Cordero, ministra da SCJN.

ABERTOS AO DEBATE:

"Não sou a favor da legalização, é uma questão de convicção pessoal... No entanto, não podemos continuar com esta rota de inconsistência entre a legalização que ocorreu em algumas partes, especialmente no mercado consumidor mais importante, os Estados Unidos, e no México, onde continuamos criminalizando a produção de maconha", Enrique Peña Nieto, presidente do México.

AP

"Muitos medicamentos são retirados das ervas. Eu mesmo consumi maconha com álcool... Em Guadalajara é muito simples, você leva sua garrafa de álcool e a enchem de maconha, e isso não é ruim, pelo contrário, é muito boa para os reumatismos e outras coisas", Benjamín Castillo, bispo de Celaya.

CONTRA:

"Países como o México têm estados que nem sequer podem regular suas aspirinas sem corrupção, e seus políticos estão ansiosos em 'legalizar'... O crime organizado acaba sendo subsidiado quando apenas se 'legaliza' o consumo de drogas, SEM 'legalizar' sua produção. O caso do México não faz sentido", Edgardo Buscaglia, diretor do Centro de Direito Internacional e Desenvolvimento Econômico e principal pesquisador de direito e economia na Universidade Columbia.

"Não gostaria de utilizá-la, não é bom porque já existem muitos vícios; legalizá-la seria como uma catástrofe para o país. Não deixa de ser uma droga, independentemente do uso, tenho medo disso e, embora sejam métodos para reabilitar ou relaxar, eu não a aplicaria", Juan Pablo Rodríguez, jogador de futebol do Morelia, que já jogou na seleção nacional.

"Esta resolução por parte da Corte, em vez de consertar o problema, irá agravá-lo; não é tanto autorizar o consumo de drogas, quando for a hora é o primeiro passo, e sim as consequências que isso trará, dado que é uma droga que, ao ser socialmente aceita, pode dar origem a problemas que queremos evitar", Luis Humberto Garza Vázquez, professor da Universidade Autônoma de Tamaulipas.

"Não é bom permitir o uso lúdico ou recreativo da maconha no México, porque milhões de pessoas aumentarão seu prazer e sua dose", Juan Zamudio Alvarado, político afiliado ao Partido da Ação Nacional.

"Se antes já havia maconheiros, agora todo o México vai ser maconheiro", Rafaela Pedro Léon, comerciante.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost México e traduzido espanhol.

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