MULHERES

Sexo durante a gravidez: Grávida pode fazer (e gostar de) sexo, sim!

Especialistas falam sobre como transar de maneira segura durante a gestação e desvendam mitos que envolvem a sexualidade da mulher grávida.

26/11/2017 08:14 -02 | Atualizado 26/11/2017 08:14 -02
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Durante a gestação, a conversa entre os parceiros sobre sexo é fundamental.

Imagine uma grávida. Provavelmente a imagem que veio à sua cabeça foi de uma criatura iluminada, quase sagrada, ou mesmo de uma mulher comum, mas com um quê especial, simplesmente pelo fato de estar preparando outra pessoa. De qualquer modo, qualquer que tenha sido a figura que surgiu na sua imaginação, dá para apostar que de sensual ela não tem absolutamente nada.

Isso acontece porque, historicamente, e muito por influência da religião, fomos educados a olhar para as grávidas de maneira puritana e imaculada. Só que, na prática, as coisas não são assim tão castas. Aqui vai uma verdade: mulheres gestantes não só têm vida sexual, como, no geral, gostam (e muito) desse aspecto de sua rotina, independentemente das mudanças em seu corpo. Em outras palavras, grávidas transam, sim, e, se reclamar, vão transar mais.

Até existem dezenas de mitos envolvendo a imagem das mulheres que esperam bebês e o que pode acontecer caso elas resolvam se divertir na cama. O principal deles é que, ao penetrar a mulher, o homem poderia acabar atingindo o feto, com consequências que vão desde uma pequena tragédia até algo digno de manchetes loucas de jornal — é, pode crer, há quem ache que o bebê pode morder o pênis do parceiro de sua mãe.

"Do ponto de vista médico, podemos garantir que não existe a menor possibilidade de esse contato acontecer", tranquiliza Alberto d'Auria, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. "A penetração se restringe à cavidade vaginal. Entre ela e o bebê, ainda existe o colo do útero, com aproximadamente 6 cm de espessura. Além disso, o tamanho da barriga da gestante pode reduzir a penetração em até 30%."

O médico atribui o medo masculino de machucar o neném ou de receber uma mordida dele às angústias e medos que os homens carregam. "Existem algumas fantasias masculinas em que a cavidade vaginal significa um túnel desconhecido e, durante a gravidez, essa fantasia se intensifica."

Outro mito frequente é o de que, ao gozar dentro da mulher, de alguma maneira o feto poderia ser atingido pela ejaculação. De acordo com Fábio Cabar, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana assistida e gestação de alto risco, isso é impossível. "O sêmen jamais, sob nenhuma hipótese, penetra no saco amniótico causando mal ao bebê."

Já a lenda de que grávidas têm mais tesão divide a opinião dos médicos. Para Cabar, as gestantes têm, sim, um aumento na libido, enquanto que para Alberto d'Auria essa não é uma regra. "Cada mulher reage de uma maneira. Mas, por causa da produção de progesterona, a libido da gestante tende a cair. Em cerca de 10% das mulheres, o aumento da lubrificação e da circulação sanguínea deixa a vulva mais inchada, podendo proporcionar orgasmos de maior intensidade", avalia d'Auria.

Aliás, o inchaço da vulva é apenas uma das mudanças anatômicas sofridas pelas mulheres durante a gravidez, que podem alterar o modo como ela fará sexo com seu parceiro ou parceira durante os próximos nove meses. Além do óbvio crescimento da barriga, o doutor Fábio Cabar explica que a vagina sofrerá modificações a fim de ficar mais umedecida e edemaciada, além de ganhar mais sensibilidade – o que, no fim das contas, facilitaria a relação.

Os seios também podem ficar mais sensíveis e até mesmo doloridos ao toque; portanto, é preciso cuidado na hora de movimentos mais bruscos que possam envolver as mamas.

"O diálogo acerca daquilo que mais lhe agrada ou desagrada durante a gestação, de forma a priorizar o que lhe traz prazer e evitar o que lhe traz desconforto, é a melhor maneira de o casal se adaptar", acredita Cabar.

Alberto d'Auria concorda: "Durante a gestação, a conversa entre os parceiros é fundamental. O casal deve definir o que é melhor para o bem-estar dos dois, usando sempre o bom senso e pedindo orientações ao obstetra sempre que necessário".

Posições sexuais boas e ruins para mulheres grávidas

Esse bom senso a que o ginecologista se refere deve ser usado especialmente na hora de escolher as posições para o sexo. Na lista do que evitar estão o parceiro ou parceira por cima da gestante, por conta do risco de se fazer peso na barriga, e também quando o próprio peso da barriga possa prejudicar a coluna da mulher. Ficar de quatro, também, alerta d'Auria, costuma ser desconfortável para as grávidas.

Ele explica que uma posição boa e segura ao longo de todos os nove meses costuma ser a de "conchinha", quando há a penetração por trás e a mulher está deitada de lado. Fábio Cabar também enumera outras opções:

"Cito a posição sentada no colo do parceiro, e que deixa a barriga livre; a grávida por cima do parceiro, quando a barriga não dificulta a relação e a gestante controla a profundidade e a intensidade da penetração; e a posição de lado, com um travesseiro apoiando as costas, e o parceiro conseguindo manter seu peso longe do útero da grávida."

O sexo solo também é liberado, dizem os médicos. Mas, calma - antes de correr para o quarto, observe algumas recomendações importantes. É preciso que a gestação esteja evoluindo bem, sem sinais de problemas como descolamento de placenta, por exemplo, e ter o cuidado de escolher vibradores (se for este o caso, claro) de material maleável, conforme ensina Cabar. "Além disso, é preciso redobrar os cuidados com a higiene do aparelho."

E, seja sozinha ou em dupla, a grávida pode, sim, gozar à vontade, ao contrário do que diz outro mito, que sugeriria que o orgasmo da gestante precipitaria o trabalho de parto. "Ele é capaz de provocar pequenas contrações e cólicas pós-ejaculação, mas não são suficientes para desencadear ou acelerar o trabalho de parto", afirma d'Auria. "O sexo é algo saudável e faz bem para a saúde da mulher, e, durante a gravidez, observamos que as relações costumam unir os parceiros."

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