ENTRETENIMENTO

Um calendário que propõe a quebra de estereótipos sobre homens asiáticos na mídia

O calendário faz referência ao fato de que "homens asiáticos agora aparecem de vez em quando dentro das revistas, mas ainda raramente na capa".

23/11/2017 11:50 -02 | Atualizado 23/11/2017 12:08 -02
Photo by Nick Sutjongdro Design by Amanda Lui
Yoshi Sudarso, Peter Sudarso and Anna Akana.

Um novo calendário mostra os homens asiáticos de maneira que eles raramente são vistos.

A escritora Ada Tseng procurou diversos deles, de atores a profissionais de mídia, e pediu que posassem como modelos de capa de revista para seu calendário anual "Haikus for Hotties" (algo como haikus ou haikais para gostosos ou gostosas).

Apesar do colírio para os leitores, o objetivo de Tseng é mostrar que os asiáticos merecem estar nas capas de revista – a despeito do que a indústria do entretenimento possa pensar.

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Dominic Rains, Asif Ali and Sunkrish Bala.

O calendário faz referência ao fato de que "homens asiáticos agora aparecem de vez em quando dentro das revistas, mas ainda raramente na capa", disse Tseng ao The Huffington Post por e-mail.

O projeto inclui nomes de destaque, como o ator Lewis Tan, de Into de The Badlands e Homem de Ferro, Sunkrish Bala, de The Walking Dead, e Kevin Wang, editor de moda da edição de Taiwan da revista GQ. Além das fotos editadas como se fossem capas de revista, cada imagem é acompanhada por um haikai (tipo de poesia japonesa composta por 17 sílabas em três frases) sobre o respectivo modelo. O calendário pode ser encomendado pela internet e será lançado oficialmente na semana que vem, em uma discussão com vários dos modelos.

"Haikus for Hotties" pode ser um projeto leve e divertido, mas a mensagem por trás dele tem de ser ouvida por Hollywood. A surpreendente capa da revista Entertainment Weekly com Constance Wu e Henry Golding, do livro que vai virar filme Crazy Rich Asians, mostrou como é incomum ver asiáticos nas capas de revista, diz Tseng. Descendentes de asiáticos afirmaram que a capa foi marcante. Muitos afirmaram que ela foi a prova de que os asiáticos têm chance em Hollywood.

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Chris Pang. 

Apesar de a capa não parecer grande coisa para algumas pessoas, o simbolismo é muito grande, diz Tseng.

"De certo modo, parece meio old school, pois todo mundo se informa online hoje em dia, mas representa um prestígio e uma legitimidade old school", afirma.

Mas a subrepresentação dos asiáticos vai além das capas de revista. O grupo foi responsável por menos de 6% dos personagens com falas nos filmes de Hollywood de 2007 a 2016, segundo estudo da universidade USC Annenberg. Os homens asiáticos ainda não são considerados desejáveis ou merecedores de papeis principais – algo já discutido por Aziz Ansari no passado. Este ano, o apresentador de TV Steve Harvey riu da ideia de que alguém pudesse sentir atração por homens asiáticos.

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Lewis Tan. 

Foi por essa razão que Tan disse que o projeto é importante para ele.

"Normalmente não teria muito interesse em aparecer num calendário, mas tenho opiniões fortes a respeito dessa mensagem e achei que seria uma maneira divertida de acrescentar à narrativa em que estamos empenhados com o objetivo de acabar com estereótipos e imagens falsas a respeito dos asiáticos americanos", disse ele ao The Huffington Post por email.

O ator de 30 anos foi aplaudido em março por sua performance na série da Netflix Punho de Ferro. Ele também criticou o fato de que o papel principal tenha sido dado a um ator branco, apesar dos elementos inegavelmente asiáticos. Quando se trata de Hollywood, Tan afirmou ao HuffPost que é crucial se manifestar e desafiar o status quo.

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Daniel K. Isaac. 

"Essas coisas levam tempo. É por isso que essas conversas são tão importantes, [além de] usar seu talento ou dom para criar algo que irá se opor a esses velhos estigmas e inspirar as mudanças que queremos ver", afirmou ele. "Os tempos mudaram, e Hollywood também terá que mudar se quiser permanecer relevantes e ganhar dinheiro ... Creio que nos próximos anos veremos muito mais POC [pessoas de cor] em papéis principais, capas de revistas e muito mais."

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Keone Madrid. 

As pesquisas mostram que filmes com elencos etnicamente diversos dão lucro, superando os que contam com elencos exclusivamente brancos em "orçamentos de todos os níveis". Mas diversidade não é apenas importante quando se trata de dinheiro - a representação na tela afeta como nos vemos. Pessoas negras que não são frequentemente vistas na mídia podem questionar se elas são realmente valorizadas na sociedade, disse previamente ao HuffPost Ana-Christina Ramón, diretora assistente do Centro Ralph J. Bunche para Estudos Afro-Americanos na UCLA.

Photo by An Rong Xu Design By Amanda Lui
Kevin Wang. 

Tan disse ao The Huffington Post que ele próprio foi testemunha do poder da representação.

"Vi isso em primeira mão e conversei com crianças e adolescentes em eventos como a Comic-Con. Ouvi suas histórias pessoais de como não ser representado os faz sentir", disse ele ao HuffPost. "Momentos como esse tiveram um impacto tremendo em mim e me inspiraram ainda mais para ser a melhor influência possível, para expandir os limites da minha própria arte."

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D'Lo. 

Tseng espera que o calendário não apenas leve a um esforço consciente para incluir vozes mais diversas na mídia, mas também pressionar os outros para apoiar os asiáticos na indústria do entretenimento.

"Espero que as pessoas se inspirem a procurar cada uma das pessoas criativas no calendário para saber mais sobre seu trabalho", disse Tseng.

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Ilram Choi.