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Unicamp adota sistema de cotas para pretos e pardos e cria vestibular indígena

Universidade quer um vestibular no qual "a sociedade se veja representada". Mudanças serão aplicadas a partir de 2019.

22/11/2017 12:08 -02 | Atualizado 22/11/2017 12:13 -02
cifotart via Getty Images
O sistema de cotas étnico-raciais reservará 25% das vagas disponíveis da universidade para candidatos autodeclarados pretos e pardos.

A Unicamp (Universidade de Campinas) adotará um sistema de cotas para pretos e pardos e criará um vestibular indígena. A decisão histórica foi aprovada na última terça-feira (21) pelo Conselho Universitário (Consu) da universidade. As medidas serão aplicadas a partir de 2019 e foram divulgadas no site da universidade.

O sistema de cotas étnico-raciais reservará 25% das vagas disponíveis da universidade para candidatos autodeclarados pretos e pardos. Destas vagas, 15% deverão ser preenchidas por quem optar pelas cotas no vestibular tradicional da Unicamp e outras 10% vão para candidatos que optaram pelo Enem e se autodeclararam pretos e pardos.

Já o vestibular indígena será facultativo nos primeiros dois anos após a implementação e tem como objetivo oferecer duas vagas em cada um dos primeiros 16 cursos ofertados. Ao total, 32 vagas nas graduações da Unicamp estarão abertas aos estudantes indígenas.

Além das cotas e do vestibular indígena, o Consu aprovou mudanças em seu programa de inclusão social. Agora, haverá uma concessão de bonificação adicional (20 pontos na primeira e segunda fase do vestibular) para candidatos que cursarem o ensino fundamental II em escola pública. No sistema atual, apenas candidatos que realizaram o ensino médio em escola pública tem direito à pontuação extra.

Com a reformulação, estudantes poderão entrar na Unicamp por meio do vestibular tradicional, que será responsável por 80% das vagas, ou pela nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deve beneficiar 20% dos estudantes.

O objetivo das mudanças, segundo o reitor Marcelo Knobel, é fazer com que "a sociedade se veja representada na instituição". "Daremos início a uma nova etapa, que incluirá a criação da Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, instância que cuidará de questões como acompanhamento e permanência estudantil", disse o reitor.

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