COMPORTAMENTO

Poligamia: As mulheres também desejam viver a vida com mais de uma pessoa

"Todas as pessoas devem ser honestas consigo mesmas. Você conseguiria viver sua vida com uma pessoa?

24/11/2017 11:31 -02 | Atualizado 24/11/2017 11:32 -02
JackF via Getty Images

O maior equívoco com relação à poligamia é que a maioria das mulheres não a querem.

Ainda assim, 25% dos usuários do site de relacionamento muçulmano secondwife.com (segundaesposa.com) são mulheres. O site polygamy.com (poligamia.com) relata que 35% dos usuários são do sexo feminino.

"Cada usuária mulher fez a sua escolha de se inscrever, optando por este estilo de vida e relacionamento", comentou Azad Chaiwala, fundador de ambos os sites.

"Através da poligamia, as mulheres têm uma forma de relacionamento reconhecida e aceitável, em que ambas as partes investem tempo e dedicação."

Ao HuffPost SA, o empresário britânico diz que reconhece a popularidade dos seus sites com as mulheres, porque a poligamia "garante" seus direitos de uma maneira "honrosa."

"Uma amante geralmente não pode escolher a direção do relacionamento e não pode falar dele para ninguém. Um caso não é reconhecido por amigos, família ou pela comunidade, e pode terminar com uma mensagem de texto", disse ele.

Por outro lado, através da poligamia, "as mulheres têm uma forma de relacionamento reconhecida e aceitável em que ambas as partes investem tempo e dedicação", explicou o empresário.

(A barba sem bigode te entrega. Fundador do site britânico secondwife.com)

Chaiwala, que começou a usar o Secondwife quando estava à procura de sua segunda esposa, não concorda com a ideia de que a poligamia faz com que os homens se tornem promíscuos: "A verdade é muito distante disso. Fácil é ter um caso ou se envolver com prostituição, onde mulheres são tratadas e precificadas como mercadoria, sem nenhum sentimento: você usa, paga e vai embora."

Ele argumenta que a poligamia leva em consideração a necessidade das mulheres por segurança, garantias e confiança.

O empresário também descarta a ideia de que apenas mulheres com problemas financeiros aceitam casamentos polígamos. As mulheres que se inscreveram em seus sites são "advogadas, empresárias, médicas e professoras", disse ele.

"Seria legal que os homens não aceitassem mulheres sem profissão, para que [o relacionamento] não seja baseado nos recursos [dele]", disse o polígamo famoso Musa Mseleku de KwaZulu-Natal ao HuffPost SA.

"Médicas, advogadas, engenheiras e mulheres bem sucedidas [devem ser escolhidas], para que o amor seja o fator em comum."

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Mseleku também ressaltou como a poligamia funciona bem se for uma escolha de ambos: homens e mulheres. "Uma vez que se torna uma escolha, compartilhar nossa competição não é mais um problema."

E, apesar de Mseleku não ter conhecido suas quatro esposas online, ele conta que uma pergunta que o deixou perplexo por anos é por que há tantas mulheres sem parceiros - e ele ainda procura a resposta.

"Todas as pessoas devem ser honestas e verdadeiras consigo mesmas. Você conseguiria viver sua vida com uma pessoa? Comece por aí", diz Mseleku. "Não tente viver uma mentira, porque você vai machucar muitas pessoas."

Chiawala revelou que algumas das usuárias dos seus sites são filhas de casamentos polígamos. "Elas optaram por usar nossos sites porque elas querem o mesmo estilo de vida para elas e para seus filhos", disse ele.

E, apesar de saber que essa pode não ser a opção de muitos, ele é contra a difamação dos polígamos por terem escolhido esse estilo de vida.

"Poligamia é mais do que um conselho consultivo. As famílias e comunidades estão envolvidas em criar uma nova família. Existem recursos caso as coisas dêem errado."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost SA e traduzido do inglês.

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