MULHERES

Meryl Streep, Nicole Kidman e mais: 16 atrizes que já estão na corrida para indicações ao Oscar 2018

Frances McDormand lidera o grupo, mas será que esse ímpeto vai se conservar até março?

21/11/2017 18:58 -02 | Atualizado 21/11/2017 18:58 -02

Fox/A24

Como de costume, reduzir a disputa do Oscar de melhor atriz a uma lista de apenas cinco finalistas será dificílimo. E é assim que gostamos.

Com a chegada do período das festas de fim de ano, a temporada de premiações ingressa em sua fase de pico. A maior parte dos festivais de cinema já terminou, deixando mais claro o quadro das prováveis candidatas principais. Entre hoje e o anúncio das indicações, que será feito em 23 de janeiro, vou fazer minhas apostas nas seis categorias principais do Oscar, classificando os nomes em um ranking segundo sua estatura no momento em que os artigos são publicados. É claro que tudo pode mudar a partir do momento em que forem anunciados mais prêmios precursores. Por exemplo, será que a atriz alemã Vicky Krieps vai entrar para este ranking depois de seu filme "Trama Fantasma", de Paul Thomas Anderson, ser exibido para a imprensa? A ser decidido!

Pense neste texto como sua primeira "cola" do HuffPost para o Oscar 2018. Os prêmios serão entregues em 4 de março.

16. Salma Hayek, Beatriz at Dinner
Roadside Attractions

Hollywood nunca soube ao certo o que fazer com Salma Hayek, uma atriz que se desloca com agilidade entre gêneros, sem ter um em especial que a caracterize. "Frida", que lhe valeu sua única indicação ao Oscar até agora, parece uma anomalia em seu currículo, mesmo porque a maioria dos filmes de arte em que a atriz atuou não foram grande sucesso de público. Se o drama "Beatriz at Dinner", exibido no festival Sundance, tivesse deixado sua marca nas bilheterias, poderia ter sido sua próxima indicação ao Oscar. No papel de uma imigrante que trabalha como curandeira holística na Califórnia, cada expressão de Hayek carrega o peso de uma vida exaustiva passada a serviço daqueles que detêm o poder na sociedade.

15. Nicole Kidman, O Estranho que nós Amamos
Focus Features
Nicole Kidman recebeu um Emmy por "Big Little Lies" em setembro e está com dois filmes prontos que podem ser material para um Oscar: "O Sacrifício do Cervo Sagrado" e "O Estranho que Nós Amamos". O primeiro é um filme de arte ousado e deprimente, que não será facilmente engolido pelo bloco mais convencional da Academia; já o segundo traz a assinatura da admirada Sofia Coppola. Como matriarca de uma escola interna de meninas durante a Guerra Civil, Kidman é a estrela do filme. Ela já foi indicada ao Oscar quatro vezes, mas este trabalho pode não ser chamativo o suficiente para lhe valer os votos dos eleitores, especialmente considerando que "O Estranho que Nós Amamos" estreou em junho e já virou uma recordação passageira.
14. Gal Gadot, Mulher Maravilha
Warner Bros

A Warner Bros. está traçando uma campanha para tentar ungir "Mulher Maravilha" como o primeiro filme de super-herói ou heroína a ser indicado na categoria Melhor Filme. É uma batalha que ela provavelmente vai perder, mesmo em se tratando de um grande sucesso de bilheteria cujos valores feministas falaram alto em um ano politicamente tumultuado. Mas uma possibilidade de indicação a Melhor Filme também abre para Gal Gadot um espaço na disputa de Melhor Atriz. Apresentar "Saturday Night Live" não foi a pior maneira de polir suas credenciais.

13. Jennifer Lawrence, Mãe!
Paramount Pictures

A Paramount deveria ter tido um sucesso tremendo nas mãos com "Mãe!", mas o público não lotou os cinemas como se esperava, apesar da presença da estrela Jennifer Lawrence. Talvez tenha sido a recepção crítica polarizadora ou uma campanha de marketing enganosa que tenham impedido as platéias de ir aos cinemas em peso para curtir este misto de suspense e parábola ecológica na tela grande. Isso não beneficia Jennifer Lawrence, que teve sua melhor performance desde "O inverno da alma".

12. Michelle Williams, Todo o Dinheiro do Mundo
Sony Pictures

As acusações de assédio feitas a Kevin Spacey parecem ter tido efeito nefando sobre "Todo o dinheiro do mundo", em que o ator teve um papel coadjuvante. A Sony tirou o filme do Festival AFI, onde ele teria sua première na noite de encerramento do evento e onde às vezes são batizados os últimos candidatos a Oscar do ano. Mas esta semana Ridley Scott teve uma iniciativa tão ousada que ela pode até incluir seu filme na jogada outra vez: nas próximas semanas ele vai refilmar as cenas com Spacey, substituindo o ator por Christopher Plummer, na esperança de conservar a data de 22 de dezembro marcada para a estreia do filme nos cinemas. Essa estratégia inusitada pode beneficiar Michelle Williams, que faz a mãe do aristocrata sequestrado John Paul Getty III.

11. Daniela Vega, Uma Mulher Fantástica
Sony Pictures Classics
Se Daniela Vega receber uma indicação, será a primeira atriz abertamente transgênero a ser reconhecida nos 90 anos de história do Oscar. A repercussão ouvida após os festivais de cinema do outono indicam que isso não é impossível: Vega está simplesmente fantástica em "Uma Mulher Fantástica", fazendo uma cantora de ópera que chora a morte de seu namorado. Mas será que os convencionais eleitores da Academia irão ver este filme chileno em número suficiente? É duvidoso.
10 Annette Bening, Film Stars Don't Die in Liverpool
Sony Pictures Classics
As narrativas sobre quem já deveria ter recebido um prêmio há muito tempo e sempre foi passada por cima muitas vezes são exageradas, mas se existe alguém a quem a Academia está devendo reconhecimento, esse alguém é Annette Bening. Ela perdeu as quatro indicações que recebeu até agora, e esse número não chega perto de representar todos os filmes pelos quais ela deveria ter sido indicada, incluindo "Mulheres do século 20", do ano passado. Resta a ver se esse erro poderá ser corrigido com "Film Stars Don't Die in Liverpool", em que Bening faz a atriz Gloria Grahame, de meados do século passado.
9. Emma Stone, A Guerra dos Sexos
Fox Searchlight
A última pessoa a receber troféus consecutivos de melhor atriz foi Katharine Hepburn, em 1968 e 1969. Emma Stone levou o Oscar de melhor atriz este ano por "La La Land", e isso reduz suas chances de repetir a dose com "A guerra dos Sexos", em que ela representa graciosamente a tenista campeã Billie Jean King. O filme não tem tido o sucesso de bilheteria que seria necessário para superar as resenhas que o qualificam como agradável, mas não mais que isso. No Festival de Cinema de Toronto, onde "Guerra dos Sexos" foi exibido em setembro, um publicitário me disse que Emma Stone não está morrendo de vontade de lançar outra campanha exaustiva para disputar um Oscar. Mas, considerando seu charme incrível, é possível que ela consiga votos baseada apenas em seu nome.
8. Kate Winslet, Roda Gigante
Amazon Studios

Mais um ano, mais um filme trivial de Woody Allen. O diretor prolífico e envolto em escândalo já arrancou de seus atores algumas performances premiadas com o Oscar – o caso mais recente foi de Cate Blanchett por "Blue Jasmine" --, mas a maioria de seus filmes passa despercebida. Kate Winslet, uma das atrizes favoritas da Academia, está perfeita em "Roda Gigante", infundindo vida ao roteiro excessivamente teatral de Woody Allen. Mas, no meio de todas as revelações sobre agressão sexual que estão dilacerando Hollywood, os eleitores vão querer apostar em um filme de Woody Allen? Se não, a potencial indicação de Kate Winslet se tornará sua baixa mais recente.

7. Judi Dench, Victoria e Abdul
Focus Features
Não subestime o "efeito Judi Dench"! A atriz, que está com 82 anos, encontrou prosperidade inesperada nas bilheterias e várias indicações ao Oscar (sete em apenas 19 anos de carreira). "Victoria e Abdul – o confidente da rainha", em que ela faz a rainha Vitória nos anos antes de sua morte, já arrecadou US$20 milhões nos EUA e continua a crescer. Na economia atual de Hollywood, é um valor decente para um filme majestoso de época. E pode facilmente se traduzir na oitava indicar de Dench ao Oscar. Todo o mundo adora uma grande dama.
6. Margot Robbie, I, Tonya
NEON

Margot Robbie não conseguiu divulgação suficiente para se tornar candidata real ao Oscar pelo papel que a tornou conhecida, em "O Lobo de Wall Street". Os anos passados desde então não a aproximaram mais desse prestígio, mas, ao mesmo tempo, sua estrela está em ascensão. E então chegou "I, Tonya". Robbie representa a ex-patinadora artística e boxeadora Tonya Harding com tanta garra que você quase não a reconhecerá. O papel já lhe valeu o reconhecimento dos Gotham Awards, sempre as primeiras indicações a saírem. Há dois pequenos obstáculos que terão que ser superados: o filme, uma cinebiografia cômica dark, teve recepção dividida em sua première no Festival de Cinema de Toronto e é o primeiro filme que a nova distribuidora independente Neon escolheu para tentar direcionar a prêmios. Mas representar uma personagem tão fascinante quanto Tony Harding deve beneficiar as chances de Robbie, especialmente se "I, Tonya" encontrar um público grande quando chegar aos cinemas em dezembro.

5. Saoirse Ronan, Lady Bird
A24

Uma história simpática que não se esforça para ser inovadora, sobre uma moça, seus amigos e amores, pode não parecer o candidato mais óbvio a dar um Oscar a sua protagonista, mas os elogios a "Lady Bird" têm sido tão unânimes que a A24 faria bem em investir nas chances de prêmios desse filme. Quando Saoirse Ronan tinha 13 anos, recebeu uma indicação ao Oscar por seu primeiro papel importante ("Desejo e Reparação"); aos 21, recebeu mais um por "Brooklyn". Se "Lady Bird" lhe der a terceira, Ronan será uma das mulheres mais jovens a já ter sido indicada para três Oscar. Aquele sotaque irlandês encantador tem um efeito mágico!

4. Meryl Streep, The Post - A Guerra Secreta
Fox
Um dos únicos candidatos que ainda não foi exibido para a imprensa, "The Post – A Guerra Secreta" traz a santíssima trindade de Hollywood: Steven Spielberg, Tom Hanks e Meryl Streep. Esta última representa a publisher do "Washington Post", Kay Graham, que encara uma decisão difícil: publicar ou não os documentos classificados que expuseram as estratégias enganosas do governo americano na Guerra do Vietnã. O ano de ativismo de Meryl Streep, que começou com seu discurso contra Trump na entrega dos Globos de Ouro, em janeiro, e prosseguiu com sua crítica pública a Harvey Weinstein, pode ajudá-la a avançar na corrida. Esta pode ser sua 21ª indicação ao Oscar de melhor atriz.
3. Jessica Chastain, A Grande Jogada
STX Films
Depois de indicações consecutivas por "Histórias Cruzadas" e "A Hora Mais Escura", as atuações dignas de Oscar de Jessica Chastain foram repetidamente passadas por cima. "A Grande Jogada" guarda alguma semelhança com seu trabalho mais recente candidato a prêmios, "Armas na Mesa", mas desta vez a atriz se beneficia dos diálogos ágeis de Aaron Sorkin que vão ajudá-la a decolar. É seu papel mais substancial desde "O Ano Mais Violento".
2. Sally Hawkins, A Forma da Água
Fox Searchlight

Sally Hawkins é há anos uma dessas atrizes independentes veneradas que aguardam pelo reconhecimento merecido. "A Forma da Água" pode ser sua ficha vencedora. No papel de uma zeladora muda nos anos 1960, Hawkins ostenta uma vida inteira de sofrimento no rosto. O filme de Guillermo del Toro possui uma amplitude antiquada que agradará aos eleitores jovens e mais velhos da Academia. Eles sempre tiveram uma queda por atores que representam personagens com problemas físicos: Patty Duke, John Mills e Holly Hunter todos ganharam Oscar fazendo papéis de pessoas mudas.

1. Frances McDormand, Três Anúncios para Um Crime
Fox Searchlight
Não espere ver Frances McDormand cortejando a mídia nesta temporada de premiações; ela é famosa por resistir à maioria das entrevistas. Mas preveja que ela continue a ser a candidata favorita na categoria de melhor atriz, provando que não precisa de nenhuma ajudinha extra para conseguir a aprovação da indústria do cinema. Sua atuação extraordinária como uma mulher forte do meio-oeste americano que protesta contra a indiferença com que a polícia investigou o estupro e assassinato de sua filha ganham ressonância pontual, em meio às repercussões atuais dos casos de assédio sexual em Hollywood. A maioria dos críticos concorda que "Três Anúncios para um Crime" é um dos melhores trabalhos de McDormand. Ninguém distribui palavrões como ela.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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