POLÍTICA

Lula: 'Esquerda está fragilizada. É preciso colocar esperança e não raiva na urna'

Em congresso do PCdoB, Lula reforçou candidatura de Manuela D'Ávila e defendeu união da esquerda contra o 'desmonte do Estado'.

19/11/2017 14:51 -02 | Atualizado 19/11/2017 14:51 -02
Ueslei Marcelino / Reuters
Lula defendeu união da esquerda em congresso do PCdoB.

Em congresso do PCdoB neste domingo (19), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a pré-candidatura de Manuela D'Ávila, do partido comunista, e admitiu a fragilidade dos partidos de esquerda no atual contexto político.

Segundo o petista, a aliança esquerdista "está mais perdendo do que ganhando" e é preciso que as candidaturas se unam para 2018 contra o que ele classificou como o "desmonte do Estado".

"Nós éramos contra o golpe e ele aconteceu. Éramos contra a reforma trabalhista, e ela aconteceu. Somos contra a reforma da Previdência, e ela pode acontecer. A fraqueza deste governo faz com que ele se submeta aos caprichos do mercado e o Congresso aprove medidas contra os trabalhadores", afirmou Lula.

Para o político, ele é "o único ser humano" que não poderia desencorajar D'Ávila na corrida para o Planalto, uma vez que a sua própria "teimosia" o tornou presidente.

"É um direito legítimo. Se não fosse a minha teimosia e a do PT, eu não teria chegado nunca à Presidência. Mesmo que não ganhe, se fizer uma campanha ideologicamente organizada, com a militância na rua, vale a pena", afirmou de acordo com a Folha.

Lula, ainda, criticou o Congresso Nacional e argumentou que a expressividade do conservadorismo dos deputados é o reflexo do "pensamento político da sociedade brasileira em 2014".

"Nós estamos fragilizados na luta para evitar [o desmonte do Estado], porque os congressistas que estão votando para desmontar não têm compromisso conosco. Se a gente não tomar cuidado, vai piorar nas próximas eleições. Toda vez que se fala em mudança, piora. Precisamos pensar no que fazer. "A urna não pode receber ordem, tem que receber voto, tem que botar [na urna] esperança, e não raiva de 2014", defendeu o ex-presidente.

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