ENTRETENIMENTO

Liga da Justiça: O que você precisa saber antes de assistir ao novo filme da DC

Time de personagens icônicos definiu as HQs de super-heróis modernas.

17/11/2017 18:14 -02 | Atualizado 17/11/2017 18:14 -02
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Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Batman (Ben Affleck) e Ezra Miller (Flash) em cena do aguardado filme ‘Liga da Justiça’.

Ao se deparar com a ameaça de uma criatura gigante em forma de estrela, Aquaman não pensa duas vezes: é urgente reunir Mulher-Maravilha, Batman, Flash, Lanterna Verde, Caçador Marciano e Superman para enfrentá-la. O monstrengo, chamado Starro, o Conquistador Estelar, sai do oceano, está em terra e tem fome de destruição. Apenas a Liga da Justiça poderia impedi-lo.

Esta é a premissa da história em quadrinhos The Brave and the Bold #28 (publicada no Brasil como O Bravo e o Audaz), lançada pela DC Comics em março de 1960. Escrita por Gardner Fox (1911–1986) e desenhada por Mike Sekowsky (1923–1989), a bem-sucedida revistinha marca a estreia da Liga da Justiça da América e é um dos principais momentos da chamada Era de Prata dos quadrinhos, um período no qual foi moldado muito do que conhecemos sobre super-heróis hoje.

Embora tenha sido publicada há quase 60 anos, a história da Liga contra Starro diz muito a respeito do supergrupo até hoje — no aguardado longa-metragem Liga da Justiça (Justice League, 2017), que chega aos cinemas nesta semana, os icônicos heróis enfrentam um adversário que apenas eles podem derrotar. Aí está um dos conceitos principais do time: personagens incríveis e adorados, juntos, são muito mais do que uma soma de partes.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Matthew K. Manning, roteirista de incontáveis gibis do Batman e co-autor da enciclopédia DC Comics Encyclopedia All-New Edition (DK, 2016; sem edição brasileira) com Alex Irvine, conta que a editora tinha também a intenção de tornar as histórias da Liga uma compra certa.

"Por que comprar um quadrinho do Batman ou do Flash se você poderia ter ambos em uma só revista, lutando ao lado dos personagens mais famosos da DC?", questiona. Três semanas após a estreia, a Liga ganhou o próprio gibi autointitulado.

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Capa de 'The Brave and the Bold' #28, estreia da Liga nas HQs.

A criação abriu porta para outras até na principal concorrente, a Marvel. Há uma "lenda" no meio das HQs de que Jack Liebowitz, então dono da DC, mencionou em uma partida de golfe para Martin Goodman, fundador da Marvel, o sucesso de vendas de Liga da Justiça da América e foi o suficiente para Goodman ir às pressas atrás de seu funcionário Stan Lee e encomendar a criação de algo semelhante. O Quarteto Fantástico surgiu daí.

Manning pondera que o conceito de "supertime" não foi inaugurado com The Brave and the Bold #28. Nos anos 1940, durante a Era Dourada, a DC já tinha lançado a Sociedade da Justiça da América. Foi no período de revitalização das HQs na Era de Prata que o grupo foi todo revisado e recebeu o nome de Liga da Justiça da América. A DC começou a revitalização, e a Marvel a continuou.

"Os leitores realmente responderam a esses personagens que representavam o mundo no qual eles viviam", explica.

Landry Q. Walker, roteirista de quadrinhos do Batman e da Supergirl e autor do guia DC Comics Justice League The Ultimate Guide (DK, 2017; sem edição brasileira), afirmou ao HuffPost Brasil que as histórias de heroísmo e sacrifício da Liga que até hoje cativam tantos leitores trazem reflexos de mitologias, como a grega.

"São personagens diferentes representando diferentes arquétipos da humanidade", diz. "Nos anos 1960, você encontrava xenofobia e patriotismo no material."

No decorrer dos anos, o formação do grupo variou incontáveis vezes, com Mulher-Maravilha, Superman e Batman em seu "núcleo duro". Ciborgue, Aquaman, Gavião Negro, Caçador de Marte, Lanterna Verde, Zatanna e Canário Negro são alguns dos outros famosos personagens da DC que participaram da Liga. Entre seus principais antagonistas estão o tirânico Darkseid e os clássicos Felix Fausto, Starro, Gangue Royal Flush, Despero e Kanjar Ro.

Não diferente da Marvel, a DC também faz comentários sociais por meio de seus heróis da Liga. A Mulher-Maravilha até hoje continua a advogar pela igualdade de gênero; nos anos 1970, revistas como Lanterna Verde/Arqueiro Verde, Raio Negro e Batman traziam abordagens de questões raciais, ativismo social e uso de drogas. Questões LGBT e até as últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos têm aparecido nas páginas da DC.

No entanto, a inclusão de minorias ainda não está na medida suficiente, defende Walker.

"Como a maior parte das criações em quadrinhos, esses personagens foram criados em um tempo no qual as pessoas tinham medo de tudo que não era branco e principalmente masculino. Não sei por que muitos desses personagens ainda são brancos. É hora de dar uma misturada."

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Arte de Tony S. Daniel para 'Renascimento: Liga da Justiça'.

Entre os arcos recentes mais aclamados, destaca-se Os Novos 52, um amplo relançamento de toda a linha de publicações da editora iniciado em 2011. Walker sugere para novos leitores o ciclo LJA (sigla para Liga da Justiça da América), escrito por Grant Morrison nos anos 1990, e Liga da Justiça Internacional, dos anos 1980.

O (esperado) filme

Depois de ter chegado aos games, séries animadas e longa-metragens animados feitos diretamente para TV ou home video e um piloto malsucedido para um seriado, para citar alguns dos casos de adaptação mais famosos, a Warner, motivada pelo sucesso de Batman Begins (2005), confirmou em 2007 que faria o primeiro filme em live action do supergrupo.

Iniciaram-se as buscas por diretores e elenco. George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) foi confirmado na direção e Armie Hammer (Me Chame pelo Seu Nome), D.J. Cotrona (da série Um Drinque no Inferno) e Megan Gale (Mad Max: Estrada da Fúria) foram escalados para darem vida a Batman, Superman e Mulher-Maravilha, respectivamente. Outros vários atores foram contratados também, como Adam Brody, Teresa Palmer e Jay Baruchel.

A produção de Justice League: Mortal chegou a ser iniciada, mas teve de ser interrompida em função de longa uma greve dos roteiristas dos EUA. Tornou-se inviável o trabalho no filme. A Warner decidiu não continuar com o projeto.

Em 2015, várias imagens da produção, como figurinos e storyboards, chegaram à internet e impressionaram os fãs. Logo, o filme de George Miller tornou-se um sonho jamais realizado para os aficionados pelos míticos heróis.

No entanto, após a frustração, o longa foi oficializado com a estruturação de um novo universo da DC nos cinemas. Iniciado com O Homem de Aço (2013), em seguida lançou Batman v Superman (2016), Esquadrão Suicida (2016) e Mulher-Maravilha (2017) — todos articulam um só contexto e abrem caminho para Liga da Justiça, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (16).

Dirigido por Zack Snyder, responsável por Homem de Aço e BvS, o filme traz Batman (Ben Affleck) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em busca de colegas para formar um grupo. O mundo está um completo caos após a morte de Superman (Henry Cavill) em BvS e, sozinhos, eles não poderão derrotar o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds, em captura de movimentos), um deus destruidor que reaparece após eras desaparecido acompanhado de seu exército de Parademônios, espécie de insetos alienígenas altamente letais. A intenção dele é obter controle do mundo por meio das três Caixas Maternas.

Ambos conseguem recrutar Ciborgue (Ray Fisher), Flash (Ezra Miller) e Aquaman (Jason Momoa). Aqui e ali há abordagens de questões sociais como discriminação contra imigrantes, refugiados e terrorismo. E, a partir daí, é melhor não entregar nada mais.

Os fãs deram a Liga da Justiça a responsabilidade de ser um filme superior aos anteriores — tanto os adoradores da mitologia da DC quanto incontáveis críticos de cinema ficaram desapontados com os resultados.

A boa notícia é que, pelo menos da crítica, desta vez os pareceres têm sido mais positivos. O momento de ver os heróis reunidos no cinema finalmente chegou.

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Batman (Ben Affleck), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Ciborgue (Ray Fisher), Flash (Ezra Miller) e Aquaman (Jason Momoa).

Liga da Justiça estreou nesta semana. Tem duração de 120 minutos, classificação indicativa 12 anos e distribuição da Warner.

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