ENTRETENIMENTO

7 vezes que Taís Araújo mostrou que o racismo no Brasil é um problema de todos

O discurso no TEDxSãoPaulo foi só uma dessas vezes.

17/11/2017 13:07 -02 | Atualizado 17/11/2017 13:22 -02
Reprodução/YouTube
Taís Araújo durante discurso no TEDxSaoPaulo, em agosto deste ano.

Na última quarta-feira (15), Taís Araújo compartilhou em suas redes sociais o discurso que fez no TED realizado na capital paulista, em agosto deste ano.

Intitulado Como criar crianças doces num país ácido, o vídeo da atriz apresenta reflexões sobre a questão racial dentro do contexto da criação de filhos negros no Brasil.

Ela e o marido, o também ator Lázaro Ramos, são pais de duas crianças, João Vicente e Maria Antônia. Em um dos trechos, Taís fala:

"Quando eu engravidei do meu filho, eu fiquei muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem. Porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de viver situações vivenciadas por nós mulheres. Certo? Errado. Meu filho é um menino negro. E liberdade não é um direito que ele vai poder usufruir. Se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol, ele corre o risco de ser apontado como um infrator. Mesmo com seis anos de idade. Quando ele se tornar adolescente, ele não vai ter a liberdade de ir para a escola, pegar um ônibus com a sua mochila, seu boné ou capuz, com seu andar adolescente - sem correr o risco de levar uma investida violenta da polícia ao ser confundido com um bandido. No Brasil, a cor do meu filho é o que faz que as pessoas mudem de calçada, segurem suas bolsas, blindem seus carros."

Assista ao vídeo na íntegra:

O discurso da atriz incomodou muita gente nas redes sociais. Enquanto uns elogiaram as reflexões propostas nos vídeos, outros apontaram "vitimismo" nas declarações.

Para além da controvérsia, o vídeo do TEDxSãoPaulo mostra que Taís Araújo é hoje uma importante voz do ativismo negro no Brasil. E essa atuação política em prol da garantia dos direitos da população negra é de hoje.

A seguir, o HuffPost Brasil recorda outras 6 vezes em que a atriz militou pelos negros no Brasil.

2. Reagiu a um ataque racista em 2015.

No final de 2015, uma foto que Taís Araújo postou nas redes sociais recebeu diversos comentários racistas. O ataque contra a a triz fez nascer a hashtag #SomosTodosTaísAraujo.

Na época, ela compartilhou o seguinte desabafo:

"É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar: na última noite, recebi uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à polícia federal. E eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena nesse país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!"

Taís fez questão de processar os agressores. O Processo ainda corre na justiça.

3. Passou a integrar a ONU Mulheres no Brasil

ONU Mulheres/Divulgação

Em julho deste ano, Taís Araújo recebeu da ONU Mulheres Brasil o título de defensora dos direitos das mulheres negras. Neste posto, a atriz vai apoiar iniciativas da organização no combate ao racismo.

4. Estrelou ao lado do marido a peça 'No Topo da Montanha'

Obra inspiradora para toda pessoa de pele escura no Brasil, a peça O Topo da Montanha retrata o que seria a última noite de vida de Martin Luther King. Nessa ocasião, ele se depara com seus medos, erros e acertos. Na obra, Taís interpreta uma camareira que confronta um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. A mensagem final tanto para o personagem quanto para a plateia é de que a militância pela dignidade dos negros há de continuar.

5. Afirmou que gostaria ser uma negra numa próxima vida.

A afirmação foi feita pela atriz numa entrevista à revista Trip, a justificativa: "Ah, queria! Só gostaria de alcançar a maturidade mais cedo". Questionada sobre o porquê, ela respondeu:

"A relação dos meus pais quanto à questão do negro é tudo o que todo branco dominante gostaria que fosse. Uma relação que é a da ignorância. Eu fui cozida nesse caldo, e demorei para atingir um novo estágio de consciência. Talvez se tivesse tido uma educação diferente pudesse ter feito mais pela causa. Estou falando dessa reconciliação com a história, com minha origem. Não é que meus pais renegassem sua origem, não é isso. Mas deixar para lá é tudo o que a sociedade branca quer: fingir que nada aconteceu e que está tudo bem. Minha mãe falava assim: "Quando a pessoa faz alguma coisa com você relacionada a racismo você ignora porque ninguém gosta de ser ignorado". Não, não é assim que funciona. Como passar isso para os meus filhos com leveza e com doçura? Como enchê-los de autoestima e consciência? É um trabalho difícil."

6. Compartilhou a experiência que teve no Africa Week

Em setembro deste ano, Taís participou da cerimônia de abertura do Africa Week na Universidade de Columbia, que reuniu autoridades e ativistas da causa negra de diferentes partes do mundo.

Em depoimento ao canal Brazil Talk no YouTube, ela compartilhou a experiência que teve na discussão sobre combate ao racismo e a defesa dos direitos das mulheres negras.

Em um dos trechos do vídeo, ela diz:

"O tempo inteiro eles falavam sobre descendência africana e eu fui ficando pequenininha e cheia de vergonha porque no Brasil a gente sequer se chama de afrodescendente. E quando a gente coloca essa questão, falam: 'Nossa, que besteira. O Brasil é misturado'. Sim, o Brasil é misturado, mas eu acredito que a partir do momento que você se declara afrodescendente com orgulho, você reafirma uma identidade."

Assista ao depoimento na íntegra:

7. Quando estrelou essa campanha da ONU no vídeo abaixo:

Para saber mais sobre a campanha #VidasNegras, clique aqui.

6 negros transformadores do mundo dos negócios e da tecnologia