MULHERES

Ministro do TSE acusado de violência doméstica lamenta que agressão esteja sendo publicizada

"Quer acabar com minha carreira?", questiona Admar Gonzaga.

16/11/2017 14:50 -02 | Atualizado 28/11/2017 01:02 -02
Reprodução
Ministro do TSE é denunciado por violência doméstica.

A procuradora-geral da República Raquel Dodge denunciou na última quarta-feira (15) o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga pelo crime de lesão corporal, resultado do episódio de violência doméstica contra a sua mulher, Élida Souza Matos, ocorrido em junho.

Em depoimento à polícia do Distrito Federal, no dia 23 de junho, Élida afirmou que o casal discutiu e Admar empurrou e agrediu verbalmente sua mulher. A vítima retirou a queixa contra o ministro argumentando que a briga teria sido por "ciúmes" e já estava resolvida.

Cinco meses após a agressão, a denúncia foi protocolada pela PGR e segue para o Supremo Tribunal Federal, já que o ministro tem a prerrogativa de foro privilegiado. Os detalhes do documento ainda não foram publicados, embora o caso não tramite em sigilo.

O ministro do TSE, contudo, afirma que desde junho o casal, agora separado, já viajou duas vezes juntos em uma tentativa de "reaproximação".

"O fato de a procuradora entender que há materialidade para oferecimento da denúncia eu não tenho o teor dela ainda. A única coisa que sei é que o nosso interesse desde então era a reconciliação. Parece, parece, parece, o que tem atrapalhado são as notícias sensacionalistas, ah, ministro acusa mulher de desequilíbrio e bebedeira, esse tipo de notícia acaba causando insegurança, pode parecer qualquer outra coisa que não é. Mas é lamentável, lamento muito que esse tipo de assunto esteja tão publicizado", comentou Admar Gonzaga em entrevista ao Estadão.

Entenda a violência doméstica

Élida Souza Matos prestou um boletim de ocorrência contra o ministro alegando que ele tinha jogado enxaguante bucal em seu corpo e a empurrado. Na época do ocorrido, Gonzaga argumentou que a mulher teria escorregado sozinha no líquido.

Porém, como descrito pelo o documento do relator do caso, o ministro Celso de Mello, Élida Souza Matos apresentava marcas de agressão e um olho roxo no dia do depoimento.

A agressão de Admar Gonzaga não foi apenas física. Como muitas outras vítimas da violência doméstica, Élida também enfrentou a violência psicológica do companheiro, uma vez que ela é dona de casa e depende financeiramente do marido.

O ministro chamou a mulher de "prostituta" e "vagabunda". Também disse que ela "não servia nem para pano de chão" e, ainda, que ela não valia o que ele "representava". "Quer acabar com a minha carreira?", questionou.

"Tratando-se, aqui, de condutas perpetradas no contexto de violência doméstica de que trata a Lei Maria da Penha, é imprescindível considerar que a manifestação de vontade da vítima muitas vezes é cerceada e influenciada por diversos fatores da convivência no lar, inclusive a violência a provocar o receio, o temor, o medo de represálias, a pressão psicológica e econômica, as ameaças sofridas, além dos graves impactos emocionais impostos pela violência de gênero à vítima, que podem impedi-la de romper com o estado de submissão e comprimir a autonomia de sua vontade", argumentou Celso de Mello em seu parecer.

Em outubro, Admar Gonzaga enviou ao STF o seu documento de defesa. Ele negou todas as acusações, mas afirmou ter empurrado a esposa. Segundo ele, foi por "legítima defesa".

O ministro alega que a esposa tinha recebido a notícia de uma doença e consumido algumas taças de vinho. De acordo com ele, o que desencadeou a discussão foi uma crise de ciúmes por parte dela.

Sobre o empurrão, ele afirmou que "o movimento não foi empregado como meio deliberado de agressão". O ministro também anexou ao documento imagens de lesões em seu rosto.

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