MULHERES

Antonieta de Barros: A mulher pobre e negra que tornou-se deputada, jornalista e educadora

A catarinense filha de ex-escravos que lutou pelos direitos das mulheres e dos menos favorecidos.

20/11/2017 08:13 -02 | Atualizado 20/11/2017 08:13 -02
Acervo Familiar
Antonieta de Barros foi a primeira deputada estadual negra do País.

Antonieta de Barros era mulher, pobre e negra. Contrariando as probabilidades relacionadas a esses três substantivos do início do século 20, tornou-se jornalista, educadora, militante e deputada.

Neste Dia da Consciência Negra, o HuffPost Brasil relembra a história de ícones negros do País que combateram a desigualdade racial e se tornaram exemplo para os brasileiros.

Antonieta nasceu em 1901 em Florianópolis (SC) e perdeu seu pai quando ainda era criança. Seus pais eram ex-escravos e sua mãe, para garantir o sustento da família, locava a casa para alunos que iam estudar na capital catarinense. A rotina de estudos dos inquilinos virou influência para os primeiros contatos de Antonieta com as letras.

Inspirando-se nos estudantes que frequentavam sua casa, e com desejo enorme de mudar sua realidade e lutar por seus direitos, ela ingressou na Escola Normal Catarinense aos 17 anos. Logo após se formar, fundou o Curso Particular Antonieta de Barros para dar oportunidade à população carente.

Na época em que a taxa de analfabetismo no Brasil era de 65%, a catarinense pobre e filha de ex-escravos tornou-se educadora. E sua ambição não parou por aí. Fundou o jornal A Semana e dirigiu a revista Vida Ilhoa, em que escrevia sobre questões educacionais, políticas, de gênero e preconceito racial. Também escreveu o livro Farrapos de Idéias, sob o pseudônimo de Maria da Ilha.

Foi a primeira deputada estadual negra do País e a primeira mulher deputada de Santa Catarina. Militou na Frente Brasileira para o Progresso Feminino, lutando pelos direitos das mulheres.

Também lutou pelos menos favorecidos e até hoje é inspiração para muitos ativistas do movimento negro. A cineasta Flávia Person retratou sua inspiradora história de vida no documentário Antonieta, lançado em 2015.

"Quando vim morar em Florianópolis, tinha uma imagem do Sul como uma região branca, que valorizava as influências italiana, alemã e açoriana. Mas descobri essa mulher negra incrível e quis contar a história dela" - Flávia Person

No período em que as mulheres não tinham liberdade para se expressar, Antonieta rompeu com todos os padrões limitantes impostos a ela. Sua coragem garantiu estudo às mulheres, aos negros e aos menos favorecidos que cruzaram seu caminho.

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