POLÍTICA

Bruno Araújo pede demissão do Ministério das Cidades, e governo Temer ressuscita a reforma da previdência

Governo ainda tem esperança de votar este ano texto que altera regras na aposentadoria.

14/11/2017 07:00 -02
Beto Barata/PR
Tucano Bruno Araújo pede demissão do Ministério das Cidades e abre espaço para reforma ministerial no governo Michel Temer.

O início do desembarque do PSDB do governo do presidente Michel Temer reacendeu a esperança dentro do Palácio do Planalto em relação à reforma da previdência. Depois de quase seis meses de racha dentro do PSDB e traições em relação ao governo nas votações no Congresso, o clima ficou insustentável e nesta segunda-feira (13),o tucano Bruno Araújo (PE) deixou o comando Ministério das Cidades.

O retorno ao comando do presidente da pasta com maior orçamento para investimento e, consequentemente, a mais cobiçada da Esplanada teve impacto imediato no mercado financeiro. A bolsa subiu 0,44% sob o argumento dos investidores de que a viabilização da reforma ministerial vai permitir ao governo cobrar dos partidos que serão realocados fidelidade na votação do projeto que altera as regras da aposentadoria.

A expectativa é que o governo valorize os partidos que votaram em favor do presidente nas denúncias que poderiam afastá-lo do comando do País. Na última denúncia, por exemplo, a maioria dos tucanos votaram contra o presidente. Nos últimos meses, o Planalto tem recebido reclamações de partidos como PP, PR, PTB, PSD e PRB. Eles alegam que os tucanos são os mais infiéis e os que têm mais cargos no governo.

Do PP, por exemplo, 86% dos deputados que estavam presentes na votação da segunda denúncia votaram em favor de Temer. No PSDB, o índice foi menor que 50%. A cúpula do Partido Progressista reivindica e provavelmente deve ocupar o lugar de Araújo. Um dos nomes em discussão no partido é o do atual presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, que foi ministro de Dilma Rousseff.

Com mais espaço no governo, os partidos do chamado centrão e até o PSDB devem garantir os votos para ressuscitar a reforma da previdência. A participação dos tucanos na jogada se deve ao fato de que a ala majoritária do partido defende que o compromisso sempre foi com as reformas e não necessariamente com Temer.

Nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, Temer afirmou que tem certeza que vota o texto ainda este ano.

"Quem sabe ainda neste ano. 'Quem sabe', não, com toda certeza – porque aqui a gente diz uma coisa e falam 'há dúvida', e não há dúvida, não. Nós vamos fazer a reforma trabalhista... a reforma previdenciária. A reforma previdenciária que é fundamental para o país", disse.

A proposta em votação na Câmara prevê uma idade mínima para homens e mulheres se aposentarem, 65 e 62 anos, respectivamente, além de determinar uma regra de transição e unificar os regimes dos trabalhadores da iniciativa privada e dos servidores públicos.

Racha no PSDB

Nos bastidores, há quem ressalte que Araújo antecipou sua saída de olho nas eleições de 2018. O tucano estaria interessado em concorrer ao governo de Pernambuco e, para isso, busca desvincular a imagem do governo Temer, que tem apenas 3% de aprovação.

Sem as Cidades, os tucanos ainda ocupam a Secretaria de Governo, nas mãos do deputado licenciado Antônio Imbassahy (BA), o Itamaraty, sob o comando do senador licenciado Aloysio Nunes (SP) e a pasta dos Direitos Humanos, chefiada pela ministra Luislinda Valois.

Um dos principais defensores do desembarque do PSDB do governo era o senador Tasso Jereissati (CE), destituído semana passada da presidência do partido pelo senador Aécio Neves (MG). Embora Aécio faça parte da ala que defende a permanência do partido no governo, o PSDB caminha sentido contrário.

Na carta de demissão, Araújo ressaltou que já não tinha mais apoio dentro do partido para permanecer no governo. A decisão do ex-ministro ocorre dias depois de Aécio dizer que o partido deixaria o governo "pela porta da frente". O líder do partido no Senado, Paulo Bauer (SC) tentou minimizar possibilidades de atrito com o governo.

"O PSDB tem um projeto a ser desenvolvido no próximo ano, que é o de oferecer uma candidatura presidencial que possa unir os brasileiros e levar a nação ao desenvolvimento pleno à justiça social e à tranquilidade política. Certamente, a contribuição de nossos ministros colaborando com o governo deve ser destacada", pontuou o líder do PSDB.

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