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Hitler 'escapou da Alemanha e fugiu para a Colômbia', diz documento inédito desclassificado pela CIA

A comunidade alemã “o tratava com todas as honras da SA nazista”.

13/11/2017 19:36 -02 | Atualizado 13/11/2017 19:46 -02

O líder nazista Adolf Hitler teria escapado da Alemanha após a guerra e fugido para a Colômbia, onde teria continuado a ser idolatrado por ex-nazistas.

Essa alegação foi transmitida a agentes da CIA em 1955, dez anos após a versão oficial dos fatos, que dão conta de que o Fuhrer e sua esposa Eva Braun, com quem se casara apenas no dia anterior, teriam morrido em um pacto de suicídio em um bunker em Berlim.

O documento da CIA recém-desclassificado datado de 3 de outubro de 1955 traz detalhes de um informante "de confiança" que teria dito a um agente de codinome Cimelody-3, através de um terceiro, que Hitler ainda estava vivo. Um bilhete manuscrito ao lado do nome do agente o declara "bastante confiável".

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Um documento da CIA desclassificado recentemente detalha informação recebida de um informante sugerindo que Adolf Hitler teria escapado da Alemanha e teria vivido na Colômbia.

O documento identifica Phillip Citroen como o terceiro em questão e o identifica como um antigo membro da SS alemã que afirmou que tinha contato com Hitler mais ou menos uma vez por mês na Colômbia e alegava que o antigo líder deixara a Colômbia rumo à Argentina em janeiro de 1955.

O relatório do informante diz: "Citroen comentou que, como já se passaram dez anos desde o final da Segunda Guerra Mundial, os aliados não poderão mais processar Hitler como criminoso de guerra".

Uma foto supostamente de Citroen com o homem que ele dizia ser Hitler está anexada ao documento e traz no verso a inscrição "Adolf Scrittelmayor, Tunga, (sic) Colômbia, 1954".

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Esta foto que supostamente mostra o ex-membro da SS alemã Phillip Citroen e um indivíduo identificado como Adolf Schrittelmayor foi anexada ao memorando.

O documento diz ainda: "Nem Cimelody-3 e nem esta Estação tem condições de fazer uma avaliação inteligente da informação, que está sendo encaminhada como sendo de possível interesse".

Um segundo documento datado de 17 de outubro de 1955 também faz referência a Citroen e sua alegação de que se reunira com um homem que se dizia Hitler em Tunja, Colômbia, "que, segundo a fonte, possui grande população de alemães ex-nazistas".

O documento prossegue: "Segundo Citroen, os alemães que residem em Tunja seguem este suposto Adolf Hitler com toda 'a idolatria do passado nazista, tratando-o como der Fuhrer, fazendo a saudação nazista diante dele e tratando-o com toda as honras de militares da SA'" (a tropa de choque nazista).

ullstein bild Dtl. via Getty Images
Adolf Hitler na Alemanha em 1932

O documento também menciona a foto que Citroen teria apresentado dele próprio com o homem, anexa ao documento anterior, mas observa com ceticismo que, "devido à ... aparente fantasia do relato, a informação não foi encaminhada no momento em que foi recebida".

No dia 30 de abril de 1945 foi informado que Hitler morreu com uma bala na cabeça e Eva Braun morreu envenenada com uma pílula de cianeto, em um pacto suicida, no momento em que as tropas aliadas estavam cercando Berlim.

Seus corpos teriam sido levados para fora, queimados por funcionários e em seguida enterrados em uma cova rasa.

Abel Basti é um dos que detalham essa hipótese em seu livro "El Exílio de Hitler", uma nova edição do qual foi publicada na Argentina no ano passado.

Basti, que já escreveu extensamente sobre o ditador, disse ao "Sputnik News: "Houve um acordo com os EUA para que Hitler pudesse fugir e não cair nas mãos da União Soviética. A mesma coisa se aplicou a muitos cientistas, militares e espiões que mais tarde tomaram parte na luta contra o regime soviético."

O historiador acredita que Hitler saiu do bunker sob a Chancelaria em Berlim por um túnel que o levou a um aeroporto nas proximidades, de onde ele teria sido levado à Espanha.

Basti alega que, da Espanha, Hitler viajou às Ilhas Canárias, onde um submarino o aguardava para levá-lo à Argentina.

O ex-Fuhrer teria morrido na Argentina em 3 de fevereiro de 1971, acredita Basti.

Dando mais credibilidade à conexão pós-Segunda Guerra Mundial com a América do Sul, em 2015 arqueólogos descobriram o que acreditaram ser as ruínas de um esconderijo secreto na selva construído para líderes nazistas do Terceiro Reich, caso eles fossem forçados a fugir da Alemanha.

Pesquisadores que abriram caminho na selva com facões descobriram várias ruínas de pedra localizadas no parque provincial de Teyu Cuare, no norte da Argentina, perto da fronteira com o Paraguai.

O esconderijo acabou não sendo necessário porque o presidente argentino Juan Perón acolheu milhares de nazistas e fascistas italianos de braços abertos.

É fato sabido que Joseph Mengele, médico que conduziu experimentos de crueldade extrema no campo de concentração de Auschwitz, e Adolf Eichman, um dos principais organizadores do Holocausto, se refugiaram na Argentina.

Eichmann foi sequestrado por agentes israelenses em 1960 e levado a Israel, onde foi julgado e executado.

Em 2000 o então presidente argentino Fernando de la Rua apresentou um pedido formal de desculpas pelo papel exercido pelo país na acolhida de criminosos de guerra nazistas.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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