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Após protestos, Museu na Indonésia remove estátua de cera de Hitler usada para selfies

"A maioria dos visitantes se divertia com a estátua e tirava fotos, pois consideram o museu um local de entretenimento", disse diretor do museu.

12/11/2017 14:56 -02 | Atualizado 12/11/2017 15:01 -02
HENRYANTO via Getty Images
A estátua tinha sido colocada em 2014 no Mata Trick Eye Museum, cuja especialidade é montar cenários com efeitos 3D.

Uma estátua de cera do ditador nazista alemão Adolf Hitler foi removida de um museu em Jacarta, na Indonésia, após visitantes tirarem selfies com o ditador e divulgar nas redes sociais. As imagens compartilhadas mostravam as pessoas sorrindo enquanto posavam com o líder nazista em frente a uma imagem dos portões do campo de concentração de Auschwitz.

A estátua tinha sido colocada em 2014 no Mata Trick Eye Museum, cuja especialidade é montar cenários com efeitos 3D para que os visitantes possam tirar fotos com ilusão de ótica. Veja abaixo:

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Segundo a BBC, foi somente quando a comunidade internacional reagiu com indignação às imagens publicadas nas redes sociais -- e sobre o fato de Hitler estar exposto -- é que o museu percebeu o quão problemático era manter a estátua no local.

A estátua de Hitler ficava diante de um painel do campo de concentração de Auschwitz. Antes de ser retirada, adolescentes sorriam ao tirar selfies aparentemente sem saber que o plano de fundo da escultura mostra o campo de concentração de Auschwitz, onde mais de um milhão de pessoas foram exterminadas pelo regime nazista, conta a AP.

Hitler aparecia como uma figura imponente e dominante. No painel atrás dele, que mostra a entrada de Auschwitz -- campo de concentração onde milhões de judeus foram mortos -- com a frase "Arbeit Macht Frei", em alemão, que significa "o trabalho te liberta".

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Esta imagem, tirada em 10 de novembro de 2017, mostra uma família indonésia se preparando para tirar uma foto ao lado da escultura de cera, em tamanho real, do ditador nazista Adolf Hitler.

Ainda segundo a agência de notícias, a Human Rights Watch chamou a exposição de "doentia", e o Centro Simon Wiesenthal, com sede em Los Angeles, que faz campanha contra a negação do Holocausto e o antissemitismo, exigiu sua remoção imediata. O rabino Abraham Cooper, reitor associado do centro, disse:

Tudo sobre isso é errado. É difícil encontrar palavras para o quão desprezível é. O fundo é nojento. Zomba das vítimas que entraram e nunca saíram.

O museu, em Jogjakarta, Java, disse que só queria educar:

"Nós não queremos atrair indignação", disse o gerente de operações do museu, Jamie Misbah. "A maioria dos visitantes se divertia com a estátua e tirava fotos, pois consideram o museu um local de entretenimento", explicou a direção do estabelecimento.