POLÍTICA

Entenda o que está por trás da crise instaurada dentro do PSDB

Aécio retomou a presidência do partido e destituiu Tasso Jereissati. Este, porém, é só mais um capítulo do racha que se instaurou entre os tucanos neste ano.

11/11/2017 14:30 -02 | Atualizado 11/11/2017 14:31 -02
Jamil Bittar / Reuters
A animosidade interna do PSDB teve início na "delação bomba" da JBS, em maio deste ano.

A crise interna do PSDB se agrava cada vez mais. Após meses de embates dentro do partido e a formação de um "racha", esta semana o senador Aécio Neves decidiu reassumir a presidência do partido na última quinta-feira (9), afastando assim o senador Tasso Jereissati (CE), que comandava a sigla interinamente desde que Aécio esteve no olho do furacão das delações de Joesley Batista, da JBS.

Este foi só mais um capítulo tenso entre as duas alas que se formaram dentro do partido: a que defende a permanência do PSDB como aliado do presidente (comandada por Aécio) e a que quer o afastamento imediato do governo (grupo de Tasso e Fernando Henrique Cardoso).

Um dia antes de Aécio reassumir a presidência, em um ato criticado por colegas do partido, Tasso tinha se lançado candidato à presidência do partido com um discurso forte de combate à corrupção.

Apesar de reassumir o comando do partido, Aécio disse por nota enviada por sua assessoria de imprensa que não ficaria no posto, entregando-o ao ex-governador de São Paulo Alberto Godman – desavença do prefeito de São Paulo, João Doria.

Nas entrelinhas, Aécio retomou a presidência do partido porque a candidatura de Tasso se opõe à do governador de Goiás, Marconi Perillo, que é apoiado pelo grupo de Aécio.

Da delação dos Batista à propaganda partidária

A animosidade interna do PSDB teve início na "delação bomba" da JBS, em maio deste ano. No materiais entregues à Procuradoria-Geral da União, Joesley batista, dono do grupo J&F, divulgou uma conversa com o senador Aécio Neves, na qual o político pede R$ 2 milhões para pagar a defesa em processo da Operação Lava Jato. Além disso, o primo do senador, Frederico Medeiros, foi gravado recebendo malas de dinheiro, entregues por um diretor da JBS.

Com o escândalo, Aécio foi afastado da presidência do partido e o senador Taso Jereissati assumiu o cargo. Desde então, porém, Tasso tem se mostrado contra a permanência do partido na base aliada do governo , que já recebeu diversas denúncias de corrupção.

Na visão de Tasso, o partido teria de se desligar da imagem do governo para reconstruir sua credibilidade, após tantos escândalos. Outro grupo de políticos, entre eles Aécio, defende a permanência do partido na base de Temer.

Esse racha ficou escancarado na votação da denúncia contra em outubro. A maioria da bancada votou contra o presidente, acusado pelo crime de corrupção passiva: foram 23 votos a favor da continuidade da investigação e21 contra a continudade. O desfecho foi considerado uma derrota para Aécio, um dos responsávels pela aliança entre o PSDB e o PMDB.

Em agosto deste ano, a crise interna do partido se agravou ainda mais com uma peça partidária veiculada na TV. Idealizada por Tasso, a propaganda reconhece que o PSDB "errou" e diz que o partido precisa passar por uma "autocrítica". Com críticas ao 'fisilogismo", à "velha política" e a um "acordo de ocasião", o comercial foi um recado direto ao Aécio Neves – que não gostou nada do ataque.

Momentos depois da veiculação da polêmica propaganda, os diretórios do partido na cidade de São Paulo, do Estado de São Paulo e do estado de Minas Gerais se dividram em defender Tasso e defender Aécio, em um acirramento de ânimos escancarados não apenas dentro do partido.

'Desse jeito, vamos dar a Presidência a Lula'

O racha interno do PSDB meses antes das eleições presidenciais é considerado um grande "tiro no pé" por especialistas – e pelos próprios tucanos. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, está irritado com a briga interna no partido e disse que esse momento de "histeria" apenas fortalece rivais: "desse jeito, vamos entregar a Presidência para o , em 2018", disparou Aloysio sobre a disputa presidencial.

"Engana-se quem pensa que será carregado nos braços do povo por ter desembarcado do governo. O PSDB será julgado por suas ações concretas em benefício do país. Mas como fazer o discurso da razão com o partido em pé de guerra?", indagou.

Na tentativa de restaurar paz no partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou Geraldo Alckmin como solução para a crise, pois é um dos poucos tucanos que aparecem "em cima do muro", diante da rinha entre os políticos.

Porém, parece que Alckmin quer continuar fora dos holofotes deste caos. Segundo o Blog do Camarotti, do G1, o governador de São Paulo disse que não há necessidade dele se candidatar a presidente do partido, pois há "ótimos bons quadros". "O que a gente precisa é fazer processo de aproximação sucessivas e buscar unidades partidárias", acrescentou.

Questionado sobre sua opinião em relação à destituição de Tasso Jereissati, Alckmin disse que não foi consultado, mas caso fosse, "não autorizaria".

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