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Ciro rejeita chapa com Lula e Manuela: 'Estou cansado de balançar a cabeça em nome de unidade'

Para o ex-governador do Ceará, a esquerda está em xeque e o momento é de debater política.

10/11/2017 15:02 -02 | Atualizado 10/11/2017 18:45 -02
Divulgação/Montagem
Pelas palavras de Ciro Gomes, não vai ter esquerda unida para 2018.

O presidenciável Ciro Gomes revelou que a esquerda não vai se unir nome da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Combativo, o ex-ministro filiado ao PDT afirmou que "está cansado de balançar a cabeça em nome de unidade" e que não "acha justa" a candidatura de Lula, o nome do PT para a corrida presidencial de 2018.

Em palestra na Universidade Federal de Minas Gerais nesta quinta-feira (9), Ciro reforçou a ideia de que "o tempo agora não é de 'eleitoramento'" e fez um apanhado histórico para deixar claro seu descontentamento com o antigo companheiro:

"Em 1989, eu era prefeito de Fortaleza e o Lula era uma mirabolância;

Em 1994, eu ajudei a fazer o real e o Lula ficou contra;

Em 1998, fui candidato a presidente, apoiei o Lula e sequer houve segundo turno.

Em 2002, fui candidato a presidente, apoiei o Lula no segundo turno, me tornei ministro;

Em 2006, retirei minha candidatura para apoiar a reeleição do Lula e fui expulso do meu partido por isso;

Em 2010, depois de dizerem para mim cem vezes que eu ia ser candidato, o Lula apontou a Dilma, eu fiquei lá e a apoiei;

Agora chega o Lula e resolve ser candidato condenado. Se eu acho que é justo? Não, eu acho que não é justo."

Lula foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP) pelo juiz Sérgio Moro. Se for condenado em segunda instância, ficará inelegível.

O presidenciável criticou o apoio do PT a Eunício Oliveira (PMDB-CE) na eleição para a presidência do Senado e reaproximação de Lula com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que "não presta", segundo ele.

Ciro também criticou a reação de petistas à pré-candidatura de Manuela D'Ávila, lançada pelo PCdoB à presidência. "O PCdoB ficou a vida inteira ao lado do PT, e agora eles esculhambam o partido."

Questionado se comporia uma chapa de unidade com Lula e Manuela, Ciro subiu o tom: "Vá pro diabo. Lá na hora, a gente pega a bosta que tiver e come. Agora nós vamos discutir política". Em tom de brincadeira, admitiu que é "chato, agressivo e que manda bala" e, por isso, sabe da resistência que pode enfrentar da população brasileira.

Esquerda em xeque

Para o pré-candidato, todo esse cenário revela que a esquerda está "em xeque" e precisa se reorganizar. Ele argumenta que parte dos militantes progressistas assume discursos muito burocráticos e desconectados da realidade. Cira cita o caso da hostilização de não-grevistas e cidadãos durante greves para sugerir que a esquerda pense em outras linguagens e respeite mais as pessoas.

Ou temos a humildade de compreender isso ou vamos ficar fora. Já perdemos a hegemonia cultural e intelectual do debate. Felizmente a direita não ganhou.

Para ele, é justamente essa desconexão que possibilita que apareçam agora "todo tipo de maluquice", se referindo à especulação em torno do nome de Luciano Huck como presidenciável.

"Sendo assim, tomei a liberdade de lançar Ana Maria Braga, Faustão, Ratinho e Datena. Quanto mais opções, melhor para a democracia", brincou o ex-governador.

CORREÇÃO

Ao contrário do que informamos, Ciro não criticou a pré-candidatura de Manuela, mas sim a reação de petistas a ela.

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