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Mochileiras vítimas de ataque em Salt Creek contam história angustiante

As duas mulheres, uma brasileira e uma alemã, atacadas em 2016 numa praia deserta na Austrália falam sobre a agressão.

08/11/2017 20:58 -02 | Atualizado 08/11/2017 20:59 -02
Channel Nine/ 60 Minutes
A alemã Lena Rabente e a brasileira Beatriz tinham 23 anos quando se conheceram em Adelaide, em fevereiro de 2016, e decidiram viajar juntas pela Great Ocean Road.

Duas mochileiras atacadas por um homem numa praia deserta do sul da Austrália contaram pela primeira vez sua história aterrorizante.

Lena Rabente, da Alemanha, e Beatriz, do Brasil, tinham 23 anos quando se conheceram em Adelaide, em fevereiro de 2016, e decidiram viajar juntas pela Great Ocean Road.

(Duas mochileiras atacadas numa praia do sul da Austrália contaram seu drama em entrevista exclusiva.)

As duas amigas aceitaram uma carona de Roman Heinze, então com 59 anos. Ele viu o anúncio da dupla no site Gumtree, mas, duas horas depois de sair de Adelaide, ele as levou para dunas isoladas no Parque Nacional Coorong.

Rabente e Beatriz contaram ao programa 60 Minutes, do Channel Nine, como um trecho deserto da praia conhecido como Salt Creek repentinamente tornou-se palco de uma luta por suas vidas.

Beatriz e Rabente ficaram separadas na praia quando Heinze chamou a brasileira para ver cangurus. Quando os dois estavam longe o bastante de onde tinham montado as barracas, ele puxou uma faca, a amarrou e a atacou sexualmente.

"Achei que estava num filme de terror", disse Beatriz à repórter Tara Brown, do 60 Minutes.

Pensando rápido, Beatriz convenceu Heinze de que estava "do lado dele", em vez de tentar resistir. Assim, ela conseguiu gritar por ajuda. Milagrosamente, Rabente a ouviu, apesar do barulho do vento e do mar.

Channel Nine/ 60 Minutes

Rabente estava tentando ligar para pedir ajuda quando Heinze a atingiu na cabeça com um martelo. Apesar dos vários golpes sofridos na briga com Heinze, ela conseguiu ficar em pé, soltar Beatriz e fugir pelas dunas.

"Não tinha visto o que ele tinha usado para me agredir, mas pensei 'É o fim', porque o golpe foi tão duro", disse Rabente.

"Pensei: 'Vou morrer'. Tinha certeza. Tipo, já estava me imaginando morrendo ali e não queria desistir no final".

Heinze entrou em seu carro e continuou perseguindo Rabente pelas dunas, atingindo a alemã e a derrubando pelo menos quatro vezes. Finalmente, Rabente conseguiu subir no capô e chegar ao teto do carro.

Beatriz, que tinha corrido em outra direção, encontrou um carro passando e pediu ajuda.

Channel Nine/ 60 Minutes

Ainda nua, Beatriz diz que correu desesperada em direção ao carro. "Quando entrei e comecei a gritar, eles viram que era sério", disse ela. Os pescadores que estavam no carro chamaram a polícia.

A brasileira se recusou a ser levada para o hospital enquanto Rabente não fosse encontrada, e ela e os pescadores saíram em busca da alemã.

Enquanto isso, Rabente tinha convencido Heinze a largar suas armas antes de descer do teto do carro. Logo depois, ela viu o carro dos pescadores se aproximando e correu na direção deles.

Os pescadores afirmaram que Rabente estava coberta de tanto sangue que a princípio eles não foram capazes de determinar se ela era home ou mulher.

Desde o incidente, Beatriz diz que todos os dias têm sido difíceis, por causa das cicatrizes psicológicas do ataque.

"Prefiro não estar na rua depois do por-do-sol, porque não me sinto à vontade. Se vejo alguém na rua, não me sinto mais segura e começo a achar que alguém pode estar me seguindo", disse ela ao 60 Minutes.

Em maio deste ano, Heinze foi condenado a 22 anos de prisão por seis crimes, incluindo ataque indecente e sequestro. Heinze está recorrendo da sentença.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost AU e traduzido do inglês.

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